Zollner adverte que os bispos que “pensam que a tempestade dos abusos passará sem causar-lhes danos” estão enganados

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08 Março 2019

O jesuíta e psicólogo Hans Zollner e membro da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores disse nesta quarta-feira que a questão dos abusos sexuais dentro da Igreja “apenas está começando” e que somente uma ação decidida, coordenada e forte de todos os membros da Igreja pode ajudar a combater esses crimes.

A reportagem é de Laura Daniele, publicada por ABC, 06-03-2019. A tradução é de André Langer.

Durante uma conferência na Aula Magna da Pontifícia Universidade de Comillas, o também presidente do Centre for Child Protection (CCP) da Pontifícia Universidade Gregoriana disse que não se pode dizer que “aqui não existem casos”, porque é uma “afirmação falsa e errada”. “Muda a procedência dos casos que chegam ao Vaticano, mas continuam chegando. Chegam menos dos Estados Unidos, mas estão aumentando os casos que vêm da Itália. Nós não estamos acabando com esta questão, estamos apenas começando”, alertou.

Nos últimos anos, Zollner visitou 60 países para falar sobre a Igreja e a proteção de menores. Em suas palestras, o jesuíta enfatiza a necessidade de dar prioridade às vítimas, ouvi-las e atendê-las adequadamente, além de fazer-lhes justiça. “Empatia e proximidade. Esse é o rosto que as vítimas buscam e não encontram na Igreja. É muito triste dizer isso, mas as pessoas não encontram essa misericórdia daqueles que proclamam o Evangelho. Temos que mudar de atitude”, disse.

Pelo contrário, Zollner assegurou que, diante dos abusos, encontra nos membros da Igreja “uma incompreensível falta de vontade de se comprometer de coração”. “A palavra que nos falta é coração. A Igreja deve ser um exemplo de compaixão, empatia e caridade, mas comunica-se o oposto. Uma atitude defensiva, incapaz de conviver com aqueles que sofreram”, assinalou.

Zollner advertiu que essa atitude leva ao erro. “Muitos bispos pensam que a tempestade passará e que não serão afetados pelos danos, mas isso não é verdade”, eles estão enganados.

O jesuíta, que fez parte da comissão que organizou o encontro “A proteção de menores na Igreja”, que aconteceu de 21 a 24 de fevereiro, no Vaticano, também observou que deseja ver “sinais de mudança” da Igreja em relação aos abusos, porque, do contrário, a “desconfiança na liderança dos bispos, cardeais e do próprio Papa” continuará aumentando.

A conferência, realizada na Aula Magna da Universidade, contou com a presença de dom Juan Antonio Menéndez, bispo de Astorga e presidente da Comissão Jurídica criada pela Conferência Episcopal Espanhola para atualizar os protocolos contra os abusos sexuais.

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