Pode o papa Francisco visitar o Iraque em segurança – mesmo com uma vacina da covid?

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11 Dezembro 2020

As notícias que o Papa propõe uma visita em março de 2021 para as comunidades cristãs ameaçadas no Iraque trouxeram alegria para as pessoas de Qaraqosh, uma cidade predominantemente católica no norte da província de Nínive, no Iraque.

A reportagem é de Kevin Clarke, publicada por America, 10-12-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Yohanna Towaya, um professor universitário e residente em Qaraqosh, espera que quando o papa Francisco vier a Nínive, todos os cristãos da cidade e o entorno de suas vilas possam certamente participar das missas públicas ou outros eventos agendados. “Ele nos dá a esperança de ficar, e sua visita também significa que a Igreja Católica não esquece do seu povo no Oriente”.

Milhares de famílias cristãs fugiram para o Curdistão-Iraquiano quando Qaraqosh foi invadida por militantes do Daesh em 2014. Depois de anos em acampamentos e abrigos improvisados no norte do Iraque-Curdistão, cristãos iraquianos começaram a retornar para a cidade e vilarejos ancestrais algumas semanas depois de militantes do Daesh terem sidos expulsos pelos exércitos iraquiano e estadunidense, a milícia xiita e as forças curdas em 2017.

Embora uma visita do Papa sem dúvidas trará força psicológica e espiritual aos cristãos de Nínive, sob as atuais condições da pandemia se prevê que as autoridades locais de saúde pública a pausem. “As pessoas irão vê-lo mesmo se ainda houver o coronavírus”, assegurou Towaya. “Eles não se importam com isso; eles não ficarão em casa; eles receberão o Papa”.

As autoridades da Organização Mundial de Saúde e a Sala de Imprensa da Santa Sé não responderam às questões sobre como a visita do Papa e os eventos públicos poderiam ser conduzidos em segurança, mas as atuais diretrizes da OMS urgem “que todos os países com transmissão comunitária devem seriamente considerar adiar ou reduzir encontros massivos que reúnam pessoas e tenham o potencial de amplificar o contágio”.

Embora as taxas de covid-19 no Iraque estejam em declínio desde outubro, há uma média acima de 2 mil novos casos por dia nos meses de novembro e dezembro. Mais que 571 mil casos de covid-19 foram relatos no Iraque desde fevereiro, e mais de 12,5 mil iraquianos morreram.

Embora os anúncios de descobertas de vacinas tenham sido feitos, as nações mais ricas como os Estados Unidos e o Reino Unido fazem fila para reservar milhões de doses de vacinas, a Organização Mundial da Saúde prevê que a distribuição generalizada de uma vacina para o coronavírus não começará até meados de 2021, muito depois das datas atualmente propostas para a visita do Papa ao Iraque. O programa da OMS para acelerar o desenvolvimento e distribuição de uma vacina acessível contra o coronavírus enfrentou um déficit de 28 bilhões de dólares em dezembro.

A Santa Sé anunciou em 7 de dezembro que o papa Francisco pretende encerrar a suspensão de 15 meses das viagens internacionais, cumprindo um desejo de longa data de visitar o Iraque. Sua viagem apostólica está planejada de 5 a 8 de março do próximo ano, e acredita-se que o Papa provavelmente já tenha recebido uma vacina contra o coronavírus.

De acordo com o Vaticano, o Papa visitará Bagdá, a planície sul de Ur – considerada o local de nascimento de Abraão – assim como Mosul, Qaraqosh em Nínive e Erbil no Iraque-Curdistão. Cristãos e outras minorias religiosas sofreram muito nessas comunidades nas mãos de militantes do Daesh e têm lutado contra poderosas forças econômicas e políticas para se restabelecerem. A comunidade caldeia, siríaca e cristã ortodoxa do Iraque foi reduzida de aproximadamente 1,5 milhão antes da invasão dos EUA em 2003 para uma população remanescente de aproximadamente 150 mil a 250 mil hoje.

A visita proposta pelo Papa foi calorosamente recebida pelo arcebispo caldeu de Erbil Bashar Warda, que disse no Twitter: “Agradeço ao Papa por sua corajosa decisão de visitar o Iraque em março. Sempre foi sua missão ir para as margens e os marginalizados: seu importante rebanho aqui não é esquecido. O Papa virá espalhando o Evangelho da paz, boa vontade e reconciliação para todos no Iraque”.

Towaya está confiante de que o Papa estará seguro durante o que certamente será, para seus encarregados da segurança, uma visita apostólica cheia de ansiedade. Em Bagdá, diz Towaya, o Papa pode contar com a segurança do exército iraquiano e com o contato público limitado. Em Nínive, em meio a uma comunidade cristã que luta para se restaurar, ele está confiante de que a visita pode ser realizada sem incidentes.

De acordo com Towaya, com a restauração de casas, negócios e igrejas, a vida voltou ao normal em Qaraqosh. “Sem bombas”, ele diz alegremente.

Ele explica que os cristãos agora se sentem seguros o suficiente para visitar Mosul até tarde da noite, antes uma perspectiva proibitiva, embora ele acredite que apenas cerca de 20 famílias cristãs voltaram às casas na cidade, que haviam sido apreendidas pelo Daesh em junho de 2014. Ele comparou a situação de segurança atual à de muito antes do ataque do Daesh e mesmo antes da tensão e violência que se seguiram após a invasão dos EUA, precipitando a queda da nação ao caos. “É como antes de 2003”, diz ele.

Ele também diminuiu a ameaça invisível do coronavírus, apontando que seu impacto em Qaraqosh parece ter diminuído nas últimas semanas, com a tendência de redução do número de casos e apenas algumas mortes na comunidade por causa do Covid-19.

As pessoas vivem normalmente aqui agora, disse Towaya. As restrições foram levantadas e as igrejas ficam lotadas durante a missa. Embora a maioria dos residentes use máscaras dentro de casa e dentro das igrejas, quando ao ar livre eles vivem normalmente. “A vida é como antes da covid”, diz ele. “Todas as Igrejas estão abertas; iniciaram-se todas as atividades. Não temos restrições sobre nada”.

Observando que os cristãos de Nínive já enfrentaram o Daesh, milícias xiitas, deslocamento e conflitos sangrentos, ele não pode imaginar que a ameaça da covid-19 os impedirá de celebrar a visita do papa Francisco.

“Eles verão o Papa; o Papa lhes dará uma nova esperança para ficar. Todos estão esperando por este dia”, afirma. “Isso é algo para os cristãos também, dizerem: ‘Estamos aqui; nós vamos ficar; não vamos partir’. Essa é a mensagem que os cristãos querem dar ao mundo”.

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