As queimadas no Sul e Sudeste do Pará. Artigo de D. Vital Corbellini

Foto: Odair Leal | Amazônia Real | Creative Commons

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07 Setembro 2016

"É preciso o cuidado com a natureza, porque é dela que nós vivemos dando-nos a comida, a vida, a água, o sol, a alegria de existir para todos os seres vivos da natureza", alerta Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá - PA. 

Eis o artigo.

1. Atravessamos um tempo seco e bastante escaldante em toda a Região Sul e Sudeste do Pará. O período das chuvas não ocorreu de uma forma intensa, de modo que sentimos as conseqüências da secura em voga. Os açudes diminuíram seus volumes e os rios que atravessam a cidade de Marabá: Itacaiúnas e Tocantins estão baixíssimos em seus níveis. As águas são poucas para a lavoura e o gado. Muitas pessoas estão preocupadas com a situação do clima seco em nossa região.

2. Dessa forma, tornam-se freqüentes as queimadas. Basta ir no interior dos municípios da Região Sul e Sudeste do Pará, para ver a situação das queimadas ao redor das rodovias, ou nos campos. Isso causa medo, perplexidade porque o fogo alastra-se podendo atingir as casas, a sobrevivência dos animais, os passarinhos e contaminando o ser humano.

3. No ano passado passamos alguns dias com muita fumaça na cidade de Marabá. As pessoas imaginavam que era neblina, mas na realidade era a fumaça que impedia ver as coisas e as casas de tão intensa que era na região. Víamos o sol como uma bola de fogo. Nós não queremos mais situações parecidas como essas porque além de causar problemas de respiração para as pessoas, sem dúvida impediram a formação de nuvens para as chuvas. No final de 2015 e início de 2016 choveu muito pouco para a realidade do Sul e Sudeste do Pará, um período que deveria chover bastante para o ano todo.

4. É preciso o cuidado com a natureza, porque é dela que nós vivemos dando-nos a comida, a vida, a água, o sol, a alegria de existir para todos os seres vivos da natureza. O Senhor nos concedeu muitas coisas bonitas, maravilhas. Tudo tem o seu valor. Muitas vezes o ser humano destrói as coisas criadas por Deus, queimando as matas, derrubando as florestas, e as castanheiras, e outras coisas preciosas da nossa floresta amazônica.

5. Na Carta Encíclica Laudato Sí, fala Papa Francisco em conversão ecológica. Ele propõe aos cristãos e às cristãs, linhas de espiritualidade ecológica que nascem das convicções da nossa fé, pois aquilo que o Evangelho nos ensina tem conseqüências para o nosso modo de pensar, e viver. A crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior.

6. A conversão ecológica emerge nas relações com o mundo que nos rodeia, sendo todas conseqüências do encontro com Jesus. Viver a vocação ecológica é parte essencial duma existência virtuosa. Ela implica gratidão e gratuidade, um reconhecimento do mundo como dom recebido do amor do Pai, provocando gestos generosos para com a criação natural.

7. Nós somos chamados a cuidar da natureza, como dom de Deus. Ela não é intocável, porque dela nos vem a sobrevivência. As comunidades dêem em suas missas e celebrações da palavra o devido louvor ao Senhor Ressuscitado sobretudo, no encontro do povo de Deus aos domingos e ao mesmo tempo evitemos as queimadas na natureza, porque a fumaça que vai ao ar impede a formação de nuvens e as chuvas tão almejadas no Sul e Sudeste do Pará.

8. Haja intervenção das autoridades competentes em relação as queimadas nos campos e em todos os lugares. As comunidades eclesiais, as pastorais e os movimentos, pessoas de boa vontade, pastores e povo de Deus assumamos atitudes objetivas para a natureza, para assim amar as coisas criadas que o Senhor nos concedeu, sendo assim uma única família com o Deus Uno e Trino no qual como Criador quer de suas criaturas a vida de todos e salvação.

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