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09 Mai 2016

Da coluna de Elio Gaspari, jornalista, publicada por Correio do Povo, 08-05-2016.

Na noite de quarta-feira (4) o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estava na casa do Jaburu, onde o vice-presidente Michel Temer vivia o esplendor da expectativa do poder. Na manhã seguinte, Temer soube que o condestável do PMDB fora mandado para o estaleiro. À tarde, por unanimidade, o STF confirmou o relatório do ministro Teori Zavascki.

Em menos de 24 horas Temer viu a diferença dos dois países em que vive. Num, é o príncipe de uma oligarquia política e empresarial. Noutro, chegará à Presidência levado por dois fatores estranhos e hostis aos marqueses. Nele estão a rua e a Operação Lava Jato.

No mundo das armações de Brasília Temer poderá entregar o Ministério da Ciência e Tecnologia ao pastor Marcos Pereira, presidente do PRB (a sigla significa Partido Republicano Brasileiro). No Brasil real a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ, vai-se embora para a Universidade Vanderbilt levando o que sabe e seus cachorros. No mundo real, Temer assumirá um país com três epidemias (dengue, zika e H1N1). No das tramas, não conseguiu colocar o cirurgião Raul Cutait no Ministério da Saúde porque a pasta pertence ao Partido Progressista, que não gostou da ideia.

Ganha uma viagem a Porto Seguro quem achar o trecho da carta de Caminha em que ele diz que a Saúde pertence ao PP.

Há uma mudança em curso no Brasil e o ministro Teori Zavascki mostrou isso. Há pessoas que não percebem os tempos em que vivem. D. Pedro 2° foi banido, Washington Luís, deposto, e João Baptista Figueiredo, esquecido.