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01 Setembro 2017

E Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Então Pedro levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!”

Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: “Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!” Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga.” Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta.

Leitura do Evangelho segundo Mateus 16, 21-27 (Correspondente ao 22° Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

A morte que gera Vida

O texto que lemos hoje se vincula à narrativa da semana anterior, também do Evangelho de Mateus. Relata-se que Jesus “começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Pedro, então, tenta dissuadi-lo dessa possibilidade. Para ele era impensável que o Messias, aguardado e desejado por tantas gerações, fosse morto assim.

O Messias esperado ia salvá-los do Império Romano oferecendo-lhes liberdade e justiça. O Ungido de Deus não podia ser assassinado! Era inconcebível que ainda fosse justiçado pelos que eram considerados protetores da tradição religiosa: anciãos, chefes dos sacerdotes e doutores da Lei.

Pedro, que poucos dias antes tinha reconhecido Jesus como o Messias, o Enviado por Deus, considera que Jesus está errado na sua ideia do que vai acontecer. Por isso “levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: ‘Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!”. Ele rejeita a possibilidade do sofrimento e morte do Messias.

Neste momento podemos imaginar Pedro que separa Jesus do grupo para explicar-lhe seu erro na concepção do Messias. A resposta de Jesus é brusca: identifica-o com Satanás dizendo-lhe: “Fique longe de mim, Satanás”. Jesus procura ensinar-lhes com clareza e sem ambiguidades qual é o seu caminho.

A ideia de Pedro representa tantas sugestões falsas que se apresentam ao longo da vida do discípulo e das comunidades cristãs. Convites que conduzem ao engano, a abandonar o caminho do sofrimento, deixando a proposta de Jesus pela escolha de outras orientações, geralmente atrativas.

As palavras de Jesus a Pedro, e a cada um de nós, são claras: “Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!”. Não se pode ser discípulo de Jesus se pensar desde nossa própria perspectiva! É preciso buscar e realizar o caminho que Jesus nos propõe.

Ele é o Mestre e quando Pedro tenta colocar-se por diante de Jesus apresentando-lhe outro caminho, Jesus o rejeita imediatamente e o coloca no seu lugar: ele também deverá carregar com sua cruz e seguir assim a mesma sorte que o Mestre.

“Tendo sofrido as tentações e vencendo-as, Jesus vem em auxílio daqueles que são também provados, tentados a abandonar do Projeto do Pai e servir a outros projetos (Hb 2,18).”

A cruz de Jesus é uma cruz solidária. Ele é morto nas mãos dos que oprimiam e escravizavam o povo. Une-se ao povo que sofre! Sua cruz é a cruz da injustiça, da miséria, de povos inteiros escravizados e excluídos pelos que se consideram donos da verdade e da justiça.

“No Jesus crucificado se encontram e se reconhecem todos os sofredores inocentes e crucificados da história; n’Ele se condensam todos os gritos da humanidade sofrida e excluída.” (Disponível em: Cruz: “Misericórdia vulnerável”)

Continuamente lemos e escutamos notícias dos refugiados que ficam sem terra onde viver uma vida digna. Pessoas assassinadas brutalmente, os e as desaparecidos/as, os indígenas que continuamente lutam pela sua terra! Há poucos dias lemos a reportagem sobre “um dos vários exemplos dos retrocessos na proteção e demarcação das terras indígenas no Brasil nos últimos anos, situação agravada pela crise política e econômica. (Disponível em: Direitos territoriais dos povos indígenas sob ameaça)

Como escreve o Diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados, “Hoje, as pessoas estão em movimento numa escala sem precedentes. Alguns saem de suas casas voluntariamente, atraídos por oportunidades econômicas ou laços familiares. Outros – cerca de 65 milhões e este número continua crescendo – estão sendo forçados a deixar suas casas devido à guerra, à perseguição, ao conflito étnico e religioso, à pobreza extrema, a catástrofes naturais ou degradação ambiental. Estamos falando de números que equivalem à população inteira da Grã-Bretanha. (Texto completo: Carta aberta do diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados - SJR/EUA ao presidente Trump

Jesus convida-nos a carregar com Sua cruz. Convida-nos a ser solidários com todas estas situações e ter seu olhar de compaixão que nos leve a perder nossa vida para contribuir na liberdade e na justiça dos mais empobrecidos e necessitados.

Unamo-nos às denúncias dos Jesuítas do Brasil reunidos na II Assembleia Nacional: “Não podemos deixar de manifestar nossa preocupação e até nossa indignação diante da maneira como as classes dominantes conduzem as crises econômica, social e política que assolam o país e afetam a população brasileira, sobretudo os mais empobrecidos. A corrupção e a promiscuidade entre interesses públicos e privados nas esferas dos poderes instituídos escandalizam a maioria do povo brasileiro e tiram legitimidade aos poderes executivo e legislativo.

[...] A desigualdade socioeconômica, nestes últimos anos, agravou-se significativamente. Além dos 14 milhões de desempregados, pelo menos 10 milhões de trabalhadores ficam subempregados ou desistem de procurar trabalho." (Texto completo: Jesuítas do Brasil denunciam ajustes "desse (des)governo" para atender ao mercado e o agronegócio)

Somos capazes de fazer parte do Reino de Deus? Nesta semana somos convidados a fazer a escolha que realmente liberta.

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