‘Família Inaciana’ pede por justiça à comunidade LGBTQ em evento na capital americana

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26 Novembro 2019

Em evento que reuniu mais de 2 mil alunos, professores e ministros de escolas, faculdades e paróquias jesuítas na região metropolitana de Washington, DC, durante o final de semana, o tema da justiça à comunidade LGBTQ ocupou lugar central.

Emma Menchaca-Chavez e Regi Worles, alunos e presidentes da Ignatian Conference deste ano, contaram, no encontro da Ignatian Family Teach-In for Justice – IFTJ, que a prática da justiça exige que vejamos e amemos uns aos outros integralmente. Essa ideia, segundo eles, é radical porque vivemos em um mundo que ensinou que ver os que fogem aos padrões estabelecidos são menores, não merecedores de serem vistos e amados. Para combater o problema, Menchaca-Chavez e Worles disseram que precisamos de um amor renovado, íntegro, que requer um verdadeiro engajamento para a reconstrução de uma comunidade significativa e interseccional com os demais.

A reportagem é de Kevin Molloy, publicada por New Ways Ministry, 22-11-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Para isso, o padre jesuíta James Martin falou às centenas de participantes sobre a sua caminha pessoal de construção de relações com os membros da comunidade LGBTQ e sobre como a Igreja pode construir esta comunidade significativa juntamente com a família LGBTQ.

Martin lembrou os jovens reunidos de que os católicos LGBTQs são membros plenos da Igreja, membros maravilhosamente feitos por Deus e imbuídos de dons e talentos que dão em contribuição como membros do Corpo de Cristo. Embora muitas vezes sejam tratados como leprosos pela Igreja, os fiéis LGBTQs há tempos conhecem Deus assim como qualquer outro cristão conhece. Da mesma forma como Deus ama eles, também a Igreja deveria amar.

Este amor que a Igreja deveria compartilhar com a comunidade queer é aquele amor integral do qual falaram Menchaca-Chavez e Worles – não um amor superficial, tolerante, mas um amor que imita o amor carinhoso de Jesus pelos que se encontram às margens. Este amor celebra os irmãos e as irmãs queers, sofre quando eles sofrem e fica do lado deles como membro de uma mesma família.

Martin encerrou com um pedido aos católicos pró-vida. Disse: “Eu sou pró-vida. Eu vos convido a serem pró-vida por inteiro. Isso inclui ser pró-vida a favor dos irmãos e irmãs LGBTs porque é isso o que Jesus faria. E se não estamos tentando ser como Jesus, então o que estamos fazendo?”

Duas oficinas trabalharam a problemática LGBTQ na educação católica.

Irmã Jeannine Gramick e Robert Shine, do New Ways Ministry, coordenaram uma oficina que buscava ajudar a comunidade escolar e universitária católica desenvolver diretrizes e programas mais justos para alunos, professores e funcionários LGBTQs.

Jeannine notou que normas justas para pessoas LGBTQs estão em harmonia com o ensino católico. Infelizmente, muitas vezes as pessoas desafiam o valor destas normas com base na ética sexual da Igreja. Segundo Jeannine e Shine, o foco sobre a ética sexual é incompleto. Em vez disso, os ensinamentos católicos mais fundamentais sobre a dignidade humana, a igualdade e o bem comum é que deveriam dirigir as nossas políticas nos níveis institucionais.

Jack Raslowsky, diretor da Escola Secundária Xavier, em Nova York, coordenou um diálogo sobre como criar escolas de ensino médio acolhedoras. Os alunos que participaram na atividade falaram das diferentes realidades em que vivem. Alguns alunos, disseram, têm escolas inclusivas. Mas outras instituições católicas têm sido restritivas, com uma cultura do silêncio sobre questões LGBTQs. Raslowsky enfatizou a importância do agir após cada um voltar para a sua realidade, mesmo que seja através de atos isolados.

Se adotassem a ideia de respeito pela dignidade da pessoa humana e defendessem o bem comum, as escolas ensinariam que a discriminação é incompatível com o ensino católico. Na elaboração de diretrizes baseadas nestes ensinamentos católicos fundamentais, podemos, como fez Jesus, restaurar a totalidade da comunidade de pessoas que foram, nas palavras de Menchaca-Chavez e Worles, “estraçalhadas pela violência e pelo ódio”.

Como observaram Martin, Gramick, Shine, Raslowsky e outros, para os jovens a inclusão LGBTQ é algo já aceito como dado. Ficou claro no evento da IFTJ que os jovens não estão lutando somente por uma mera inclusão na Igreja. Eles já incluem os colegas LGBTQs. Eles já reconhecem a totalidade da família queer. Os jovens estão com sede de justiça. Não é um problema particular, isolado, mas um componente inseparável da justiça integral que a família inaciana herda de Jesus, dos seus fundadores e dos seus mártires.

Nós, a Igreja, já estamos começando a ver a ação profética a partir dos jovens, desafiando a forma como tratamos as pessoas LGBTQs e todos os marginalizados. Os demais entre nós ficarão com a decisão de ou segui-los no amor a todos – integralmente – como faria Jesus, ou rejeitar a esperança radical destes jovens (e, por extensão, de Jesus) e continuar a apagar, silenciar, invisibilizar e excluir os irmãs e irmãs LGBTQs por nossa conta e risco.

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