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24 Junho 2020

"Congar, como especialista, mesmo sendo visto com suspeita pelos conservadores, realizou inúmeras intervenções nos grupos e nos bastidores dos trabalhos conciliares. Foi responsável por muitos impulsos importantes, por exemplo, na constituição Gaudium et spes, relativa à Igreja no mundo contemporâneo, e no decreto relativo à liberdade religiosa. A ele também é creditado o mérito por ter revivido o antigo conceito de 'colegialidade dos bispos'", escreve Alexander Brüggemann, em artigo publicado por Settimana News, 23-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Há 25 anos, em 22 de junho de 1995, morria em Paris, com a idade de 91 anos, o teólogo dominicano, Yves Congar. Estudioso refinado, autor de uma grande quantidade de obras, altamente estimado por João XXIII e Paulo VI, mas olhado com desconfiança pela ala conservadora de teólogos, ele deu uma contribuição decisiva para o trabalho do Concílio Vaticano II. Durante sua longa vida, ele passou por muitas provações, tanto de parte da autoridade eclesiástica quanto de teólogos conservadores e, por fim, de uma doença debilitante que ele soube suportar com "ativa paciência".

Alexander Brüggemann, no perfil feito para o katholìsch.de, de 22 de junho, comemorando o aniversário de sua morte, o define um dos teólogos mais importantes do século XX. Certamente ele foi uma das figuras mais animadas e dinâmicas da assembleia conciliar. O próprio Paulo VI declarou que o pensamento desse teólogo dominicano exercia uma grande influência sobre ele e sobre o concílio.

Os problemas centrais de sua teologia foram a concepção da Igreja como communio (comunhão de crentes) e povo de Deus em caminho no tempo, a reforma da Igreja e o diálogo ecumênico.

Na teologia francesa do séc. XX, ele foi considerado, juntamente com seu professor e coirmão Marie Dominique Chenu, e com os jesuítas Henri de Lubac (1896-1991 e Jean Chenu (1895-1990), um pioneiro dos "padres operários" (1895-1990). Esses nomes aparecem entre os expoentes da Nouvelle Théologie, que se desenvolveu entre as décadas de 1930 e 1950; teologia que colocava criticamente em discussão aquela escolástica tradicional e o marxismo, explorando a relação entre historicidade e verdade.

A superação da divisão da Igreja

Congar nasceu em 8 de abril de 1904, em Sedan, no leste da França. Desde a infância, viveu em contato com protestantes e não-cristãos. Após os primeiros estudos teológicos em Paris, durante o serviço militar na Alemanha, em Mainz, ocupada pelos franceses, decidiu ingressar na ordem dominicana.

Desde os primeiros tempos, após a ordenação sacerdotal, realizada em 1929, ele exerceu intensa atividade como professor e escritor e, desde 1931, como professor de dogmática na Escola Superior de Teologia Dominicana Le Sauchoir. Seu foco principal foi superar a divisão da Igreja. Em 1934, ele convidou o teólogo evangélico reformado Karl Barth para um ciclo de conversas.

Sua primeira grande obra foi Cristãos desunidos, publicado em 1937, considerado um marco do ecumenismo inicial.

Sua atividade teológica foi drasticamente interrompida pela Segunda Guerra Mundial. Ele passou quase cinco anos como prisioneiro de guerra na Alemanha. Somente depois ele pôde se dedicar novamente a seus temas: o movimento litúrgico, o diálogo com os protestantes e a questão dos padres operários. Isso levou a outra profunda ruptura em sua vida em 1954. Quando a autoridade eclesiástica interveio contra os "católicos de esquerda" franceses ao proibir os padres operários, Congar – assim como outros dominicanos – foi considerado suspeito de "modernismo" e foi proibido de ensinar e escrever.

Ele passou seu "exílio" em Jerusalém e como bibliotecário em Cambridge.

Pensador de ideias inovadoras, considerou esse período de provação como um exercício de "paciência ativa". Em vez de se sentir ofendido e se aposentar, ele passou os anos estudando. Isso deu frutos no Concílio. O Papa João XXIII (1958–1963), em 1960, convocou-o com Henri de Lubac para participar da comissão preparatória, um gesto que foi considerado uma reabilitação semioficial.

Durante o Concílio, Congar, como especialista, mesmo sendo visto com suspeita pelos conservadores, realizou inúmeras intervenções nos grupos e nos bastidores dos trabalhos conciliares. Foi responsável por muitos impulsos importantes, por exemplo, na constituição Gaudium et spes, relativa à Igreja no mundo contemporâneo, e no decreto relativo à liberdade religiosa. A ele também é creditado o mérito por ter revivido o antigo conceito de "colegialidade dos bispos".

Por esse motivo também, Congar - apesar de seu bom relacionamento pessoal com o papa Montini - não escondeu seu desapontamento com a encenação do encerramento do Concílio e com os gestos de Paulo VI, pois disse: “Só o papa estava lá. Ele estava no trono como um soberano. Tudo se referia a ele. Parecia estar menos na Igreja do que acima dela.

O terceiro contratempo

Justamente quando o momento de Congar parecia ter chegado, o destino o atingiu pela terceira vez, com uma doença insidiosa na coluna. Ele logo ficou obrigado a usar uma cadeira de rodas. Ao contrário de outros pioneiros do Concílio, não ficou muito impressionado com as correntes políticas na Igreja dos anos sucessivos; ele também ficou aberto à teologia da libertação, bem como aos novos movimentos espirituais. Seus Diários são fontes importantes para a história da teologia do século XX.

Vários anos de doença se passaram com uma atividade em declínio progressivo, até que o Papa João Paulo II, no outono de 1994, conferiu a seu brilhante parceiro de diálogo nos dias do Concílio a dignidade de cardeal - foi um reconhecimento tardio e o último passo de sua reabilitação.

Não podendo ir a Roma, recebeu as insígnias cardinalícias no leito de sua doença. Como oficial e veterano, Congar passou os últimos anos de sua vida em uma residência para os inválidos do exército em Paris.

 

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