Apocalipse. Não é “o fim do mundo”: para o ateu Giorello, é a libertação dos poderosos

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23 Junho 2020

"E é por isso que o Apocalipse se torna uma "palavra libertadora", baseando-se na constatação de Paulo: "Agora vemos de maneira confusa, como num espelho". "Mas essa confusão - conclui o filósofo - com o juízo final, se dissolverá". Onde quer que ele esteja, Giorello já resolveu o enigma do Apocalipse".

O comentário é de Fabrizio D'Esposito, publicado por Il Fatto Quotidiano, 22-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o comentário.

Apocalipse. Uma das palavras mais abusadas nessa emergência pandêmica. Acenada, por exemplo, por todos os opositores de várias tendências do governo Conte, temendo um outono italiano de total miséria, tumultos nas ruas e executivos salvíficos de unidade nacional.

libri della Bibbia. Apocalisse. Letto da Giulio Giorello

Ou, com uma interpretação mais literal do texto bíblico, o Apocalipse é acenado pela direita clerical que teme a destruição da Igreja por causa da misericórdia do Papa Francisco, considerado da mesma laia do Anticristo. E o coronavírus poderia ser um dos sete selos do fim dos tempos, rompido por Deus como punição e advertência pelos "pecados" do aborto, "sodomia", casamento homoafetivo, teoria de gênero.

Mas o Apocalipse não é nada disso e isso é explicado pelo pequeno ensaio que Giulio Giorello escreveu pouco antes de sua morte, em 15 de junho passado, devido às consequências da Covid-19. I libri della Bibbia. Apocalisse. Letto da Giulio Giorello (Os livros da Bíblia. Apocalipse. Lido por Giulio Giorello, em tradução livre, Piemme, 79 p., 12,90 €) é, de fato, a última publicação do filósofo milanês, uma das mentes mais agudas, curiosas e sem barreiras da Itália.

Não é por acaso que o Apocalipse é o livro conclusivo da Bíblia: narra sobre a segunda (e definitiva) vinda de Cristo. Baseia-se na visão que João Evangelista teve, como discípulo predileto de Jesus, por volta de 95 depois de Cristo em Patmos. O céu é governado por Deus no trono, cercado por "vinte e quatro anciãos vestidos de branco com coroas de ouro sobre a cabeça". O filósofo observa: "Além disso, a palavra grega Apocalipse não significa literalmente 'fim do mundo' - aliás, fim do antigo mundo: 'a antiga ordem já passou' (21, 4) - mas 'Revelação'. Se o Cântico dos Cânticos é o mais sublime entre os cânticos, o Apocalipse é então a Revelação das Revelações”.

Mesmo como ateu e herdeiro do "ceticismo iluminista", Giorello não quer reduzir a "fogo fátuo" o "fascínio do Apocalipse". O nó fascinante é, portanto, o da segunda vinda de Cristo. Ele continua: "E quem entre nós 'não ficaria feliz em encontrar Jesus Cristo novamente?'. Estas últimas não são palavras do visionário de Patmos, mas dos homens que no século XVII lutaram sob a liderança de Oliver Cromwell para criar sua 'república dos santos' contra um rei, uma Igreja (e às vezes um parlamento) corrompidos pelo demônio e postos a serviço da iniquidade”. Até Isaac Newton, "um dos pais da ciência moderna", ficou obcecado pelo tema.

Examinadas todas as metáforas laicas e até socialistas sobre a queda da "grande Babilônia", "a prostituta com quem os poderosos fornicaram", Giorello adere à convicção de Jean Guitton, que disse: "Se existe um texto sagrado ainda atual (...), esse texto é o Apocalipse". Para ambos, um texto "profético e poético", a ser lido sem a "injunção autoritária" construída sobre o medo e a intimidação.

E é por isso que o Apocalipse se torna uma "palavra libertadora", baseando-se na constatação de Paulo: "Agora vemos de maneira confusa, como num espelho". "Mas essa confusão - conclui o filósofo - com o juízo final, se dissolverá". Onde quer que ele esteja, Giorello já resolveu o enigma do Apocalipse.

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