Papa Ratzinger entre burcas e preservativos

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23 Novembro 2010

 
O preservativo pode ser usado. Em certos casos. Uma prostituta o usa como ato de responsabilidade. Bento XVI tira cautamente o veto do profilático 20 meses depois da tempestade desencadeada pelas suas afirmações durante a viagem à África, quando declarou que o preservativo "aumenta o problema". O Pontífice foi então submergido por uma avalanche de críticas de governos e organizações internacionais e agora mostra retomar os seus passos, dando razão a quem na Igreja pediu, em vão, durante décadas, que se levasse em conta o "mal menor".


A mudança clamorosa está contida no livro-entrevista "Luz do mundo", redigido com o seu jornalista de confiança, Peter Seewald. "Pode haver casos individuais justificados", admite Ratzinger, e é a primeira vez que um Pontífice dá marcha ré na sistemática demonização do preservativo. Como exemplo, Bento XVI explica que o emprego é pensável "quando uma prostituta utiliza um profilático, e esse pode ser o primeiro passo para uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver novamente a consciência do fato de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer".

Há muito tempo, os teólogos moralistas ampliaram a casuística: a mulher que tem o direito de se defender do marido infeccionado (sobre isso falou o cardeal Tettamanzi em um livro seu sobre bioética), o parceiro consciente de relações ocasionais, os chamados grupos de risco. Mas Ratzinger tem o seu ponto sobre o plano geral: "Esse, porém, não é o verdadeiro modo para vencer o HIV". O Papa recusa a banalização da sexualidade, que leva a se considerar as relações como uma droga e não como expressão de amor.

 (Cfr.notícia do dia 23.11.2011,desta página)