"O Evangelho de hoje nos convida à confiança infinita e à aceitação de nossas fraquezas e limitações. Elas sempre nos acompanharão em nossas jornadas, mas podemos sempre confiar novamente e prosseguir", escreve Consuelo Vélez, teóloga colombiana, comentando o evangelho do 19º Domingo do Tempo Comum, ciclo A, publicado por Religión Digital, 05-08-2026.
Imediatamente, Jesus fez os discípulos entrarem no barco e passarem à sua frente para o outro lado, enquanto ele despedia a multidão. Depois de despedir a multidão, subiu sozinho a um monte para orar. Ao cair da tarde, estava lá sozinho. O barco, já a uma distância considerável da terra, era açoitado pelas ondas, porque o vento soprava contra ele. Pouco antes do amanhecer, Jesus foi até eles, andando sobre o lago. Quando os discípulos o viram andando sobre o lago, ficaram aterrorizados. “É um fantasma!”, disseram, e gritaram de medo. Mas Jesus lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo”. Então Pedro respondeu: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro sobre as águas”. “Vem”, disse ele. Então Pedro saiu do barco, andou sobre as águas e foi em direção a Jesus. Mas, quando sentiu o vento, teve medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!”. Imediatamente Jesus estendeu a mão e o segurou. “Homens de pequena fé”, disse ele, “por que duvidastes?” E, quando subiram no barco, o vento cessou. Então, os que estavam no barco o adoraram, dizendo: “Verdadeiramente tu és o Filho de Deus” (Mateus 14,22-33).
O texto tem três partes. Na primeira, os discípulos entram no barco para atravessar para o outro lado, enquanto Jesus dispensa a multidão e se retira para orar. Na segunda parte, Jesus se junta aos discípulos no barco, caminhando sobre as águas, e Pedro experimenta tanto o desejo de confiar quanto a dúvida. A terceira parte refere-se à reação dos discípulos a esse evento, levando-os a confessar sua fé em Jesus como o Filho de Deus.
Essa história é muito semelhante à da tempestade que se acalma (Mt 8,23-27), na qual todos os discípulos estão com medo da tempestade e Jesus os repreende por sua falta de fé. Quando Jesus acalma a tempestade, os discípulos perguntam: Quem é este que até o mar e o vento lhe obedecem? Na leitura de hoje, não há mais uma pergunta, mas uma afirmação mais enfática: Jesus é o Filho de Deus.
Não podemos interpretar os textos literalmente e focar apenas no "poder" de Jesus sobre os elementos da natureza. O que importa é o significado teológico do texto, a intenção do evangelista ao relatar esses eventos dessa maneira. A ênfase aqui está na fé, em oposição à dúvida, embora não seja legítimo sentir dúvida e confiar no poder de Jesus para superá-la.
De fato, Pedro, que desempenhará um papel tão proeminente no discipulado e na história da Igreja, personificará a experiência da dúvida e, como sabemos, até mesmo da negação de Jesus, mas será também aquele que, apesar de sua fragilidade, confia plenamente em Jesus e passa a ter um papel de liderança indiscutível.
Portanto, o Evangelho de hoje nos convida à confiança infinita e à aceitação de nossas fraquezas e limitações. Elas sempre nos acompanharão em nossas jornadas, mas podemos sempre confiar novamente e prosseguir. São essas experiências de queda e ascensão que nos revelarão o imenso amor de nosso Deus e Sua presença incondicional em nossas vidas. Que possamos também reconhecer no Jesus da história o Filho de Deus, revelador do Pai, para que não duvidemos de que somente realizando as obras que Ele realizou construiremos o Reino de Deus, sem concessões, sem distorções.