Aprender a acreditar em meio à dúvida. Comentário de José Antonio Pagola

Foto: Religión Digital

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07 Agosto 2026

"Em primeiro lugar, não devemos nos desesperar nem nos assustar ao descobrirmos dúvidas e hesitações dentro de nós mesmos. A busca por Deus é quase sempre vivida em meio à insegurança, à escuridão e ao risco."

O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, referente ao Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 14,22-33, que corresponde ao 19º Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico, publicado por Religión Digital, 03-08-2026.

Eis o comentário. 

Salva-me, Senhor

Não é fácil responder com sinceridade a essa pergunta que Jesus faz a Pedro no exato momento em que o salva das águas: "Por que duvidaste?".

Às vezes, as convicções mais profundas se desvanecem em nós e os olhos da alma se turvam sem sabermos exatamente por quê. Princípios até então aceitos como inabaláveis começam a vacilar. E desperta em nós a tentação de abandonar tudo sem reconstruir nada de novo.

Outras vezes, o mistério de Deus se torna esmagador para nós. A última palavra sobre a minha vida me escapa, e é difícil abandonar-me ao mistério: minha razão continua buscando, insatisfeita, uma luz clara e apodítica que não encontra nem jamais poderá encontrar.

Não poucas vezes, a superficialidade e a leveza de nossa vida cotidiana, e o culto secreto a tantos ídolos, nos mergulham em longas crises de indiferença e ceticismo interior, com a sensação de termos realmente perdido Deus.

Foto: Religión Digital

Com frequência, é o nosso próprio pecado que abala a nossa fé, pois ela decai e se enfraquece quando nos afastamos de Deus. Se formos sinceros, temos de confessar que há uma distância enorme entre o crente que professamos ser e o crente que somos, de fato. O que fazer ao constatar em nós uma fé às vezes tão frágil e vacilante?

Primeiro, não desesperar nem nos assustarmos ao descobrir em nós dúvidas e vacilações. A busca de Deus se vive quase sempre na insegurança, na escuridão e no risco. A Deus se busca "às apalpadelas". E não devemos esquecer que muitas vezes "a fé genuína só pode aparecer como dúvida superada" (Ladislaus Boros).

O importante é aceitar o mistério de Deus de coração aberto. Nossa fé depende da verdade da nossa relação com ele. E não é preciso esperar que nossas perguntas e dúvidas se resolvam para vivermos em verdade diante desse Pai.

Por isso, o importante é saber gritar como Pedro: "Senhor, salva-me". Saber erguer para Deus nossas mãos vazias, não apenas como gesto de súplica, mas também de entrega confiante de alguém que se sabe pequeno, ignorante e necessitado de salvação. Não esqueçamos que a fé é "caminhar sobre a água", mas com a possibilidade de encontrar sempre essa mão que nos salva quando começamos a afundar.

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