"A sensação é de alívio por não ter acontecido nada"

Mais Lidos

  • O manifesto perturbador da Palantir recebe uma enxurrada de críticas: algo entre o tecnofascismo e um vilão de James Bond

    LER MAIS
  • A socióloga traz um debate importante sobre como as políticas interferem no direito de existir dessas pessoas e o quanto os movimentos feministas importam na luta contra preconceitos e assassinatos

    Feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio: a face obscura da extrema-direita que viabiliza a agressão. Entrevista especial com Analba Brazão Teixeira

    LER MAIS
  • Trump usa o ataque para promover sua agenda em meio ao bloqueio de informações sobre o Irã e índices de aprovação em níveis historicamente baixos

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Novembro 2011

Alívio e tranquilidade. Esses eram os sentimentos da maioria dos moradores da Rocinha depois que a tomada da favela terminou. O estudante de Jornalismo Leandro Lima, de 29 anos, um dos responsáveis por um site de notícias da comunidade, disse que "o barulho (dos carros blindados) era assustador", mas que "foi tudo muito rápido". "Acho que a sensação agora é de alívio por não ter acontecido nada."

A reportagem é de Felipe Werneck e Roberta Pennafort e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 14-11-2011.

Flávio Carvalho, de 25 anos, que também trabalha no site, disse que foi abordado e revistado por policiais do Bope depois de fotografá-los, quando descia sozinho, perto do Largo do Boiadeiro. "Foi tranquilo. Eles me pediram para abrir a mochila e não tirar mais foto", relatou ele, que disse ver "com esperança" a prometida pacificação.

As entidades de direitos humanos aprovaram o comportamento dos policiais durante a ação de ontem. "Foi muito diferente do que aconteceu no (complexo do) Alemão, quando houve uma sequência muito grave de desrespeito aos direitos dos moradores", disse Sandra Carvalho, diretora da ONG Justiça Global.

Garçonete no bar Itahy do Leblon, na zona sul, Marta Magalhães trabalhou até as 5h30 e precisou atravessar o Túnel Zuzu Angel a pé, porque todas as vias de acesso à Rocinha tinham sido interditadas às 2h30 para a operação. "Pobre é "o ó" mesmo. Sair do trabalho cansada e ter de andar isso tudo, ninguém merece", reclamou, ao chegar à Via Ápia, uma das entradas, às 7h15.

Aviso

Garçom do restaurante Meia Pataca, em Copacabana, também na zona sul, Manoel Jurandir de Brito, de 47 anos, saiu cedo para trabalhar e ficou preocupado com a possibilidade de arrombamento de sua casa. "Moro sozinho, por isso, deixei um aviso colado na porta: "Fui trabalhar e volto às 7 da noite". Vai que um policial bate e ninguém atende. Preciso trabalhar."

William de Oliveira, de 40 anos, candidato derrotado na última eleição para a associação de moradores, contou que foi abordado três vezes por policiais, sempre "educadamente", e que não tinha ouvido reclamações de abusos. Vencedor da última eleição para a associação com o apoio do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem - segundo o relato de moradores -, Leonardo Rodrigues Lima, o Leo, de 47 anos, apareceu na Via Ápia acompanhado de vários correligionários.