Bispos alemães prometem ‘mudanças ousadas’ para estancar hemorragia de fiéis

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30 Junho 2020

Os bispos alemães estão prometendo “mudanças ousadas” na Igreja para estancar a hemorragia de católicos. 272.771 pessoas deixaram a Igreja em 2019: Conferência Episcopal da Alemanha.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Novena News, 26-06-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Os números oficiais publicados em 26 de junho pela Conferência Episcopal da Alemanha – DBK, na sigla em alemão, revelam que um total de 272.771 pessoas deixaram a Igreja Católica em 2019, um aumento em relação às 216.078 pessoas que saíram em 2018.

Estes números significam que a quantidade total de católicos no país, no final de 2019, ficou em 22.6 milhões (ou 27,2% da população), abaixo dos 23 milhões (ou 27,7% da população), em 2018.

Os números apresentados pelos bispos alemães revelam más notícias para a vida da Igreja. O número de católicos que frequentam regularmente as missas caiu para o seu nível mais baixo: 9,1% em 2019, em comparação com os 9,3% de 2018. Os números de casamentos (-10%), confirmações (-7%) e primeiras comunhões (-3%) também diminuíram ano passado.

Não só isso, mas também o número de batismos católicos igualmente diminuiu em 2019 para 159.043 em 2019, em comparação com os 167.787 de 2018, o mesmo com as admissões (2.330 em 2019, em comparação com as 2.442 admissões de 2018) e readmissões (5.339 em 2019, em comparação com as 6.303 de 2018) à Igreja.

A Igreja Católica não está sozinha diante desse êxodo massivo de fiéis, pois a Igreja Evangélica na Alemanha, organismo que representa vinte grupos protestantes, também registrou um declínio no número de filiados: de 21.14 milhões, em 2018, para 20.7 milhões, em 2019, uma queda de 440 mil fiéis.

O que pensam os bispos: “Não motivamos mais um grande número de pessoas para a vida eclesial”.

Em nota acompanhando a divulgação dos números da DBK, os o presidente da Conferência Episcopal alemã, Dom Georg Bätzing, da Diocese de Limburg, admitiu que ele não poderia simplesmente “encobrir” a perda massiva de católicos refletida nas estatísticas, mas que se viu forçado a notar o “declínio na recepção dos sacramentos” e o “processo de erosão dos laços religiosos pessoais”.

“É claro que os declínios se devem também a questões demográficas, mas eles igualmente mostram, antes de mais nada, o fato de que, apesar das nossas ações pastorais e sociais concretas, nós não mais motivamos um grande número de pessoas para a vida eclesial, Bätzing admitiu.

“Considero particularmente oneroso o número altíssimo de pessoas que deixam a Igreja”, reconheceu o religioso alemão.

“Lamentamos toda e qualquer saída de membros da Igreja e convidamos cada um que saiu ou que deseja sair a conversar com a gente”, enfatizou Bätzing, antes de sublinhar que “o número de pessoas que deixam a Igreja mostra que o afastamento entre os membros católicos e uma vida de fé na comunidade católica tornou-se ainda maior”.

A necessidade de responder melhor aos “sinais dos tempos”

Quanto ao que está motivando o êxodo massivo na Igreja e de como deter a onda de retiradas, Bätzing explicou que, embora muitos na sociedade alemã ainda mostrem um apreço pelo trabalho social da Igreja, não há dúvida de que a Igreja está tendo sucesso na comunicação do Evangelho “em uma linguagem que ainda é compreendida” pelas pessoas.

Adaptar o anúncio da Boa Nova ao mundo moderno “não é uma questão (...) de correr atrás do espírito dos tempos, mas sim a questão honesta de se reconhecemos os ‘sinais dos tempos’, como diz o Concílio Vaticano II, e os interpretamos à luz do Evangelho”, continuou o presidente da DBK.

Reconhecer e adaptar-se aos sinais dos tempos “às vezes requer mudanças ousadas em nossas fileiras”, afirmou Bätzing.

“É por isso que no ano passado pusemos em marcha um caminho sinodal da Igreja na Alemanha para perguntar o que Deus quer de nós, hoje, neste mundo”, continuou o prelado, referindo-se ao processo de reforma, com duração de dois anos, que leigos, padres, bispos e especialistas alemães estão realizando e com o qual visam debater possíveis mudanças na doutrina e na prática católicas relativas ao celibato sacerdotal, a ministérios da mulher, à autoridade, poder e moralidade sexual.

Os números recentemente divulgados serão levados para as discussões do Caminho Sinodal, prometeu Bätzing, com o objetivo de melhor entender “como a evangelização pode acontecer sob estes sinais concretos dos tempos” presentes na Alemanha.

“Precisamos de novas formas de cooperação entre padres e leigos”.

Como um exemplo concreto das “mudanças ousadas” que a Igreja alemã poderia experimentar para estancar a hemorragia de fiéis, Bätzing notou que a tendência “dolorosa” de queda no número de padres “deve (...) ser um indicativo de que, em algumas áreas da vida eclesial, nós continuamos como antes”.

“Precisamos de novas formas de cooperação entre padres e leigos”, insistiu o presidente da DBK. Mas, principalmente, a receita de Bätzing para deter o declínio no número de católicos alemães é aquela que os bispos do país vêm repetindo há algum tempo e que, na verdade, serviu de justificativa para iniciar o Caminho Sinodal em 2019, na esteira das acusações dolorosas de abuso sexual, que prejudicaram a credibilidade da Igreja.

“Depois de uma perda significativa da credibilidade, devemos tentar reconquistar a confiança”, enfatizou Bätzing.

“Honestidade e transparência, as respostas úteis da Igreja às perguntas dos nossos tempos e alguns processos de mudança devem ajudar-nos a mostrar o que se encontra, e o que é, o centro da nossa religiosidade – o dom de Deus que dá significado às nossas vidas através da fé”, prometeu o presidente da Conferência Episcopal da Alemanha.

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