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13 Setembro 2021

 

Sobrevivência complicada

"O país tem crescido pouco e a desigualdade aumentou nos últimos anos. Sobreviver sem muitos recursos já é complicado, mas a instabilidade de renda coloca um problema extra nessa equação" - Marcelo Neri, coordenador da FGV Social – Folha de S. Paulo, 13-09-2021.

 

Apoio de conhecidos

"Uma diferença importante da crise atual para a anterior é que as famílias mais pobres agora sofreram quase que uniformemente, por não conseguirem trabalhar. (...) "Os brasileiros mais pobres são mais sujeitos a esses altos e baixos e dependem que seus conhecidos estejam em uma situação melhor para ter alguma ajuda. A pandemia tirou o emprego de muito mais gente e aumentou a dependência de programas sociais" - Marcelo Neri, coordenador da FGV Social – Folha de S. Paulo, 13-09-2021.

 

Montanha-russa

Vida de pobre é um brinquedo que quebra no meio do caminho "A vida do brasileiro mais pobre é mais do que uma montanha-russa: é um brinquedo em que o carrinho quebra no meio do caminho. (...) Não são apenas altas e quedas de renda, mas a sensação de que a vida não avança. A pandemia fez com que, pela primeira vez, o trabalho informal não conseguisse amortecer a alta do desemprego e não há uma estratégia clara do governo que combata a crise agora" - Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco e um dos criadores do Bolsa Família – Folha de S. Paulo, 13-09-2021.

 

Golpe ou reeleição

“Jair Bolsonaro pode divulgar quantas notas quiser para tentar reduzir as pressões sobre o governo, mas sabe que só tem duas alternativas para garantir sua sobrevivência política: um golpe ou uma reeleição. Nenhum desses caminhos ficou mais fácil ao longo da última semana” – Bruno Boghossian, jornalista – Folha de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Taxa de proteção paga ao Centrão

“Mesmo que queira permanecer no poder à força, o presidente deve enfrentar dificuldades. Os atos de 7 de setembro mostraram capacidade de mobilização de empresários e militantes, mas também sugeriram que falta apoio para concretizar o plano. Um governante com 25% de popularidade e uma economia em desarranjo não ganha eleições e tem menos fôlego para dar um golpe. Bolsonaro escapou do impeachment graças às taxas de proteção que paga aos políticos do centrão. Isso deve ser suficiente para chegar até 2022, mas o presidente ainda procura uma maneira de evitar que seu grupo político acabe na prisão depois que ele deixar o poder” – Bruno Boghossian, jornalista – Folha de S. Paulo, 12-09-2021.

 

2022. Pequenas chances de Bolsonaro

“A radicalização acontece na medida que Bolsonaro percebe que pela via eleitoral suas chances são muito pequenas em 2022” - Daniela Campello, professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) e doutora em ciência política pela UCLA (Universidade da California em Los Angeles) – Folha de S. Paulo, 13-09-2021.

 

8% a 12%

“O que se crê é que o grupo realmente que não abandona Bolsonaro vai de 8% a 12% do eleitorado. Ele ainda tem um grupo de eleitores grande para perder, com a economia ruim, com inflação. Se houvesse um candidato de terceira via apenas não seria impossível que parte desse grupo migrasse para esse candidato viável” - Daniela Campello, professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) e doutora em ciência política pela UCLA (Universidade da California em Los Angeles) – Folha de S. Paulo, 13-09-2021.

 

Duas direitas

“Temos duas direitas, na verdade, a gente precisa diferenciar. Uma é aquela que pode vir a lançar um candidato viável de terceira via, um candidato que pode vir a ser competitivo. Outra direita não tem essa perspectiva e facilmente se vale de todos os benefícios que vem recebendo do governo Bolsonaro, para dar apoio, o coração do centrão. À medida que Bolsonaro se enfraquece, [os partidos que hoje o apoiam] simplesmente pulam no vagão de um outro candidato mais à frente, Lula ou quem quer que seja essa terceira via. Essa direita, esse grupo que apoia Bolsonaro, muito dificilmente vai sair do barco. Só vai sair quando não tiver mais nada a ganhar ou quando achar que a associação com o Bolsonaro pode criar riscos para 2022” - Daniela Campello, professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) e doutora em ciência política pela UCLA (Universidade da California em Los Angeles) – Folha de S. Paulo, 13-09-2021.

 

O poder das ameaças

“O problema não é só se concretizar (as ameaças de Bolsonaro), mas o quanto a ameaça já está mudando o panorama político do país. Não só a oposição a ele, como o próprio Judiciário, a própria mídia, e isso é problemático. Um exemplo é o Barroso pedindo a indicação de alguém das Forças Armadas para acompanhar a transparência das eleições. Isso é uma resposta às ameaças do presidente. As ameaças podem nunca acontecer, mas ele consegue avançar com os seus projetos a partir delas” - Daniela Campello, professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) e doutora em ciência política pela UCLA (Universidade da California em Los Angeles) – Folha de S. Paulo, 13-09-2021.

 

Rota de fuga

“A carta “foi mal, tava doidão” ofereceu a Bolsonaro uma rota de fuga, e, aos esquemas de Arthur Lira, uma chance de sobrevivência” – Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia – Folha de S. Paulo, 13-09-2021. 

 

O acordão de Temer

“O acordão de Temer não impediu o golpe, que já estava derrotado. Mas pode ter melado o impeachment. Temer interrompeu o jogo quando era a vez da democracia jogar. A turbulência que Temer poupou ao mercado não foi a turbulência do fim da democracia, foi a turbulência da reação da democracia” – Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia – Folha de S. Paulo, 13-09-2021. 

 

Voltamos ao dia 6 de setembro de 2021

“Não me entendam mal, as notícias são boas. A democracia brasileira sobreviveu ao ataque mais frontal que sofreu desde o fim do regime militar. Mas se o acordão contra o impeachment prosperar, não teremos de volta nossa democracia saudável de alguns anos atrás. Teremos voltado só até o dia 6 de setembro de 2021” – Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia – Folha de S. Paulo, 13-09-2021. 

 

O acordão de Temer e seus resultados

“No curto prazo, ao menos, a carta Bolsonaro/Temer cumpriu objetivos, avaliam governistas: 1) acalmou Rodrigo Pacheco (DEM-MG); 2) ajudou a esvaziar os protestos contra o Jair Bolsonaro do domingo, 12. O primeiro item foi muito comemorado em privado porque o presidente do Senado é visto hoje como a tábua de salvação para André Mendonça, que precisa do aval da Casa para chegar ao STF. Se o engenhoso plano montado por Davi Alcolumbre (DEM-AP) para barrar Mendonça atrair o apoio de Pacheco, será o fim da linha para o ex-AGU. Segundo senadores, o plano de Alcolumbre seria inviabilizar Mendonça, impondo uma derrota a Bolsonaro e forçando a indicação de Augusto Aras para a vaga no STF. Nesse cenário, Aras chegaria ao Supremo bancado sobretudo pelo Senado, com menos compromissos assumidos com Bolsonaro do que André Mendonça. Mas falta Pacheco nessa arquitetura toda…” – Coluna do EstadãoO Estado de S. Paulo, 13-09-2021.

 

Caminho das pedras

“Tudo indica que os processos capazes de tornar Bolsonaro inelegível ou mesmo resultar na cassação da sua chapa com o general Hamilton Mourão terão pouco futuro. A solução traumática, se vier, virá pelo impedimento cuja tramitação se dá no Congresso. Ficam sobre as mesas os processos que envolvem filhos do capitão 00” – Elio Gaspari, jornalista – Folha de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Beira do abismo

“Na loucura trágica do país, uma verdade nos põe ao lado de Bolsonaro. Falta de governo, golpismo, aumento da pobreza, corrupção, pandemia, violência: estamos todos na beira do abismo” – Janio de Freitas, jornalista – Folha de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Marco temporal, segundo Bolsonaro

“Temos um problema pela frente que tem que ser resolvido. O Supremo volta a discutir uma data diferente daquela fixada há pouco tempo, conhecida como marco temporal. Se a proposta do ministro Fachin vingar, teremos que… Ou melhor, será proposto a demarcação de novas áreas indígenas que equivale a uma região Sudeste toda. Ou seja, é o fim do agronegócio, simplesmente isso, nada mais do que isso” – Jair Bolsonaro, presidente da República – Folha de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Rota sem retorno rumo ao autoritarismo

“Jair Bolsonaro ultrapassou todos os limites de possibilidade de convivência institucional e democrática. Mostrou que a maioria da sociedade brasileira não lhe interessa —dedica-se exclusivamente ao núcleo duro de seguidores fanatizados, que não é pequeno. Ele pode encher vários quarteirões da avenida Paulista, mas isso não é suficiente para elegê-lo. Adotou uma rota sem retorno rumo ao autoritarismo” – Sérgio Abranches, sociólogo – Folha de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Bolsonaro como Trump

“Nos discursos do 7 de Setembro, reforçou que não aceita outro resultado das urnas que não a vitória, como Trump fez nos EUA. Ele trabalha por um golpe híbrido, misturando o padrão mais frequente no século 21, de desmonte por dentro das instituições democráticas usando as próprias regras da democracia, ao padrão clássico de golpe militar, que é o seu modelo mental de intervenção “restauradora” na política” – Sérgio Abranches, sociólogo – Folha de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Golpe não interessa ao centrão

“Um golpe, todavia, não interessa ao centrão. Bolsonaro, com todo o poder concentrado em suas mãos, não precisaria dos políticos. Passaria a distribuir as benesses do poder e os cargos a seu círculo de lealdades e aos militares que o apoiam” – Sérgio Abranches, sociólogo – Folha de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Bolsonaro, parte de um fenômeno novo no Brasil e no mundo

“Bolsonaro faz parte de um fenômeno novo no Brasil e no mundo, associado a Donald Trump e ao Brexit, de total descompromisso com os fatos, uma “pós-verdade” que não se coaduna com a política normal. Ambiguidades são próprias da política normal, mas ela tem compromisso com fatos, diferente de Bolsonaro. No 7 de Setembro, ele diz que defende a liberdade e a Constituição, quando, de fato, defende golpe contra a Constituição, democracia e liberdade. E as pessoas que vão à rua estão envolvidas por esse ambiente no qual não há nexo com a realidade. Não entenderemos Bolsonaro se não o colocarmos no fenômeno que chamo de autocratismo de viés fascista – não fascista no sentido histórico, mas com elementos fascistas. Essa ambiência ideológica em que se puxa pessoas a uma crença sem conexão com fatos foi própria do fascismo, em que havia elementos delirantes. Por isso, não acho que devemos interpretar a nota como recuo. É uma tática diversionista, que confunde a sociedade, as forças políticas e atrapalha uma ação que precisa ser clara. As idas e vindas de Bolsonaro fazem propositalmente tudo parecer uma brincadeira. O fascismo e o nazismo agiam assim” – André Singer, cientista político – O Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Lulismo e petismo são coisas distintas

“O lulismo voltou com força. As pesquisas estão mostrando que ele está canalizando a insatisfação com o governo Bolsonaro e que a sua base entre eleitores de menor renda concentrada no Nordeste se refez. No entanto, falta muito para uma campanha que não sabemos como vai acontecer, porque está misturada com este processo que quer melar as eleições. Guardadas essas ressalvas, hoje Lula é imbatível e pode inclusive ganhar no primeiro turno. Mas lulismo e petismo são coisas distintas. A associação entre Lula e o PT existe e o partido tende a ser beneficiado, mas não na proporção exata da força que a liderança de Lula tem”. – André Singer, cientista político – O Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Ultraconservadora, autoritária e machista

“Das 125 mil pessoas que, segundo a PM, estavam na Paulista, no mínimo metade não se encaixa no perfil mais radical do bolsonarismo. O grupo que é mais diretamente defensor do presidente tem uma característica ultraconservadora, autoritária e machista” - José Álvaro Moisés, cientista político, coordenador do grupo de pesquisas sobre a qualidade da democracia do Instituto de Ensinos Avançados (IEA) da USP – O Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

4% do eleitorado é ultraconservador

“Essa avaliação é respaldada por uma pesquisa inédita do Instituto Locomotiva feita por telefone com 2.600 pessoas de 71 cidades do País. Os dados, obtidos com exclusividade pelo Estadão, apontam que 4% do eleitorado brasileiro – o que equivale a 6,5 milhões de pessoas – defendem ideias classificadas como ultraconservadoras” - José Álvaro Moisés, cientista político, coordenador do grupo de pesquisas sobre a qualidade da democracia do Instituto de Ensinos Avançados (IEA) da USP – O Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

6,5 milhões de brasileiros defendem posições dos Taleban

“Esse grupo representa o centro do negacionismo conservador. Existem 6,5 milhões de brasileiros que defendem as principais posições dos Taleban no Afeganistão: o Estado não deve ser laico, as mulheres não devem ter protagonismo e o uso de armas deve ser difundido. Esse perfil certamente esteve nas ruas no dia 7 de Setembro” - Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva e fundador do Datapopular – O Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Ultraconservadores

“Dentro do universo bolsonarista, os ultraconservadores representam 5%. Não tinha na Paulista um caminhão de som machista dizendo que lugar de mulher é na cozinha. Defendemos os valores patrióticos: Deus, pátria, família e liberdade” - Flávio Beal, vice-presidente do PTB de São Paulo, o administrador de empresas que também foi tucano, mas acabou foi expulso do PSDB em 2018, estava entre os organizadores da manifestação na Avenida Paulista, dizendo-se ‘decepcionado’ com o recuo de Bolsonaro – O Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

‘Genialidade política do mito’

““Sensacional! Ele criou uma greve de caminhoneiros para derrubar o próprio governo”, ironizou Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI. Bolsonaro acreditava que o movimento era contra o ministro Alexandre de Moraes e ele não tinha nada a ver com isso, mas o professor Michel Temer ensinou: “Eu já passei por isso, presidente. Essa greve vai cair diretamente no seu colo”. E, como me contou, lembrou do desabastecimento, do aumento de preços, da queda do PIB e do mau humor da população. Bolsonaro teve de fazer “meia volta, volver” para apagar os incêndios que ele próprio cria. Daí a nota de moderação, ponte com Alexandre de Moraes e vídeo para os caminheiros. Ninguém acreditou na moderação nem na ponte, mas o tragicômico foi os caminhoneiros não acreditarem no vídeo! Bem, se o presidente é investigado no STF por fake news... Só continuam acreditando em tudo os que se agarram à “genialidade política do mito”, como ovelhas que correm atrás da onça” – Eliane Cantanhêde, jornalista – O Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

PT e o ato ‘horizontal’ com centro-direita

“Líderes da sociedade civil articulam manifestação futura que seja capaz de unir PT e partidos da centro-direita no mesmo metro quadrado das ruas e avenidas do País. A ideia é de uma organização horizontal e coletiva (sem lideranças políticas como a do MBL, por exemplo), com ares de frente ampla e Diretas Já. Setores da Igreja Católica e da advocacia levarão adiante a empreitada. O PT não deverá ter representantes nos caminhões de som dos atos deste domingo, 12, contra Bolsonaro. Para os petistas, a sigla MBL não desce nem com sal de fruta” – Coluna do EstadãoO Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Brecha

“Os atos mostram que poucos acreditam no “recuo” de Jair Bolsonaro. Afinal, fez parte da estratégia do Planalto alardear que a carta do presidente estendendo a mão a Alexandre Moraes foi elaborada só por Michel Temer. Se fosse do próprio punho de Bolsonaro, seria sincera e, consequentemente, ganharia mais peso. Mas, com Temer no papel de ghost writer, fica mais fácil dizer aos bolsonaristas que tudo não passou de uma manobra tática” – Coluna do Estadão O Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Paz

“Michel Temer, por óbvio, também gostou. O papel de “pacificador” o mantém vivo no jogo pré-eleitoral rumo a 2022” – Coluna do EstadãoO Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

 

Análise

“Diante da união que será vista neste domingo, o fiel da balança será a ausência do PT, ainda a força com maior capilaridade da esquerda. O PT compreende que Bolsonaro é o adversário preferido de Lula, mas tem de levar em conta que as crises colocam em risco o processo eleitoral”, diz o cientista político Creomar de Souza” – Coluna do EstadãoO Estado de S. Paulo, 12-09-2021.

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