Cristãos hoje: o desafio de superar os dualismos estéreis

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23 Janeiro 2012

"Padre Radcliffe fascina: ele liga você ao seu estilo e aos seus conteúdos profundos, mas apresentados de modo agradável, simpático. Seu humor muitas vezes surpreende, porque desde sempre estamos acostumados com o fato de que os discursos sérios devem ser abordados de modo sério. Mas é justamente essa a magia das suas reflexões: embora sendo profundamente aderentes à vida, as palavras do padre Timothy levam para o alto, elevam o espírito, apaixonam por belas visões de futuro, que dão sentido ao nosso ser cristãos e nos fazem amar profunda e autenticamente Deus e o mundo" (do Prefácio de Paul Renner).

A análise é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada no sítio Viandanti, 16-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O dominicano Timothy Radcliffe, ordenado sacerdote em 1971, ativamente comprometido no movimento pela paz e no ministério pastoral, também entre os pacientes com Aids, foi mestre-geral da ordem de 1992 a 2001. É um escritor e conferencista de fama internacional. O texto reúne algumas de suas recentes intervenções, que delineiam um estilo cristão para o presente.

O livro está dividido em três partes: primeiro, uma série de conferências resumidas no título A palavra de Deus em um mundo globalizado; uma segunda parte mais específica sobre o tema Vida Religiosa e sacerdócio, sinais do reino; e, finalmente, uma coleção de homilias e uma conferência apresentadas sob o título Pregar hoje: uma conversa com a comunidade.

Pe. Radcliffe indica uma terceira via entre o gueto cristão e o enfraquecimento do Evangelho, que é o caminho conciliar da Gaudium et Spes. Uma via mais do que necessária hoje, porque, embora, de um lado, na nossa sociedade parece não existir mais "a diferença cristã", como costumava dizer o Pe. Enzo Bianchi, de outro, a tentação de nos fecharmos em uma cidadela fortificada (que não tem nada a ver com uma comunidade evangélica) é muito forte em muitos.

Assim, acabaríamos nos encontrando muito bem naquele ninho confortável descrito pelo Pe. Timothy, enquanto nos é pedido algo completamente diferente. Encastelarmo-nos nas nossas certezas de bons católicos e olhar o mundo assim do alto, desprezando aqueles que não são cristãos, faria de nós fariseus ou pior do que desertores do Evangelho.

Eis então a proposta, evangélica e conciliar, de Radcliffe: "Devemos estar com as pessoas, compartilhar os seus problemas (...) e ir descobrir junto uma palavra que deve ser compartilhada". Porque não basta brandir o crucifixo como se estivéssemos no tempo de Constantino. Talvez nos seja pedido, tanto hoje quanto ontem, que coloquemos em prática o que a cruz significa para nós: "Tive fome, estava nu, preso (...) qualquer coisa que vocês fizeram ao menor deles fizeram a mim". E isso é muito diferente de uma gratificante conferência paroquial ou de movimento, útil sim, mas não muito suficiente.

"As nossas Igrejas não devem se tornar refúgios para fugir da modernidade", escreve o Pe. Radcliffe. "Ao contrário, devem se tornar casas capazes de acolher toda a humanidade, com todos os seus dramas".

"Em geral, os nossos modos de ver o mundo são profundamente dualistas: dia/noite, bom/mau, preto/branco, homem/mulher, corpo/alma. Muitas vezes, esses dualismos são o sinal das oposições que conferem identidade: nós/eles, certo/errado, republicano/democrata, esquerda/direita, jesuíta/dominicano! A nossa política, os nossos esportes, as nossas questões e rivalidades de amor: normalmente tudo é dualista. Mas nos encontrarmos, nós mesmos, em um amor trinitário, significa estarmos livres dessas oposições binárias. Encontramo-nos, nós mesmos, dentro do amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai que é o Espírito Santo. Esse é um amor que é absolutamente recíproco, mas também fecundo para além de si mesmo. Portanto, estar envolvidos no interior da vida trinitária nos leva para além das estreitas e limitadas obsessões, dos antagonismos em que os seres humanos estão confinados. Somos levados para dentro de um espaço que é sempre maior".

Talvez, no século XXI, sejamos chamados a ser cristãos, e ponto final; ou, melhor, a nos esforçarmos a tornarmo-nos cristãos dia após dia, sem julgar os outros.

- Essere cristiani nel XXI secolo. Una spiritualità per il nostro tempo, de Timothy Radcliffe. Ed. Queriniana, 2011, 360 páginas.

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