O Papa reza pelo “invisível” Edwin. Sua morte como uma Sexta-feira Santa

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27 Janeiro 2021

Pouco ou nada se sabia sobre ele. Desde a primavera passada ele estava enrolado em um cobertor perto da colunata de São Pedro, sob um grande guarda-chuva preto. Mesmo quem lhe levava comida e, várias vezes, tentava falar com ele não conseguia ver senão parte do rosto e uma mão estendida. Depois, um frugal "obrigado" em italiano, embora Edwin tivesse origens nigerianas e um passaporte austríaco. O morador de rua de 46 anos, que morreu de frio em Roma na noite entre 19 e 20 de janeiro, foi lembrado no domingo pelo Papa Francisco durante o Angelus.

A reportagem é de Alessia Guerrieri, publicada por Avvenire, 26-01-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um pensamento e uma oração para ele, e para muitos como Edwin, que não têm uma casa e muitas vezes são invisíveis para a cidade. "No último dia 20 de janeiro, a poucos metros da Praça São Pedro, foi encontrado morto por causa do frio um morador de rua nigeriano de 46 anos de nome Edwin”, disse o pontífice, ressaltando logo a seguir que “a sua história se junta a de muitos outros sem-teto que morreram recentemente em Roma nas mesmas circunstâncias dramáticas”. Pelo menos dez nos últimos três meses, o quarto desde o início de 2021, quase todos mortos por causa do frio. É por isso que Francisco pediu para orar por este homem sem-teto e pelos muitos Edwins que vivem nas margens das ruas nas cidades.

“Há uma razão para o que disse São Gregório Magno - acrescentou o Papa - que, perante a morte por frio de um mendigo, em Roma, disse que nesse dia não se celebrariam missas porque era como uma sexta-feira santa”.

Por fim, novamente a exortação a pensar em Edwin, a rezar por ele, mas também a se identificar com ele: “Pensemos no que este homem de 46 anos sentiu, no frio, ignorado por todos, abandonado também por nós”.

Ainda mais nestes meses de pandemia, Francisco não deixou de dar atenção aos sem-teto; a última ação foi a doação, no Natal ,de 4 mil testes rápidos para os pobres de Roma e, há poucos dias, a vacinação aos primeiros 25 sem-teto do Vaticano.

Edwin também era atendido pelos voluntários da Comunidade de Santo Egídio, que, duas noites por semana, distribuem refeições aos necessitados e oferecem cobertores para mantê-los aquecidos do frio. “Era um homem muito esquivo, muito reservado, não se conseguia passar pela cortina que tinha construído à sua volta. Era de poucas palavras, um cumprimento ou um agradecimento pela comida”. Carlo Santoro, um voluntário da comunidade de Trastevere, é um dos poucos que conseguia chegar perto de Edwin.

"Na manhã em que foi encontrado morto eu estava na Praça São Pedro para levar os sem-teto para serem vacinados no Vaticano – ele relata - sua morte questiona a todos, especialmente a cidade porque todos somos chamados a responder por tal tragédia".

Talvez encontrando “uma forma de parar e abaixar-se diante de um homem que vive na rua, procurando uma forma de se relacionar com ele. Porque muitos morrem por falta de cuidados”. De fato, entre as poucas coisas de Edwin, foi encontrado um passaporte austríaco, um sinal de que esse homem nigeriano, e talvez a sua família também, havia emigrado para a Áustria. A sua é, portanto, também uma história de uma falta de integração. Agora, mesmo que a comunidade tenha se oferecido para pensar no sepultamento, estamos tentando localizar algum parente através do consulado.

“Eu o conheci - lembra o cardeal Konrad Krajewski logo depois da morte do nigeriano de 46 anos - ele nunca procurou ajuda: até lhe levávamos comida, mas devido a seus problemas ele nunca se mexia. Lamento muito, tentámos de muitas formas ajudá-lo”.

Na manhã de ontem, o esmoleiro do Papa celebrou o funeral de “Robertino”, um morador de rua de 64 anos que morreu em dezembro e que passou parte de sua vida na Praça São Pedro. O cardeal escolheu a passagem do Evangelho de Lucas, em que Jesus conta a parábola de Lázaro e o rico epulão, porque “Roberto sempre dormia diante de uma porta fechada”. Uma igreja lotada para sua última despedida. “Um funeral solene e importante - conclui Carlo Santoro de Santo Egídio - para aqueles que em vida não eram importantes para muitos”.

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