A espiritualidade em tempos de autoajuda

Mais Lidos

  • O que Abraão pode nos ensinar sobre discernir a vontade de Deus? Artigo de Maura Aranguren

    LER MAIS
  • Os nazistas voltaram, os comunistas morreram, a humanidade fracassou. Artigo de Alexandre Francisco

    LER MAIS
  • “O caso Master e a crise do Supremo convergem para uma questão republicana fundamental: saber se as instituições brasileiras dispõem de mecanismos suficientemente transparentes e impessoais para impedir que poder econômico, influência política e autoridade institucional se convertam reciprocamente em contraventores ou fautores de ilicitudes”, diz o jurista

    Convulsão intestina no STF: “É uma crise acerca da qualidade republicana do Estado brasileiro”. Entrevista especial com José Geraldo de Sousa Junior

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

03 Abril 2017

O que é a espiritualidade hoje? E quão material é a espiritualidade hoje? As perguntas são de dois jovens estudiosos, Andrea Colamedici e Maura Gancitano, que publicaram o livro Tu non sei Dio [Tu não és Deus], graças a uma recém-formada e intrigante editora italiana, Tlon.

A reportagem é de Antonello Guerrera, publicada no jornal La Repubblica, 31-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Tu non sei Dio é uma fenomenologia da espiritualidade contemporânea e, acima de tudo, a evidente crítica ao desenfreado comércio a ela relacionado. “Runas, tarô, ioga, limpeza da aura, equilíbrio dos chakras, espiritismo, esoterismo, naturopatia, ritualidades havaianas, instrumentos de adivinhação célticos” etc.: tudo levaria a pensar em uma reaproximação substancial do século XXI à esfera mais imaterial e ambiciosa da humanidade, depois do despedaçamento do poder religioso.

Na realidade, de acordo com Colamedici e Gancitano, essa temporária caça ao exílio imaterial nada mais é do que mais uma ilusão consumista do mundo ocidental: isto é, chegar a “Deus” ou, melhor, sentir-se Deus simplesmente comprando um livro de autoajuda, “manuais de felicidade em 24 horas” ou empreendendo técnicas de meditação para ter sucesso na vida.

Para os autores desse ágil ensaio, que analisa o magma atual dissecando as suas raízes, de Descartes a Hillman, esta é apenas mais uma exibição do narcisismo contemporâneo na era das redes sociais, e não a verdadeira espiritualidade, que, ao contrário, precisa de tempo, esforço e compromisso interior.

Um fenômeno que coincidiu com o nascimento da sociedade capitalista e com a subsequente “epidemia de egocentrismo que contagiou” também a espiritualidade contemporânea, hoje “no estado gasoso”, como a arte, de acordo com Yves Michaud.

Diz Cioran, citado por Colamedici e Gancitano no livro, “depois de engolir o mundo, quando ficamos sozinhos, orgulhosos com a nossa obra, Deus, rival do Nada, parece-se a uma última tentação”. Uma tentação ainda válida e crucial para a humanidade, escrevem as autoras. Mas hoje perseguida de modo superficial.

Leia mais