Índia. Autoridades católicas ‘ignoram normas papais sobre abusos sexuais’

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01 Julho 2020

Lideranças leigas católicas da Índia acusam as autoridades eclesiásticas de estarem ignorando as instruções papais sobre como deveriam lidar com casos de abuso sexual, na tentativa de proteger um bispo que enfrenta acusações de homicídio, de ser mulherengo e de corrupção.

A reportagem é de Saji Thomas, jornalista freelancer que vive na cidade indiana de Bhopal, escreve sobre as violações de questões religiosas e sociais e trabalhou de repórter para os jornais Times of India, Daily News & Analysis (DNA), Free Press, Central Chronicle e National Mai, publicada por UCA News, 30-06-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Chhotebhai e Melwyn Fernandes pediram ao núncio apostólico para a Índia, Dom Giambattista Diquattro, a agir contra Dom Kannikadass Antony William, da Diocese de Mysore, no estado de Karnataka.

Chhotebhai é a principal liderança do Fórum Católico Indiano e assessor da Reforma Internacional da Igreja Católica. [1] Fernandes é o secretário-geral da Associação de Católicos Inquietos, fórum composto por leigos na Índia.

Aproximadamente 37 padres pediram, um ano atrás, a remoção de Dom Kannikadass do cargo que ocupa. Os padres o acusam de corrupção financeira, de ter filhos e de manter relações sexuais com várias mulheres.

Os padres também apresentaram queixa junto a autoridades eclesiásticas, incluindo o Cardeal Oswald Gracias, um dos sete assessores especiais do Papa Francisco e presidente da Conferência Episcopal da Índia.

Essas acusações chegaram às manchetes nacionais no começo deste mês depois que Michael F. Saldanha, ex-juiz da Suprema Corte católica, alegou que Dom Kannikadass era igualmente o responsável pela morte de quatro padres, dois dos quais foram assassinados.

Saldanha afirmou ter investigado, de forma independente, as acusações contra o bispo. Dom Kannikadass, de 55 anos, negou as acusações e disse, à UCA News, que estava sendo alvo por causa das medidas de reforma, introduzidas por ele, na diocese depois que assumiu o cargo em 2017. Entre as reformas, estaria a transferência de vários padres que ocupavam cargos importantes.

No entanto, Chhotebhai, em carta aberta datada de 24 de junho, Dom Giambattista disse que a hierarquia católica vinha ignorando a carta apostólica do Papa Francisco Vos Estis Lux Mundi na medida em que não tomam as medidas necessárias contra o bispo acusado.

Instruções papais ignoradas

A carta apostólica, que entrou em vigor em 06-05-2019, lida com casos de abuso sexual cometidos pelo clero, o que inclui “forçar alguém, com violência, ameaça ou abuso de autoridade, a realizar ou sofrer atos sexuais”, observou Chhotebhai.

De acordo com a carta apostólica, sob forma de motu proprio do Sumo Pontífice, qualquer um pode enviar uma notificação de abuso sexual através do núncio, representante pontifício.

Essa notificação deve incluir o maior número possível de informações, como indicações de hora e local, disse Chhotebhai, citando o documento papal.

Chhotebhai recorreu ao núncio para que “aja imediatamente na questão e remova” Dom Kannikadass do cargo.

Chhotebhai mostrou o desejo de iniciar uma investigação canônica, com a presença de leigos competentes, ativistas dos direitos das mulheres, especialistas em direito penal e finanças, conforme previsto na carta papal “antes que mais danos irreparáveis sejam provocados à Igreja Católica na Índia”.

Na carta de 24 de junho ao núncio, Fernandez também procurou encetar uma ação contra Dom Kannikadass. Nela, ele expressou o desejo de que o núncio aja, no prazo de duas semanas, e ameaçou acionar o governo federal caso a autoridade vaticana no país não cumpra o seu dever dentro do tempo estabelecido.

“Essa situação não pode continuar indefinidamente. Deve haver um fim”, disse Fernandes à UCA News em 26 de junho, observando que Dom Giambattista, o Cardeal Gracias e outras autoridades eclesiásticas haviam ignorado várias de suas queixas anteriores.

O Pe. Nigel Barrett, porta-voz do Cardeal Gracias, contou, ao sítio eletrônico UCA News, que o cardeal “não tem jurisdição para iniciar qualquer ação contra o bispo”.

“Visto que a maioria das acusações contra Dom Kannikadass é de natureza criminal, cabe à polícia e ao Estado lidar com elas”, explicou. Além disso, “estas queixas já estão com a nunciatura, que é a autoridade competente para lidar com esse tema. O cardeal não pode ser responsabilizado por alguma inação”, concluiu o porta-voz.

Chhotebhai falou que as autoridades eclesiásticas, na Índia, estão cientes das queixas, “mas nós não temos nenhuma informação do que estão fazendo”.

“A justiça não só deve ser feita, mas deve ser vista sendo feita”, afirmou ele ao UCA News em 28 de junho.

 

Nota:

[1] Ou “Catholic Church Reform International”. Rede mundial de organizações católicas e indivíduos comprometidos com uma reforma profunda na Igreja.

 

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