EUA e Vaticano podem trabalhar juntos na distribuição de vacinas, propõe bispo

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27 Abril 2021

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se prepara para nomear seu novo embaixador junto à Santa Sé, especialistas políticos incentivam o próximo embaixador vaticano a trabalhar em estreita colaboração com o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano.

A reportagem é de Christopher White, publicada por National Catholic Reporter, 26-04-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O bispo de San Diego, Robert McElroy, que foi recentemente nomeado pelo Papa Francisco como um dos cinco membros da comissão estadunidense para esse escritório vaticano, disse concordar “absolutamente” com esse conselho e acredita que uma área inicial e significativa de colaboração potencial seria a distribuição de vacinas.

A distribuição equitativa da vacina anti-Covid-19 tem sido uma “enorme preocupação” por parte do dicastério, observou ele, que está trabalhando com as comunidades científica e médica para garantir que o acesso à vacina não se limite às nações ricas.

“Esse é um ponto que o nosso país tem que enfrentar”, disse ele ao NCR. “Será que vamos nos tornar acumuladores de vacinas? Ou seremos como o bom samaritano na Fratelli tutti, que vai ao encontro e realmente tenta até mesmo se sacrificar?”

“Não pretendo que os nossos sistemas fiquem sem vacinas”, acrescentou. “Falo isso apenas em termos de iniciativa, de gastar alguns recursos para ajudar a garantir que a ciência e a tecnologia médica que trouxe as vacinas para o nosso próprio povo se movam com a mesma rapidez, entusiasmo e energia para levar vacinas para as pessoas do mundo, para o bem-estar delas e o nosso. Se eu aprendi alguma coisa nesta pandemia é que essas questões são globais.”

“Isso é algo em que um embaixador realmente poderia ser útil, porque o governo é isso”, encorajou McElroy. “Isso poderia nos ajudar a energizar a nossa política com muito mais vigor e muito antes, espera-se, se esse tipo de debate e diplomacia com justiça em seu cerne estivessem na raiz de tudo.”

Riqueza de iniciativas

A distribuição de vacinas é apenas uma das muitas preocupações que dizem respeito ao dicastério, cujas competências incluem as áreas de migração, combate ao tráfico humano, promoção da paz e da segurança econômica, e a luta contra as mudanças climáticas.

Em sua encíclica Laudato si’, sobre o cuidado da casa comum, de 2015, Francisco escreve sobre essas preocupações e conclui: “Tudo está interligado”. Essa encíclica serve agora como modelo para o dicastério vaticano encarregado de promover o desenvolvimento integral.

“O dicastério tem uma tapeçaria muito rica e ampla de iniciativas”, disse McElroy, observando que ele esteve envolvido em várias das suas iniciativas nos últimos anos, especificamente em questões relacionadas à migração e questões de guerra e paz.

Em 2016, Francisco anunciou a formação do novo dicastério, que reunia quatro escritórios diferentes: os Pontifícios Conselhos Justiça e Paz, para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, para a Pastoral dos Trabalhadores da Saúde e para o Desenvolvimento Humano e Cristão, conhecido como Cor Unum.

O novo escritório, sob a bandeira do desenvolvimento humano integral, é liderado pelo cardeal ganense Peter Turkson.

“Não é um nome autoevidente para um dicastério”, disse McElroy, “mas foi propositalmente escolhido porque realmente enfatiza que não se trata simplesmente de um elemento dos direitos humanos, ou do bem-estar humano, ou do futuro do mundo e da criação. Não pode ser um único elemento.”

“Todos eles precisam ser assumidos juntos, e você não pode progredir no front econômico sem respeitar o front ambiental”, disse ele. “Eles estão todos relacionados.”

Desenvolvimento integral encarnado no Sínodo Amazônico

McElroy apontou para o Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica, de outubro de 2020, do qual ele foi um participante, como um exemplo de que o fato de ver a interconexão das questões oferece um modelo para a Igreja avançar na abordagem das questões multifacetadas diante da Igreja e do mundo.

“Ele assumiu essa região e os bispos da região, alguns outros bispos de todo o mundo, mas também leigas, religiosas, padre e diáconos, que se reuniram e se focaram nessa noção integral e naquilo que é necessário para o desenvolvimento humano integral na Amazônia”, lembrou McElroy.

Ele observou que os efeitos das mudanças climáticas na Amazônia e na sua biodiversidade são de “importância monumental para todo o futuro global”, e que uma realização do Sínodo foi primeiro ouvir a Igreja local e entender o que já estava sendo feito na região e só então determinar que tipo de resposta era necessária para a Igreja global.

“Não tem que ser apenas holístico. Tem que ser cheio de fé e tem que envolver uma noção de conversão”, disse McElroy. “Não é simplesmente uma questão política a ser resolvida ou um conjunto de questões políticas, não importa quão importantes sejam as questões políticas. Trata-se, antes, de trabalhar para ter um senso de equilíbrio, no qual todas as pessoas sejam levadas em consideração, assim como as várias questões, mas a partir de uma visão fundamentalmente integrada da humanidade.”

Ele disse que participou de uma videoconferência no início deste mês com a hierarquia da Igreja brasileira e com membros leigos que estavam “pressionando” os líderes políticos dos Estados Unidos e do Congresso brasileiro para mostrar “como é importante enfrentar as mudanças climáticas e a injustiça econômica para os povos indígenas, devido à destruição cultural que está ocorrendo lá”.

O mais significativo, observou McElroy, foi que a discussão “não era simplesmente sobre uma política isolada”, mas se tratava de uma abordagem integrada que oferecia uma “dignidade humana plena, especialmente para os povos indígenas e para as regiões da Amazônia”.

Líderes da Igreja dos EUA precisam combater os negacionistas

Como um dos apenas três bispos dos EUA que participaram do Sínodo da Amazônia, McElroy disse ao NCR que foi animador ver como as lideranças católicas de todo o mundo veem o combate às mudanças climáticas como uma prioridade urgente.

No entanto, nos EUA, a resposta geral da Igreja às mudanças climáticas tem sido criticada por não ter o zelo necessário para combater as suas principais ameaças. McElroy disse que gostaria que a Igreja dos EUA estivesse mais disposta a “falar a verdade sobre as mudanças climáticas”.

“Seria muito importante para a Igreja em todos os níveis nos EUA começar a deixar claro para onde a verdade da ciência aponta”, disse ele, observando que é hora de lutar contra os negacionistas climáticos. “A indústria extrativa confiou em uma falsa pseudociência nos EUA, da mesma forma que se fez com o tabaco.”

Francisco é amplamente considerado um líder mundial em questões relacionadas ao ambiente, e McElroy disse que os bispos dos EUA devem seguir a liderança do papa e do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, que colocaram a questão na frente e no centro da Igreja Católica.

“Seria útil que a Conferência [dos bispos dos EUA] atribuísse um lugar muito mais proeminente ao cuidado da criação em suas estruturas e comissões”, disse ele.

No entanto, McElroy disse que enfrentar as mudanças climáticas não é algo que ocorre exclusivamente nas estruturas hierárquicas da Igreja, mas também junto com os jovens, muitos dos quais já reconhecem as ameaças existenciais que as mudanças climáticas representam para o planeta.

A Igreja, disse McElroy, deve “ajudar os pais a verem isso através dos olhos dos seus filhos”.

“Não só porque esse é o prisma que pode tocar o coração dos pais, mas também porque é o prisma que revela que isso tem a ver realmente com as próximas gerações, e é um elemento incrivelmente poderoso de como será o mundo delas, um mundo que podemos ajudar a moldar agora.”

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