Bergoglio abre as portas aos padres casados e os recebe em ''casa''

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22 Fevereiro 2015

O Papa Francisco pretende abordar a questão dos padres casados. O próprio Bergoglio admitiu isso, ao receber nessa quinta-feira, no Vaticano, em uma audiência a portas fechadas, os párocos e os padres da diocese de Roma, no tradicional encontro de início da Quaresma.

A reportagem é de Luca Kocci, publicada no sítio Il Manifesto, 20-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Depois do discurso do papa dedicado à celebração da missa e, em particular, às homilias dos padres – "não sejam um showman", advertiu Bergoglio –, abriu-se o espaço para as perguntas dos presentes.

Um dos participantes, o padre Giovanni Cereti, ex-professor de teologia em inúmeras faculdades pontifícias (ele também é o teólogo de referência da admissão aos sacramentos dos divorciados em segunda união), levantou o tema dos padres casados.

"Este nosso encontro está 'mutilado', porque aqui faltam todos aqueles padres que foram demitidos do estado clerical e se casaram", disse Cereti na sua intervenção. "Para eles, foi imposta a 'pena acessória' de não poderem mais exercer o ministério. Muitos deles o retomariam de bom grado. E, então, eu pergunto: talvez não estariam maduros os tempos para que a Igreja Católica os readmita", como, aliás, ocorre nas Igrejas Orientais?

À pergunta "não programada", o Papa Francisco respondeu de modo interlocutório, mas sem fechar as portas: "O problema está presente na minha agenda".

Poucos dias atrás, houve um episódio complementar, menor, mas de grande significado. No dia 10 de fevereiro passado, na costumeira missa matinal em Santa Marta, no Vaticano – a residência de Bergoglio –, estavam presentes 12 padres que festejavam os 50 anos de ordenação sacerdotal, sete dos quais regularmente em atividade (incluindo o diretor da Cáritas de Roma) e cinco, ao contrário, demitidos do estado clerical e agora casados.

Os sete "regulares" concelebraram a missa, os cinco "ex", obviamente, não, mas, no fim, foram saudados pessoal e afetuosamente por Bergoglio, segundo aqueles que estavam presentes.

Dois episódios – as palavras dessa quinta-feira e o convite de uma semana atrás aos "ex-padres" – que são insuficientes para indicar uma mudança de direção, mas que denotam ao menos uma vontade de escuta e a intenção de abordar a questão. Basta pensar que na diocese de Roma, aos padres que deixaram o ministério, é proibido até mesmo ensinar religião na escola.

Até porque, em muitas partes do mundo e em diversas dioceses italianas, os padres casados celebram a missa mais ou menos regularmente, com o silêncio e/ou consentimento dos próprios bispos, que se limitam a aconselhá-los a não se mostrarem muito por aí, ou seja, de evitarem as celebrações públicas. E esta também é a proposta de Cereti: "Se um bispo consente, porque Roma deveria proibir?".

Depois, há o tema de todos os padres suspensos "a divinis" e demitidos do estado clerical, porque as suas posições, muitas vezes políticas mais do que teológicas, não eram apreciadas pela hierarquia eclesiástica. Mas essa é outra história...

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