Será que Francisco ainda pretende ir ao Iraque?

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09 Janeiro 2020

Amanhã o esperado discurso ao Corpo Diplomático. Retoques até o último minuto.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por Huffington Post, 08-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Era 10 de junho de 2019, sete meses atrás, quando o Papa anunciou que gostaria de ir ao Iraque em 2020 (em uma audiência à Roaco).

Não foi apenas a expressão de um desejo (como em relação à China), mas de um verdadeiro e primeiro anúncio, feito após anos de paciente trabalho diplomático, intensificado após a instalação (abril de 2019) do novo embaixador iraquiano no Santa Sé, a senhora Amal Mussa Hussain Al-Rubaye.

Em 14 de junho, quatro dias após o anúncio de Francisco, o presidente iraquiano Barham Salih recebeu o cardeal Sako, patriarca da Babilônia dos Caldeus e presidente dos bispos católicos do Iraque, em seu gabinete em Bagdá, no contexto de uma visita de viés caloroso e cordial. Comentando a intenção do Papa de visitar o país em 2020, Salih falou de um "evento histórico". Ele também lembrou as numerosas intervenções do Papa no passado em favor da "paz e da estabilidade" no país e da "segurança para todos os cidadãos".

Afinal, foi justamente Salih quem convidou Francisco para seu país, entregando o convite em dezembro de 2018 nas mãos do Secretário de Estado, com quem tinha se reunido por vários dias em Bagdá, de modo que o Papa também pudesse ir à cidade de Ur, local de nascimento do patriarca das três religiões monoteístas, Abraão.

Naturalmente que a Sako, em julho de 2019, disse que a viagem de Francisco, que era projetada para a primavera de 2020 (também devido às condições climáticas, de fato, depois de março as temperaturas são muito elevadas), poderia ser realizada se as condições de segurança assim o permitissem.

Seis meses atrás (julho) também foi anunciado que o cardeal Parolin teria que fazer uma viagem preparatória àquela de Francisco (no início de 2020).

Mas agora - depois do ataque americano que matou o general Soleimani - a situação mudou radicalmente, nem é preciso dizer.

Enquanto os iranianos lançaram mísseis contra as bases americanas e mobilizaram mais de US $ 200 milhões para financiar as atividades no exterior dos esquadrões até agora liderados por Soleimani, que deveriam ser operacionais em dois meses, isto é, na Páscoa.

Nesse ponto, é preciso nos perguntarmos se a viagem de Francisco ao Iraque será cancelada. Ou se – a despeito de tudo - haverá uma reviravolta clamorosa no Oriente Médio graças a Francisco?

De fato, sabe-se que a Igreja Católica fez do diálogo com o Irã uma das pedras angulares de sua política no Oriente Médio a partir de 2016, ou seja, após a visita do presidente iraniano Rohani ao Vaticano. Mas agora ela parece encurralada pela ofensiva iraniana e pelas decisões do presidente estadunidense Donald Trump (cuja relação com Francisco é radical e publicamente alternativa em muitas questões e agora mais do que nunca).

Certamente, portanto, nunca como nessas horas o discurso que o Papa Francisco fará ao corpo diplomático na manhã da quinta-feira (que este ano já foi antecipado em relação à data tradicional da segunda-feira seguinte à festa da Epifania) estará no centro do olhar do mundo.

Um discurso que receberá retoques até o último minuto e que foi revisado após a trágica aceleração dos acontecimentos do Ano Novo no Iraque.

No entanto, a posição de ter feito do Irã o pivô da política do Oriente Médio, embora tragicamente colocada “às cordas”, poderia paradoxalmente se transformar em seu oposto. Tanto que para o decano dos vaticanistas estadunidenses John Allen (diretor do site Crux e comentarista da CNN) - próximo das posições inclusive críticas dos católicos estadunidenses em relação a Francisco - o Vaticano do Papa Bergoglio poderia se transformar - na atual crise entre os EUA e o Irã - em uma nova "Suíça" (isto é, o país que garante um diálogo à distância entre os EUA e Irã, que há quarenta anos não mantém mais relações diplomáticas, através de sua embaixada em Teerã).

 

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