“Não é preocupação minha” se a Igreja se recupera ou não da crise dos abusos, diz Hans Zollner

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Agosto 2016

Segundo o padre Hans Zollner, em sua conta no Twitter, choveu muito em Fiji, nos últimos dias, observação que poderia ter sido a de qualquer turista, em qualquer parte do mundo. Mas, há algo que faz com que a crônica deste viajante seja algo especial: seu compromisso com as vítimas de abusos sexuais na Igreja, que o levou, só nas últimas semanas, a visitar Austrália, Nova Zelândia e as ilhas Fiji.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 11-08-2016. A tradução é do Cepat.

Em sua passagem pela capital neozelandesa de Wellington, o padre Zollner – alemão, jesuíta e presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores – deu uma entrevista ao portal Stuff, na que falou de suas experiências viajando por todo o mundo e se reunindo com vítimas de abusos de religiosos católicos. Confessou, naquele momento, que seu trabalho responsável pela resposta da Igreja ao horror do abuso sexual às crianças lhe resulta “obscuro, sombrio e intenso”, mas compartilhou com o repórter neozelandês um pequeno indício de esperança: o de que, após um dia intenso de formação para os bispos da Nova Zelândia, sua sensação é que a mensagem já parece estar se fixando ali, na consciência coletiva. Mas, não significa que não resta trabalho a fazer, ou que a mensagem que Zollner trouxe às antípodas do mundo não possa ser aplicada a outros países: é preciso mais.

“Não é preocupação minha se vamos nos recuperar ou não”, afirmou o padre Zollner a Stuff, referindo-se à reputação da Igreja, que tem sofrido muito – ou quase irreparavelmente – a partir dos anos 1980, quando os casos de abusos sexuais perpetrados por sacerdotes e religiosos em todo o mundo começaram a aparecer. Pelo contrário, disse o jesuíta, “minha preocupação é a de fazer o que temos que fazer e que não fiquemos presos nisso”. Dito em outras palavras, o sacerdote alemão não se empenha para que a Igreja se redima e recupere sua “imagem gentil”, devidamente respeitada pelos diferentes setores da sociedade, inclusive os não católicos. Em absoluto. “Temos que nos centrar no que podemos fazer para arrumar o desastre que se criou ao longo dos anos e no que depende de nós para criar ambientes os mais seguros possíveis”, destacou Zollner em sua sabatina com a página neozelandesa. Trabalho de expiação que passa por fazer tudo o que é possível para curar as feridas das vítimas que foram prejudicadas pela atitude “defensiva e fria” de “alguns líderes da Igreja”, particularmente quando estas se atreveram a contar suas experiências ou a denunciar seus agressores.

Alguns dirão que não, que a Igreja já fez importantes avanços a respeito da proteção de seus menores fiéis, e que agora é impossível que os erros do passado voltem a se repetir debaixo de nossos próprios narizes. Tentação à autocomplacência que o padre Hans Zollner desmente com sua visão realista. “Há uma expectativa de que nunca mais tais abusos voltem a acontecer”, observou Zollner ao portal Stuff. “É claro que ocorrerão e estão acontecendo agora mesmo – tanto dentro, como fora da Igreja –, pois são o mal e, infelizmente, nunca poderemos eliminar o mal”.

Leia mais...

Especialista em proteção sexual infantil do Papa, Pe. Hans Zollner fala sobre o combate ao “mal”