Príncipe Charles e Bolsonaro: as duas faces da “diplomacia” dos santos

O Príncipe Charles, apertando a mão do Papa, agradece reiteradamente o "grande sucesso" na sua "batalha pelo clima" (Foto: YouTube)

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15 Outubro 2019

Nada menos do que cinco novos santos foram proclamados nesse domingo pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro. Mas foram sobre dois deles que se jogou uma dupla “partida” diplomática do Vaticano de considerável importância.

A nota é de Fabrizio D’Esposito, publicada em Il Fatto Quotidiano, 14-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A primeira diz respeito ao cardeal britânico John Henry Newman (1801-1890), que levou à Itália o príncipe Charles da Inglaterra, herdeiro de um trono que representa também a cúpula mais alta da Igreja Anglicana.

Teólogo e filósofo que explorou a relação entre fé e razão (e por isso muito amado por Bento XVI), além de ser considerado como um dos “Padres ausentes” do Concílio Vaticano II, Newman foi um anglicano que se converteu ao catolicismo.

E, no sábado, o L’Osservatore Romano, o jornal da Santa Sé, apresentou na primeira página uma longa intervenção do príncipe Charles, assinado como “Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales”.

O Príncipe Charles, apertando a mão do Papa, agradece reiteradamente o "grande sucesso" na sua "batalha pelo clima"

Escreve o filho da rainha Elizabeth II: “Quando o Papa Francisco, neste domingo, canonizar o cardeal John Henry Newman, primeiro britânico há mais de 40 anos a ser proclamado santo, será motivo de festa não só no Reino Unido e não apenas para os católicos, mas também para todos aqueles que trazem no coração os valores que o inspiraram”.

E ainda: “Na imagem da harmonia divina, que Newman expressou de maneira tão eloquente, podemos ver que, no fundo, quando seguimos com sinceridade e coragem os diferentes caminhos pelos quais a consciência nos chama, todas as nossas divisões podem levar a uma maior compreensão, e todos os nossos caminhos podem encontrar uma casa comum”. Uma mensagem, sem dúvida, de grande unidade.

A segunda “partida”, decididamente menos positiva, foi consumada sobre a canonização da Ir. Dulce Lopes Pontes (1914-1992), conhecida em todo o Brasil como a “Mãe dos Pobres” e o “Anjo Bom da Bahia”. Ela também era chamada de “Irmã Dulce” e de “Madre Teresa brasileira”.

A proclamação da Ir. Dulce foi um evento em todo o Brasil, mas na Praça de São Pedro o presidente parafascista Jair Bolsonaro não apareceu, para evitar se encontrar com o Papa Bergoglio. Em seu lugar, o vice, um general, Hamilton Mourão.

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