Condenado a 133 anos de prisão o acusado pelos assassinatos de cinco jesuítas em El Salvador, em 1989

Jardim das Rosas na UCA, El Salvador. O lugar onde: Ignacio Ellacuría, Ignacio Martín-Baró, Segundo Montes, Juan Ramón Moreno, Amando López, Joaquín López e López, Elba Ramos e Celina Ramos, foram mortos em 16 de novembro de 1989, por um pelotão militar. (Fonte: Wikimedia Commons)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

12 Setembro 2020

O tribunal da Corte Nacional que julgou o assassinato da referência da Teoria da Libertação, Ignacio Ellacuría, e outros jesuítas espanhóis, em 1989, em El Salvador, condena o ex-coronel e ex-vice-ministro de Segurança Pública de El Salvador, Inocente Orlando Montano, a pena de 133 anos e três meses de prisão.

A reportagem é publicada por La Vanguardia, 11-09-2020. A tradução é do Cepat.

Na leitura pública da sentença é condenado e também responsabilizado por 5 crimes de homicídio de natureza terrorista. Para cada assassinato, é condenado a 26 anos, 8 meses e um dia de prisão.

O caso Ellacuría foi um dos primeiros que começou a ser julgado na Corte Nacional, uma vez superada a paralisação do processo devido à pandemia de Covid-19.

No início do julgamento, em junho passado, o Ministério Público isentou um segundo réu de quem foi mantida a prescrição dos crimes, o ex-tenente René Yusshy Mendoza, que foi um dos líderes do grupo de elite dos oficiais de La Tandona. Yusshy confessou os fatos, já cumpriu pena em seu país e colaborou com a justiça.

Depois de ouvir o depoimento do acusado, das testemunhas e estudar a documentação do processo ao longo de várias sessões de julgamento, o Ministério Público finalizou o seu pedido de 150 anos de prisão para o acusado, 30 para cada um dos cinco “assassinatos terroristas” de religiosos espanhóis, entre outros Ellacuría, que quando foi assassinado era reitor da Universidade Centro-Americana (UCA).

Os fatos ocorreram em 16 de novembro de 1989, quando um grupo de militares salvadorenhos executou os seis jesuítas, bem como a mulher e a filha de 15 anos do guarda universitário.

Montano ocupava então o cargo de vice-ministro de Segurança Pública de El Salvador na época e fazia campanha contra a ordem religiosa, acusando-a de ser subversiva.

Durante sua declaração na Corte Nacional, negou sua conexão com os assassinatos.

Cinco padres eram espanhóis - Ignacio Ellacuría, Ignacio Martín Baró, Segundo Montes Mozo, Amando López Quintana e Juan Ramón Moreno Pardo, todos com idades entre 47 e 59 anos -, portanto o caso foi levado à Corte Nacional, já que é competente para investigar crimes terroristas contra espanhóis no exterior.

Segundo a denúncia proferida na época, a morte dos jesuítas ocorreu em um contexto de polarização intensa entre o governo militar de El Salvador e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), em que os padres se posicionaram como mediadores entre as duas partes para um 'processo de diálogo' e foram acusados, em virtude de sua afinidade com a Teologia da Libertação, de incitar os camponeses a "uma conspiração comunista internacional a serviço do Kremlin".

A decisão de acabar com a vida de Ellacuría e dos demais jesuítas foi tomada por um grupo de oficiais de elite chamado La Tandona, ao qual Montano pertencia. O ex-coronel foi extraditado pelos Estados Unidos, em 2017, e desde então está preso aguardando a finalização desse julgamento.

Leia mais