Chile. Bachelet recebe relatório final sobre conflitos de La Araucanía

Foto: Ximena Navarro/Presidência do Chile

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: João Flores da Cunha | 25 Janeiro 2017

A presidenta do Chile, Michelle Bachelet, recebeu no dia 23-01 o relatório final de uma comissão sobre os conflitos na região de La Araucanía, no centro do país. O texto aborda a violência rural e a dívida histórica do Estado chileno com o povo mapuche, que habita a região.

La Araucanía, uma das quinze regiões nas quais o território do Chile está estruturado, é a mais pobre do país, e apresenta alta desigualdade. A comissão foi instalada em julho de 2016 para assessorar a presidência do país na resolução dos conflitos da região. Ela contou com participação de indígenas e de representantes da Igreja, e foi presidida pelo monsenhor Héctor Vargas, bispo de Temuco, a capital de La Araucanía.

O relatório faz uma série de recomendações ao governo chileno. Entre elas, estão uma nova regulamentação para a compra de terras e a criação de um ministério de povos indígenas e de uma Lei Araucanía. A presidenta afirmou que a lei será apresentada em um prazo de seis meses, e que será submetida a consulta dos povos indígenas.

Um dos desafios a serem resolvidos é o da representação política indígena, e a comissão pediu que se crie um mecanismo especial de representação. Também pediu que sejam pagas reparações às vítimas de violência na região, e que o governo ajude no fortalecimento das organizações mapuche. Além disso, solicitou que o Estado chileno reconheça seus erros oficialmente e peça perdão pela forma como historicamente tratou La Araucanía, pedido acolhido pelo governo.

De acordo com Bachelet, as prioridades para a região são “paz, interculturalidade, desenvolvimento e igualdade”. A presidenta valorizou o fato de o relatório ser não o “reflexo da visão de um setor determinado”, mas “proposta comum de pessoas que trabalham em diversos âmbitos produtivos, das comunidades, da academia e também da política”.

Ela garantiu que já há previsão orçamentária de recursos a serem destinados para La Araucanía, e destacou que “em termos financeiros a região já é uma prioridade”. A presidenta prometeu que até março irá detalhar uma série de ações de curto e médio prazo a serem tomadas a partir das conclusões apresentadas no relatório.

No mesmo dia em que a presidenta recebeu o relatório, o ministro do Interior do Chile, Mario Fernández, admitiu que há terrorismo em La Araucanía. A declaração foi dada em uma sessão no parlamento do país sobre segurança nacional. La Araucanía é marcada por conflitos entre os mapuches e empresas agrícolas e florestais que operam na região.

Leia mais: