Na Itália, bispos conservadores são substituídos por dois padres das ruas

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29 Outubro 2015

Depois da nomeação do pároco Claudio Cipolla, de Mântua, como novo bispo de Pádua, Francisco surpreende ainda com outras duas nomeações "de baixo": para Palermo, no lugar do cardeal Paolo Romeo, ele escolhe o Pe. Corrado Lorefice, 53 anos, até agora simples pároco em Modica (Ragusa) e vigário para a pastoral da diocese de Noto.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 28-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para Bolonha, na cátedra de São Petrônio, até agora regida pelo cardeal Carlo Caffara, ele nomeou Dom Matteo Zuppi, 60 anos, figura histórica da Comunidade de Santo Egidio, da qual é assistente eclesiástico desde o ano 2000, além de, a partir de 2012, bispo auxiliar da diocese Roma para o setor Centro.

Lorefice e Zuppi são dois sacerdotes muito amados pelo povo, próximos das pessoas, pastores "com o cheiro das ovelhas", como quer o Papa Francisco. Lorefice, quase desconhecido nos palácios romanos e alheio às "ternas" que tinham sido preparadas para Palermo, se destaca pela sua atividade contra a mentalidade e os comportamentos mafiosos na sua terra. Ele escreveu livros sobre o Pe. Puglisi, o Concílio Vaticano II e o monge Dossetti.

Zuppi, que também foi pároco de Santa Maria em Trastevere, se distinguiu pela incansável ação em apoio dos mais pobres, dos imigrantes, dos Rom, sem excluir a atividade de diplomacia exercida com a Comunidade de Santo Egídio.

Chegar a Bolonha vindo de Roma não é algo óbvio, levando-se em conta que, há anos, na cátedra de São Petrônio, sucederam-se bispos não contíguos com a linha conciliar posta em campo pelo inovador Giacomo Lercaro de 1952 a 1968.

São significativas, nesse sentido, as primeiras palavras que Zuppi dirigiu através de uma mensagem aos seus novos fiéis: ele enfatizou o fato de que a Igreja deve ser "de todos, justamente de todos, mas sempre particularmente dos pobres"; citou o Concílio Vaticano II, Dom Óscar Romero e João XXIII.

O Pe. Lorefice também proferiu palavras importantes nessa terça-feira: "Depois da nomeação, eu logo pensei no Pe. Pino Puglisi. A culpa é dele", disse ao canal TV2000. "A minha nomeação – acrescentou – é fruto da Providência. Na vinha do Senhor, trabalha-se onde quer que sejamos chamados. Em Modica, fui chamado a dar a vida e farei o mesmo em Palermo, nas pegadas de Jesus. Não muda nada. Eu pensei que fosse um erro, depois, pouco a pouco, amadureci dentro de mim que, até agora, estive onde o Senhor, através da Igreja, me chamou. Isso também aconteceu com esta nomeação, e eu decidi dizer sim."

Na escolha dos bispos, assim como na criação dos cardeais, Francisco não olha para as hierarquias que, nos últimos anos, decidiram as carreiras eclesiásticas italianas. Ele não considera nenhuma diocese como cardinalícia, e mesmo às sedes mais prestigiadas no papel ele envia sacerdotes humildes, padres que foram capazes de se destacar por um compromisso ativo pelos últimos.

Muitas vezes, antes de nomear um novo bispo, ele nomeia diversos auxiliares, talvez para testá-los em campo, para que ele mesmo se dê conta se eles são capazes ou não de ser pastores a serviço do povo.

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