Religião no século XXI? A fé de Rowan Williams ‘vence’ o ateu Richard Dawkins

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Por: Jonas | 11 Fevereiro 2013

Mais de 800 pessoas, a maioria estudantes universitários, assistiram ao esperado debate na Cambridge Union Society (CUS). Este histórico clube privado de debate, vinculado à Universidade de Cambridge, convidou vários nomes para discutir a premissa: “A religião não possui espaço no século XXI”. Entre os debatedores estiveram Rowan Williams (à direita na foto), que acaba de deixar a liderança da Igreja Anglicana, e Richard Dawkins (à esquerda na foto), representante visível do ateísmo em nível mundial.

A reportagem é publicada no sítio Protestante Digital, 08-02-2012. A tradução é do Cepat.

Toda quarta-feira, a CUS organiza nas salas de seu prédio, de mais de 200 anos, um debate sobre um assunto da atualidade, contando com especialistas e personalidades amplamente reconhecidos. No último dia 31, buscava-se questionar a necessidade da religião neste novo século, apresentando as questões: “A religião é compatível com a vida do século XXI? Como é possível encaixá-la com as leis e valores modernos? E se é compatível, a religião faz mais o bem do que o mal?”.

De um lado se apresentaram Richard Dawkins, biólogo evolucionista e autor de vários livros muito populares, como “The God Delusion” e o chefe executivo da Associação Britânica Humanista, Andrew Copson. Do outro, o professor de Estudos Islâmicos, da Universidade de Oxford, Tariq Ramadan, o diretor associado da Sociedade Henry Jackson, Douglas Murray, e Rowan Williams, autor de vários livros e novo chefe do Magdalene College, de Cambridge.

Após escutar todas as intervenções, uma parte do público votou naquilo que no debate consideraram mais convincente. Os favoráveis à premissa “a religião não possui espaço no século XXI” saíram derrotados com 136 votos frente aos 324 contrários.

Dawkins. A religião sem respostas relevantes

Durante o debate, Dawkins defendeu que a religião é um “pretexto”, uma forma de se esquivar da realidade. Esta, segundo sua opinião, é “redundante e irrelevante”, além de “uma traição ao intelecto, uma traição a tudo o que temos de melhor em nós, àquilo que nos faz humanos”, afirmou. “A religião – prosseguiu - parece responder a pergunta até você examinar e dar conta de que ela não faz isso... Dissemina explicações falsas, quando explicações reais poderiam ser oferecidas. São explicações falsas que obstaculizam a iniciativa em descobrir explicações reais”.

No contexto científico, opinou Dawkins, a religião exerce a função de um “charlatão pernicioso”. Em conclusão, o representante ateu concluiu que a sociedade funcionaria melhor, não pior, se as religiões estabelecidas não estivessem presentes.

Williams. A religião como chave em direitos humanos

De sua parte, Rowan Williams, que já fez um debate com Dawkins, garantiu que a religião “sempre foi uma questão de construir comunidades, uma questão de construir relações de compaixão e, atrevo-me a dizer, de inclusão”. Portanto, olhando para a História, Williams argumentou que não se trata tanto de dizer se a religião deve existir ou não, mas em perceber qual deveria ser a atitude que se tem para esta. Argumentou, por exemplo, que os direitos das pessoas “possuem profundas raízes” nas comunidades de fé. “A convenção dos Direitos Humanos não seria o que é, caso não tivesse passado pela história do debate filosófico e religioso”. Neste sentido, enfatizou que o respeito pela vida humana e a igualdade é inerente a todas as religiões organizadas. Além disso, disse que “o argumento que afirma que o compromisso religioso deva ser um assunto meramente privado entra em choque com a história da religião”.

Conversa aberta

Este debate, no qual o público podia pedir a palavra e expor perguntas, foi marcado pela questão da idoneidade ou não da religião, em sentido amplo, portanto, não se concentrou em abordar as diferenças entre as religiões.