21º domingo do Tempo Comum – Ano C – Subsídios Exegéticos

Foto: Manuchi | Pixabay

19 Agosto 2022

 

 

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana - ESTEF



Dr. Bruno Glaab
Me. Carlos Rodrigo Dutra
Dr. Humberto Maiztegui
Me. Rita de Cácia Ló

 

Leituras do dia

 

1ª Leitura - Ap 11,19a;12,1-6a.10ab
Salmo - Sl 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b)
2ª Leitura - 1Cor 15,20-27
Evangelho - Lc 1,39-56 (Cântico de Maria)

 

O Evangelho

 

Ao celebrar a Assunção de Nossa Senhora, a Igreja nos apresenta uma perícope lucana do Evangelho da Infância (Lc 1-2). O texto se divide em duas partes:

1) O encontro das duas mães grávidas: Isabel e Maria;

2) o Magnificat.

 

1) O encontro das duas mães grávidas (Lc 1,39-45). Isabel traz em seu ventre aquele que é o último profeta do AT (Lc 16,16; Mt 11,13), que agora desemboca em Jesus que inicia seu percurso no ventre de Maria. Portanto, a alegria de Isabel, bem como a alegria da criança em seu ventre apontam para a transição do AT para o NT, pois no ventre de Maria está aquele que realizará a plenitude da Revelação de Deus, isto é, Jesus. Assim, Isabel traz em seu ventre o AT e Maria traz no seu seio o NT que realiza o que foi preparado pelo AT.

 

2) O Magníficat (Lc 1,46-55). Trata-se de um cântico da primitiva comunidade cristã que ganhou sua versão atual através da pena de Lucas. Melhor dizendo, a Igreja dos anos 80, inspirada pelo Espírito Santo, apresentou Maria desta maneira. Ao meditar o Magnificat os fiéis de todos os tempos têm uma imagem de como o Espírito Santo, que inspirou os textos bíblicos, queria que se entendesse a figura da mãe de Jesus. Ou, ainda, como Deus, através do Espírito Santo, apresenta Maria para a Igreja.

 

O texto é inspirado no Cântico de Ana (1Sm 2,1-10) e em outros textos do AT. Exalta o lugar das pessoas humildes, pequenas e desprezadas. É nelas que se realizam os desígnios de Deus. Maria, por excelência encarna o papel dos que não contam na sociedade: em primeiro lugar, por ser uma moça pobre de aldeia, em segundo lugar, por ser uma virgem, que na cosmovisão dos povos bíblicos, valia pouco. Assim sendo, a comunidade de Lucas, pobre, pequena, desprezada (Lc 12,32) vê nesta mulher o protótipo de sua própria realidade. Maria é figura que representa a verdadeira Igreja onde Deus realiza sua ação na história. Ela é o mais belo exemplo da Igreja de todos os tempos.

 

Olhando para Maria, a agraciada por Deus, e meditando seu cântico que o Espírito Santo inspirou, teremos um retrato falado de como deve ser a Igreja. Como Maria, há mais de dois mil anos, se colocou humildemente nas mãos de Deus e gestou o salvador do mundo, assim também a Igreja, espelhada nela, deve gestar Jesus para que todos os povos conheçam o salvador. A Igreja, depois de Jesus, tem em Maria, seu melhor exemplo.

 

Relacionando com as outras leituras

 

A Igreja, representada em Maria, é visualizada em Ap 12,1ss (1ª leitura). Ela, assim como Maria, tem o papel de gerar Jesus para os povos, ou seja, pregar Jesus a todas as nações. Nesta missão, em meio às dificuldades, a Igreja se identifica com a humilde e ameaçada mulher, perseguida pelas forças do mal, mas que, apesar das dificuldades, mesmo na clandestinidade, torna Jesus presente no mundo. Não há, aparentemente possibilidade de lutar contra as forças do dragão, porém, Deus ampara esta senhora grávida e sofredora diante do mal. A Igreja, através dos milênios, em sua missão de anunciar Jesus, enfrentou e enfrenta forças adversas, aparentemente invencíveis. Mas, como a mulher de Ap 12 recebe amparo de Deus, também a Igreja, em todos os tempos, é protegida pelas forças divinas.

 

Por isto, a liturgia de hoje coloca o texto de 1Cor 15,20ss, pois nela está o cumprimento da promessa da ressurreição. Maria é a mais próxima do ressuscitado e nesta figura, aparece o destino de toda Igreja.

 

Com base em tudo isto, bem como na Tradição, a Igreja, em 1950, depois de longa pesquisa, no pontificado do Papa Pio XII, proclamou o dogma da Assunção de Nossa Senhora de corpo e alma ao céu. Em Maria se realizou o que está prometido para todos os membros da Igreja, da qual ela é protótipo. Assim, celebrando , a Assunção de Maria Igreja celebra sua própria esperança escatológica.

 

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