“Que o Concílio volte a ser um costume para as Igrejas ortodoxas”

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Por: André | 23 Junho 2016

Apesar das visíveis ausências, o Concílio das Igrejas ortodoxas já começou. E se delineia como um primeiro e significativo passo ao qual deveriam se seguir outros. O arquidiácono John Chryssavgis, assessor teológico do Patriarca Bartolomeu e responsável pela comunicação do encontro de Creta, nesta entrevista ao Vatican Insider explica: “Este Concílio revitalizou o processo conciliar, que nós rezamos volte a ser novamente normativo na vida da Igreja ortodoxa, como o foi nos séculos anteriores. Os Concílios deveriam ser novamente um processo natural para discutir e decidir sobre questões de interesse comum. Eles pertencem à identidade da Igreja ortodoxa”.

A entrevista é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 21-06-2016. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Pode-se dizer que é “pan-ortodoxo” um Concílio do qual não participam quatro Igrejas ortodoxas?

A diferença neste particular encontro de bispos consiste no seguinte: ele foi aprovado e decidido com bases pan-ortodoxas na Sinaxis dos Primados poucos meses atrás, em janeiro de 2016. Uma decisão que confirmou a intenção unânime manifestada pela Sinaxis dos Primados que aconteceu em março de 2014. Portanto, este é um Concílio pan-ortodoxo, que o Patriarcado ecumênico sozinho não pode decidir nem mudar.

Infelizmente, deste Concílio quatro das Igrejas ortodoxas não puderam participar. Isto seria um ponto de vista legalista para sua pergunta. Mas a realidade é que nenhuma das Igrejas manifestou nenhuma objeção ou falta de vontade para participar do Concílio de Creta até poucos dias antes do seu início. Inclusive toda a logística de viagens e hotéis estava confirmada até o último momento. Este também é o caso da Igreja de Antioquia, que insiste em dizer que não assinou todas as decisões. No caso da Igreja da Rússia, a decisão foi tomada exatamente 48 horas antes da chegada das delegações conciliares a Creta.

Existe o consenso sobre o fato de que o Concílio em andamento é um primeiro passo, uma primeira etapa de um processo que produzirá uma série de concílios pan-ortodoxos com a participação de todas as Igrejas?

Foi preciso que passassem várias centenas de anos para que um concílio deste porte, em termos de representação e de totalidade, pudesse se reunir este ano em Creta. Foi concebido originalmente como um Concílio pan-ortodoxo há quase 100 anos, ao passo que os preparativos começaram há 60 anos. Então, como se pode imaginar, foi um processo longo e trabalhoso para animar todas as Igrejas ortodoxas a se reunirem depois de um longo período de isolamento, mas também depois de tantas mudanças históricas que se verificaram ao longo dos séculos (desde a ocupação das Igrejas orientais do século XVI, passando pela opressão soviética no século XX, até a crise humanitária atual dos refugiados, que afeta muitas regiões nas quais há Igrejas ortodoxas, especialmente os antigos patriarcados de Antioquia, Alexandria e Jerusalém.

Foi um ‘milagre do alto, uma bênção de Deus’, como Sua Santidade Bartolomeu definiu a decisão de convergir juntos por este santo e grande Concílio. Este Concílio revitalizou o processo conciliar, que nós que nós rezamos volte a ser novamente normativo na vida da Igreja ortodoxa, como o foi nos séculos anteriores. Os Concílios deveriam ser novamente um processo natural para discutir e decidir sobre questões de interesse comum. Eles pertencem à identidade da Igreja ortodoxa.

As dificuldades colocadas por algumas Igrejas, relacionadas com problemas particulares inclusive sobre as relações entre as próprias Igrejas (o conflito entre Antioquia e Jerusalém, os pedidos da Ucrânia), podem ser resolvidas nas sede do Concílio pan-ortodoxo?

Não posso falar em nome do Concílio ou em nome dos bispos delegados que participam dele. Claro, o santo e grande Concílio é o lugar apropriado e o momento preciso para discutir sobre controvérsias entre as diferentes Igrejas ortodoxas. Mas duvido que as questões internas que tocam as duas Igrejas ortodoxas, uma das quais está ausente, possam ser resolvidas neste Concílio. Claro, a decisão das Igrejas não foi a de incluir novos temas na discussão ou resolvê-los nesta ocasião.

A mensagem final poderia conter a demonstração de que o passo dado em Creta representa o primeiro em um processo conciliar?

A mensagem final foi redigida por um comitê especial, composto por representantes de todas as Igrejas presentes e será apresentado aos primados antes da sua reunião e antes da plenária do próprio Concílio. O objetivo é oferecer um testemunho profético da Igreja ortodoxa e apresentar uma frente única aos olhos do mundo àqueles que sofrem injustiças econômicas e militares, mas também a todos aqueles que têm sede da ‘água viva’ da Palavra de Deus.

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