“Francisco me inspirará em meu papel de bispo”, afirma ex-secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas

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14 Abril 2020

No mesmo dia em que o Papa Francisco foi eleito em 2013, o secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) estava reunido com colegas discutindo como “desenvolver uma forma de totalidade em nosso trabalho ecumênico”, quando ofereceu o exemplo de Francisco de Assis.

A reportagem é de Christopher White, publicada por Crux, 13-04-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele é “um modelo do que estamos falando sobre a perspectiva da fé, a perspectiva missionária, a relação com a natureza e com o chamado de Deus aos pobres e às pessoas de outras fés”, lembrou Olav Fykse Tveit. “Usemos São Francisco como um modelo de como Deus nos chama à justiça e à paz.”

Horas depois, quando o novo papa apareceu na sacada de São Pedro, assumindo o nome de Francisco de Assis, Tveit considerou isso como um sinal providencial de que os dois seriam grandes colaboradores na obra do ecumenismo cristão.

Agora, enquanto Tveit, que lidera o CMI desde janeiro de 2010 e no mês passado terminou 10 anos no cargo de secretário geral, relembra seu trabalho, ele disse ao Crux que uma das coisas de que mais se orgulha é o “ecumenismo prático” buscado em conjunto com o Papa Francisco.

O CMI foi fundado em 1948 para reunir várias Igrejas cristãs para “buscar a unidade visível em uma única fé e uma única comunhão eucarística”. O projeto nasceu a partir de várias iniciativas após a Primeira Guerra Mundial e depois se enraizou após a Segunda Guerra Mundial, estabelecendo sua sede em Genebra, Suíça.

Na sua fundação, o CMI incluía membros de 147 Igrejas, principalmente da Europa e da América do Norte. Hoje, seu número de membros quase duplicou, incluindo 348 Igrejas membros de mais de 110 países em seis continentes, representando 560 milhões de cristãos.

Embora a Igreja Católica nunca tenha feito parte do CMI, ela tem uma representação permanente na sua Comissão de Fé e Ordem, e, em junho de 2018, o Papa Francisco viajou a Genebra para marcar o 70º aniversário de fundação do CMI.

Logo depois de chegar ao seu cargo, Tveit teve uma audiência com o Papa Bento XVI, na qual ele disse que as relações entre o CMI e o Vaticano eram “muito boas”. Ele se lembra de se dar bem com Bento, que se relacionava com ele de teólogo para teólogo, dado o trabalho de Tveit como estudioso luterano.

Os dois desfrutaram de longas conversas, lembrou Tveit, mas ele também percebeu que havia um “potencial não utilizado” e que, após a eleição do Papa Francisco, surgiu um esforço mais proativo entre os dois órgãos com um foco em iniciativas práticas definidas pelo mantra “façamos juntos o que podemos fazer juntos”.

Essa foi a “mensagem muito clara de Francisco desde o início”, disse Tveit, que observou que, embora os estudos e a teologia sejam fundamentais, “não podemos separar a teologia do trabalho pela paz, pelo cuidado pela criação de Deus, pela situação dos pobres e dos migrantes”.

“Deve ser uma diaconia”, continuou Tveit, inspirando-se na palavra grega que significa serviço ou ajuda aos necessitados.

Esta, disse Tveit, é a principal inovação entre o CMI e o Vaticano durante o pontificado de Francisco, isto é, uma compreensão do ecumenismo como diaconia, de “serviço ao mundo”.

Quando Francisco viajou para Genebra em 2018, o tema foi “caminhar, trabalhar e rezar juntos”. Tveit disse que isso deveria oferecer um “motivo de peregrinação” para a ocasião.

Como peregrinos, o ecumenismo, tanto para o CMI quanto para a Igreja Católica, disse Tveit, deve se orientar para o serviço. Em particular, ele diz que uma área importante de serviço e colaboração compartilhados está no âmbito da ecologia.

“Não estamos aqui para dominar. Estamos aqui para ser peregrinos juntos, e acho que isso realmente mostrou o seu efeito quando falamos sobre como lidar com a criação de Deus.”

Ele diz que a encíclica Laudato si’, do Papa Francisco, de 2015, que exige novas ações para cuidar do ambiente, resume o que o CMI vem trabalhando nos últimos 40 anos.

Tveit também aponta para a defesa dos migrantes e para a resistência às crescentes marés do nacionalismo nos últimos anos como um exemplo de serviço conjunto. Tudo isso, argumentou ele, tem sido alimentado por um entendimento renovado de que “o ecumenismo se volta para o propósito da missão de Deus no mundo”.

Ele cita o lembrete do Papa Francisco de que as duas entidades não podem “esquecer que estamos juntos em missão”.

Essa missão comum, disse Tveit, “não é para nós mesmos, mas para compartilhar o Evangelho” – e esse entendimento “tornou-se muito mais forte nos últimos anos”.

Quando Francisco viajou para Genebra, alguns especularam que seria parcialmente um esforço para aproximar a Igreja Católica dos membros do CMI.

Tveit, no entanto, diz que nunca houve nenhuma discussão sobre essa possibilidade com Francisco, e que os dois órgãos provavelmente funcionam melhor agora.

Para começar, ele observa que o número de membros da Igreja Católica é mais do que o dobro do número total de membros das Igrejas do CMI somadas e que poderia sobrecarregar o CMI. Além disso, como o Vaticano também é um Estado soberano, Tveit especula que isso poderia apresentar desafios quando o CMI quisesse comentar sobre uma situação política específica.

“Isso realmente funcionaria?”, pondera ele em voz alta. “Eu não tenho certeza. Eu não acho que devamos buscar isso agora. Eu acho que é muito mais importante buscar o que podemos fazer juntos com a estrutura que temos.”

Depois de uma década liderando o CMI, Tveit retornou agora à sua terra natal, a Noruega, onde foi eleito chefe da Conferência dos Bispos da Igreja da Noruega, afiliada à Federação Luterana Mundial.

Devido à pandemia da Covid-19, ele não pôde viajar para Roma no início de março para uma visita de despedida agendada com Francisco, mas está confiante de que o trabalho que os dois fizeram juntos continuará.

Para começar, ele diz que Francisco “me inspirará em meu papel como bispo”. Além disso, porém, ele se orgulha de saber que o trabalho do ecumenismo foi um “passo à frente” e “não uma manifestação da nossa divisão”.

“Essa foi uma afirmação para mim de que compartilhamos aquilo que é básico da nossa crença em Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado”, disse Tveit. “É disso que se trata, não das instituições. O nosso chamado a seguir a Cristo é o que está nos guiando.”

 

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