As prioridades papais foram refletidas em reunião com a secretária do Tesouro dos EUA, dizem participantes

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20 Março 2021

Um dia típico para a secretária do Tesouro Janet Yellen inclui reuniões sem parar com presidentes, ministros da economia e líderes das companhias mais ricas. No último dia 16 de março, ela acrescentou à sua agenda encontrar com líderes religiosos. Acredita-se que foi a primeira vez que a chefia do Tesouro dos EUA reuniu-se com uma delegação de líderes religiosos. Os participantes católicos relataram que o encontro refletiu muitas das prioridades do Papa Francisco.

A reportagem é de Christopher White, publicada por National Catholic Reporter, 18-03-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Nós abrimos e fechamos o encontro com oração e, em algum grau, com intensa reflexão teológica”, disse Eric LeCompte, diretor-executivo da Jubilee USA Network, que organizou o encontro. “E Yellen escutou atentamente os líderes religiosos”.

Entre as orações, a agenda incluiu discussão sobre respostas à covid-19, mudança climática e o alívio da dívida de Porto Rico, entre amplas iniciativas políticas com o objetivo de proteger os vulneráveis e responder à desigualdade.

LeCompte disse ao NCR que a Jubilee USA, uma organização inter-religiosa que defende o alívio da dívida para os países em desenvolvimento, realizou uma reunião com a equipe de transição da administração Biden em 24 de novembro, que foi seguida por uma carta enviada por LeCompte e pelo bispo David Malloy, presidente do Comitê dos Bispos dos EUA para a Justiça e Paz Internacional.

A carta, enviada a Biden e Yellen, pedia à nova administração para:

  • Suspender o pagamento da dívida sem juros, como parte do processo de redução da dívida dos países do G-20;
  • Estender o processo para além dos 77 países mais pobres do mundo para incluir países em desenvolvimento de renda média;
  • Liderar os esforços para comprometer o Congresso, o Fundo Monetário Internacional e o G-20 na entrega de 1 trilhão de dólares para países em desenvolvimento por meio de Direitos Especiais de Saque que permitem o acesso a fundos de reserva de emergência.

LeCompte disse que o momento da reunião é essencial, pois deve ocorrer antes das decisões do G-20 e do Fundo Monetário Internacional, que saem no mês que vem, sobre muitas das questões apresentadas pela delegação da Jubilee USA Network.

Além de LeCompte, Malloy e o arcebispo Roberto Gonzalez Nieves de San Juan, Porto Rico, se juntaram à delegação, que incluía líderes das Igrejas Metodista, Luterana, Presbiteriana, Igreja Unida de Cristo, União para o Judaísmo Reformado e a Sociedade Bíblica Evangélica de Porto Rico. Yellen, a primeira mulher a chefiar o Tesouro dos EUA, é judia.

“Esses são os líderes civis que estão realmente lidando com grande parte da resposta doméstica e global à crise”, disse LeCompte, que elogiou os funcionários do Tesouro por priorizarem a reunião e reconhecerem a contribuição dos líderes religiosos.

Uma nota oficial do Departamento do Tesouro destacou o compromisso com o combate à desigualdade global, o que inclui apoio geral à suspensão da dívida para que os países de baixa renda enfrentem os efeitos da covid-19 e alcancem a estabilidade econômica.

A declaração também sinalizou apoio ao impulso da delegação para o acesso a fundos de emergência, observando que eles fazem parte do “pacote mais amplo de assistência aos países de baixa renda”.

Além disso, a nota observava que Yellen “enfatizou que os pobres globais são os menos responsáveis pelas mudanças climáticas, mas sofrerão mais com isso”, o que LeCompte também mencionou, dizendo ao NCR que a ordem executiva de Biden sobre o clima “instrui o Tesouro a promover políticas que protejam o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas”.

LeCompte disse que os temas do encontro - e suas próprias discussões - refletem muitas das prioridades do Papa Francisco e que ele foi mencionado em várias ocasiões durante o tempo que passaram juntos.

“Os papas Bento XVI e João Paulo II sempre foram fortes no ensino social”, disse LeCompte, “mas o que o Papa Francisco fez foi levantar análises mais técnicas tanto do clima quanto da crise financeira”.

LeCompte atribui isso à própria experiência de Francisco de ser o “principal líder cívico” em seu país natal, a Argentina, que liderou o país durante uma das maiores crises financeiras do século passado.

“Ele tem um entendimento astuto de dívidas, empréstimos, mercado de títulos e processo de falência”, observou.

O arcebispo de Porto Rico, Gonzalez, disse ao NCR que estava satisfeito com o fato de Yellen ser sensível às necessidades da ilha enquanto ela se recupera de dois furacões e uma série de terremotos em curso.

Enquanto cerca de 4 bilhões de dólares de ajuda humanitária estão a caminho, Gonzalez diz que os fundos “devem ser usados de maneira adequada e para o que se destinam”.

Disse também que, à medida que a questão do alívio da dívida é abordada, continua existindo uma necessidade crítica de os credores “cortarem uma quantia suficiente da dívida para possibilitar um impulso à economia”.

“Se errarmos, os credores tentarão arrecadar mais dinheiro do que acreditamos ser devido a eles”, observou. “O Tesouro precisa ser uma voz importante em nome da sustentabilidade da dívida de Porto Rico e fazer uma análise de sustentabilidade da dívida que leve em consideração as crianças”. Na ilha, observou ele, 60% das crianças vivem na pobreza.

Yellen “parece ter a capacidade de ouvir e dialogar, e isso é importante para qualquer pessoa que esteja em uma posição de liderança, seja no governo ou na vida da igreja”, observou Gonzalez.

Quanto ao que vem a seguir, ele disse que “como principal conselheira do presidente, espero que ela traga essas questões à atenção dele, ao Gabinete e depois ao Congresso”.

LeCompte concordou, dizendo que a cúpula de 16 de março “estabeleceu um padrão e definiu a direção, mas as reuniões mais importantes estão por vir”.

 

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