O Metaverso do Facebook: a maior caixa de idiotas que pode existir

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03 Novembro 2021

 

“O mundo anunciado por Mark Zuckerberg será um mercado virtual absurdo, onde se cobrará dinheiro real por experiências virtuais, estimulando a alienação que sustenta o modo de produção e acumulação capitalista na quarta revolução industrial”, escreve Luis Bonilla Molina, pesquisador em ciências sociais, professor e ativista social, em artigo publicado por Alai, 02-11-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Eis o artigo.

 

Mark Zuckerberg acaba de anuncia que, a partir de 1º de dezembro, a empresa Facebook passará a se chamar Meta. Isso tem duas implicações, uma de caráter empresarial, para legitimar e construir viabilidade jurídica a uma das operações mais importantes que vem fazendo: a venda de informação. O Facebook usa a mineração de dados para se apropriar de informação desagregada de seus usuários, a qual vende a terceiros sem repassar porcentagem de lucro para os que de maneira inconsciente proporcionam a informação. A segunda, para criar o metaverso, um universo virtual que modelará atividades como consumo, participação política, sociabilidade, educação e inclusive dará acesso à inovação científica tecnológica.

Isso ocorre em meio à incredulidade de muitos docentes e sindicatos de professores sobre a sustentação da ofensiva das transnacionais da tecnologia sobre o mundo educacional, tanto na fase educativa presencial da pandemia como durante o pós-pandemia. Até agora, as atividades que o metaverso do Facebook pretende assumir eram parte das tarefas de reprodução cultural mantidas pelo capital aos sistemas escolares (consumo, sociabilidade, cidadania, democratização do conhecimento).

Isso ocorre quando entre 40% e 50% da população estudantil – e até mesmo os professores – não possui conexão com a internet ou mesmo dispositivo de conexão remota. E os outros 50% – estudantes e docentes – usaram plataformas comunicacionais como Zoom, Google Meet, StreamYard, Facebook ou WhatsApp. No primeiro caso, estaríamos observando o surgimento das piores e mais abruptas exclusões dos últimos séculos, ainda encobertas por discursos de normalização precoce; aqueles que hoje ficam para trás correm o risco de ficar para trás de forma permanente e passar para a periferia da pior pobreza e marginalização.

No segundo caso, a educação durante a pandemia os transformou em consumidores de tecnologia, analfabetos em programação e algoritmos, destinados a seguir as diretrizes impostas pelos acordos de governos e seus ministérios da educação com empresas de tecnologia. É por isso que temos insistido na urgência da alfabetização em algoritmos para poder produzir respostas de emancipação e libertação no contexto atual e, sobretudo, na necessidade de um debate pedagógico global sobre as implicações da quarta revolução industrial na educação.

Qual será o metaverso do Facebook?

Até agora Zuckerberg anunciou fragmentos do que será seu metaverso, e por isso afirmamos que será a maior caixa de idiotas que pode existir. Será um mercado virtual absurdo, onde cobrarão dinheiro real por experiências virtuais ou talvez seja livre para garantir a alienação que sustenta o modo de produção e acumulação capitalista na quarta revolução industrial.

No metaverso do Facebook, será possível ter avatares (réplicas suas) no escritório e de seus amigos em casa. Através de mecanismos de realidade virtual aumentada será possível compartilhar com amigos ou personagens criados, comprando comida, roupas, viagens, casas que ficarão apenas neste universo paralelo. Você poderá viajar com amigos a lugares remotos com um senso de realidade em tempo real, típico da tecnologia que hoje associamos em seu nível primário ao GPS.

Na maior caixa de idiotas do mundo, aqueles que ingressarem serão educados em comportamento social, participação política, consumo e terão acesso a informações vazadas e trabalhadas.

Claro que não virá de “supetão” no 1º de dezembro. A transição será lenta e sustentada, mas com certeza, em 2030, quando os teóricos do Fórum de Davos preveem a queda do sistema educacional global, o metaverso surgirá como uma alternativa para além do entretenimento.

 

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