Dioceses alemãs fazem cortes maciços no número de paróquias, apesar das objeções do Vaticano

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20 Julho 2020

As dioceses alemãs estão avançando com cortes maciços no número de paróquias, apesar das objeções do Vaticano.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Novena News, 17-07-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Stephan Burger, o arcebispo da Diocese de Friburgo, no sudoeste da Alemanha, tornou-se o mais recente líder da Igreja alemã a confirmar os planos de seguir em frente com as reestruturações paroquiais, quando anunciou, no dia 14 de julho, que deseja dar continuidade ao projeto conhecido como “Desenvolvimento da Igreja 2030”.

No centro desse projeto está o plano de transformar as atuais 1.000 paróquias de Friburgo em 40 megaparóquias até 2025.

Embora os críticos tenham objetado que as novas paróquias planejadas são muito grandes e, assim, põem em risco a presença da Igreja localmente, Burger disse na terça-feira que não há como evitar o novo modelo da terceira maior diocese da Alemanha, com seus 1,8 milhão de católicos e quase 1.000 padres.

O arcebispo Burger descreveu o projeto “Desenvolvimento da Igreja 2030” como uma “resposta adequada aos desafios que a nossa arquidiocese enfrenta”, que, segundo ele, incluem a diminuição no número de fiéis e de padres, e na renda arquidiocesana, mas também a forma futura da pastoral, a prática da vida religiosa e a transmissão da fé.

Consequentemente – e como resposta aos desafios da evangelização e da missão no futuro – uma parte essencial do plano de reestruturação de Friburgo é uma diminuição da ênfase nas paróquias em si mesmas em favor de novos centros da vida católica, mais fortemente orientados a grupos-alvo: por exemplo, centros especialmente projetados para famílias ou idosos.

O projeto “Desenvolvimento da Igreja 2030” está atualmente em fase de consulta, com respostas de congregações e outros grupos eclesiais, assim como de padres e de outras lideranças católicas locais, que se reunirão em um congresso pastoral na diocese, que estava originalmente programado para 2021, mas foi adiado um ano devido à pandemia do coronavírus.

Outra diocese alemã, que está seguindo um caminho semelhante ao de Friburgo, é a de Trier, a mais antiga da Alemanha, onde o bispo Stephan Ackermann, atuando sob o mandato de um sínodo diocesano de leigos e clérigos de 2013 a 2016, tentou reduzir o número de paróquias da diocese de 887 para 35.

O plano original de Ackermann – que agora está sendo revisto – foi atingido no mês passado por um veto vaticano, que protestou contra “o papel do pároco na equipe de liderança da paróquia, o serviço dos outros padres, a concepção dos órgãos paroquiais, o tamanho das futuras paróquias e a velocidade de implementação”, como admitiu a diocese.

Um ponto-chave das críticas ao plano de reestruturação de Trier, que foram feitas pela Congregação para o Clero e pelo Pontifício Conselho para os Textos Legislativos do Vaticano, é que o projeto imaginava padres e leigos em pé de igualdade como lideranças paroquiais, algo, segundo Roma, não previsto pela lei da Igreja.

O arcebispo Burger, de Friburgo, diz que seu plano evitará essas objeções vaticanas ao plano de Trier, ao deixar um pároco à frente das novas paróquias locais.

No entanto, o arcebispo de Friburgo está encorajando expressamente novos conceitos de liderança e o aumento da cooperação de voluntários leigos, elementos que podem resultar em maior liberdade para a Igreja, disse ele.

Outras dioceses alemãs que atualmente contemplam mudanças no número e na organização de suas paróquias incluem as de Würzburg – onde 600 paróquias estão prestes a se tornar cerca de 40 “áreas pastorais” maiores – e de Mainz, onde as 134 paróquias existentes em breve vão se transformar em apenas 50.

O Vaticano continuará se opondo a essa onda de fusões paroquiais planejadas? Pelo menos os organizadores do projeto “Desenvolvimento da Igreja 2030” em Friburgo estão resistindo a essa possibilidade, argumentando, a partir do Direito Canônico da Igreja, que “é ‘somente o bispo diocesano’ quem pode estabelecer, abolir ou mudar paróquias; desde que o devido processo seja respeitado”.

“Apesar da suspensão atual da implementação das decisões da Assembleia Sinodal de Trier, acreditamos que nem a Congregação para o Clero nem o Pontifício Conselho para os Textos Legislativos restringirão esse direito fundamental do bispo de exercer seu ministério pastoral”, reivindicaram os organizadores da reestruturação de Friburgo.

 

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