“Francisco é caluniado como nenhum grupo progressista caluniou João Paulo II”, afirma o historiador Juan Mari Laboa

Foto: Vatican Media

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29 Março 2021

 

“É muito forte que, em um século, uma parte do catolicismo espanhol tenha se indisposto com quatro papas”. O padre e historiador Juan Mari Laboa destrincha em seu último livro “Integrismo e intolerancia en la Iglesia” as chaves da ruptura da direita eclesiástica com o modelo de Concílio Vaticano II.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 29-03-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Em entrevista à Alfa y Omega, Laboa defende que “há pecados comuns, claro, mas as rupturas eclesiásticas, os cismas, são muito mais frequentes na direita que na esquerda”. Um exemplo claro é “dom Marcel Lefebvre, que protagonizou o único cisma desde o Concílio Vaticano II. Os mais progressistas podem ser muito críticos, mas são mais difíceis de causar um cisma”, afirma Laboa.

O historiador acrescenta: “não se verá na história da Igreja ataque a um Papa como em alguns sites da Espanha atual”.

“É difícil aceitar que seus promotores sejam templários do cristianismo. Parece-me aceitável que se critique o Papa, mas dizer que é herege passa dos limites. Francisco é caluniado como nenhum grupo progressista caluniou João Paulo II. É difícil admitir que se possa ser fiel e lançar ataques de tal magnitude ao Papa”, expressa Laboa.

“É necessário levar em conta a existência de uma intolerância espanhola, que os fundamentalistas espanhóis não aceitaram Leão XIII, inicialmente relutaram em relação a João XXIII, não aceitaram Paulo VI e não aceitaram Francisco”, destaca o historiador, que conclui que “é muito forte que, em um século, uma parte muito importante do catolicismo espanhol tenha se indisposto com quatro papas. Nem sempre são motivos evangélicos”.

 

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