Reforma deve considerar proteção social, diz OIT. Comissão faz última audiência

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Abril 2017

Relator deverá entregar seu parecer sobre o PL da reforma trabalhista daqui a uma semana, o que fez a oposição protestar. Maia quer pôr em votação no dia 19.

A reportagem é publicada por Rede Brasil Atual - RBA, 06-04-2017.

Na última audiência pública da comissão especial que discute a legislação trabalhista, nesta quinta-feira (5), o diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Peter Poschen, disse que qualquer reforma não pode se basear em más condições de trabalho e na exploração da mão de obra, mas deve seguir normas internacionais e promover uma concorrência leal. Os ex-ministros Almir Pazzianotto e Miguel Rossetto também falaram, a favor e contra a proposta do governo.

O relator, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), pretende entregar seu parecer em uma semana. Isso provocou protestos por parte da oposição, já que, segundo Wadih Damous (PT-RJ), a apresentação, conforme acordo, deveria ocorrer no início de maio.

Para Poschen, o país deve seguir as convenções da OIT, destacando as 98 e 154, que tratam de negociação coletiva. A 98, que fala também do direito à sindicalização, está em vigência no país desde 1953 e a 154, desde 1993. O diretor também defendeu "diálogo social" sobre a proposta.

Ministro do Trabalho no governo Sarney e ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Pazzianotto disse ser favorável à prevalência do negociado sobre o legislado, como quer o governo. A negociação coletiva pode ser um "instrumento hábil de combate de desemprego", diz, na medida em que se adapta a uma realidade de crise. "Temos uma legislação insegura", afirmou, fazendo referência ao grande número de processos trabalhistas. Recentemente, o ex-ministro disse ser a favor da extinção da Consolidação das Leis do Trabalho.

Precarização

Para Rossetto, ministro do Trabalho no governo Dilma Rousseff, não é a legislação que impede o empregador de criar empregos, pois até dois anos atrás o mercado estava abrindo vagas, com essa mesma legislação. Ele responsabilizou a política econômica "profundamente equivocada", que por isso atinge os direitos dos trabalhadores.

"Fragilizar a relação de trabalho" não resultará em aumento da eficiência e da produtividade na economia, afirmou. "A chaga deste país não é um trabalhador reivindicar direitos, mas os milhões de trabalhadores que trabalham sem carteira assinada”, acrescentou Rossetto.

Ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a votação – e aprovação – da reforma trabalhista no dia 19. "Este é o caminho que o Brasil precisa trilhar para crescer já no final deste ano."

Como a proposta tramita em caráter conclusivo, se aprovada na comissão especial vai diretamente para o Senado. Mas o Projeto de Lei 6.787 pode ainda ser analisado pelo plenário da Câmara, se houver recurso ou aprovação de requerimento.

Outro ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, disse ontem que o projeto reflete o ponto de vista dos empresários. "Reforma é conversa para boi dormir. Isso aqui é puramente retirar direitos", afirmou à comissão especial.

Leia mais