Assis, encontros no 'Pátio de Francisco'. Imagens da Amazônia projetadas na fachada da Basílica de São Francisco de Assis

Foto: Rodrigo Soldon

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Setembro 2019

De 18 a 22 de setembro Assis recebe a quinta edição do "Pátio de Francisco" e o título escolhido para o evento é "In Contro [encontro]. Comunidades, povos, nações”. Personalidades da sociedade civil, do mundo da religião, da arte e do jornalismo discutirão sobre temas de economia, comunicação, meio ambiente e diálogo entre culturas e mundos diferentes.

A abertura é confiada ao diretor do Earth Institute da Columbia University, Jeffrey Sachs, com uma palestra sobre o futuro da economia internacional. Em seguida, haverá cerca de quarenta reuniões com mais de 70 palestrantes agrupados em quatro seções temáticas: Comunidades residentes e comunidades em trânsito; Conhecimento e formação; Economia global e Habitat.

Entre os eventos a serem assinalados estão o diálogo entre o economista Giovanni Tria e o diretor da Sole 24 Ore, Fabio Tamburini, intitulado "O governo da economia nacional no âmbito das relações europeias e internacionais", e o espetáculo teatral de Giancarlo Giannini, que recitará algumas passagens do Cântico das Criaturas, da Eneida e de Leopardi.

Entre os participantes também estão confirmados o presidente da Confindustria, Vincenzo Boccia, o filósofo Massimo Cacciari, o historiador Franco Cardini, o presidente da Mediaset, Fedele Confalonieri, o diretor da Rai, Fabrizio Salini, os economistas Carlo Cottarelli, Alan Friedman e Mario Monti , os jornalistas Pietrangelo Buttafuoco, Marco Damilano, Corrado Formigli, Federico Fubini, Massimo Giannini, Federico Rampini, o presidente da Fnsi, Giuseppe Giulietti, o artista Emilio Isgrò, fundador da Emergency Gino Strada, os escritores Eraldo Affinati, Paolo Rumiz e Marcello Veneziani e os constitucionalistas Sabino Cassese e Michele Ainis. Por fim, estão previstos vídeo e eventos artísticos, como a exposição de Mimmo Paladino e o concerto de Giovanni Allevi (para todas as informações acesse aqui).

A entrevista é de Marco Carminati, publicada por  Il Sole 24 Ore, 14-09-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

"Il Cortile di Francesco" será encerrado na noite de 22 de setembro com a espetacular projeção na fachada da Basílica Superior de São Francisco de Assis das imagens que o fotógrafo Sebastião Salgado dedicou à Amazônia. E a exibição será marcada por um diálogo entre o famoso fotógrafo e o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho da Cultura.

Pedimos ao cardeal Ravasi que explicasse o tema dessa edição do "Pátio de Francisco". "O tema dessa edição - declarou Ravasi - é superar na palavra ‘in contro’ aquele espaço, mas sem ignorá-lo. Somente o diálogo leva ‘as comunidades, os povos, as nações’ (como reza o subtítulo) a se moverem em um confronto recíproco: é o momento do ‘in’. Este, porém, não tem como objetivo a homologação indiferenciada e superficial ou uma mera convivência.

Também fundamental é aquele ‘contro’, que se reporta ao reconhecimento da diversidade, um conhecimento feito de respeito no quadro das comunidades internacionais".

Eis a entrevista.

Mas o conceito de comunidade internacional parece ter entrado em crise nos últimos anos. Como é possível recuperar a civilização do “in contro” e da proximidade?

Acredito que, em primeiro lugar - ressalta o cardeal -, recuperar a civilização é uma das tarefas fundamentais das religiões que devem lembrar a todos a nossa origem adâmica comum. Depois, é uma das tarefas fundamentais da cultura, que sempre deve incentivar a relação com o outro, mas também reconhecer e entender as diversidades.

A economia pode desempenhar um papel na aproximação dos povos?

Só pode fazê-lo se conseguir recuperar o seu verdadeiro significado. A etimologia da palavra ‘economia’ significa ‘a lei que governa a casa comum’. Ter invertido a primazia da economia em relação àquela das finanças criou danos sociais e lacerações gravíssimas.

Portanto, é necessário retornar à economia como ‘visão de conjunto’, a uma visão que eu chamaria de ‘filosófica’ da economia, como já sugeriu Amartya Sen.

Segundo Jeffrey Sachs, que neste ano abre o encontro do "Pátio de Francisco", os desequilíbrios são resultados da casualidade da natureza, dos efeitos do clima e da geografia dos lugares; e seria suficiente aumentar a ajuda dos países ricos para os mais pobres. Essa abordagem está correta?

Creio - conclui o cardeal Ravasi - que uma redistribuição correta dos bens seja uma modalidade justa de tornar mais sustentável a existência comum. Mas é muito importante criar a montante uma grande consciência cultural: todos vivemos em uma casa comum. No que diz respeito ao meio ambiente, por exemplo, essa consciência está se firmando, devo dizer também graças ao louvável empenho de Greta Thunberg. É necessário nos educarmos para essa visão: somos um ‘todo’ como um corpo humano e, se o pulmão desse corpo adoece (lembramos que chamamos a Amazônia de ‘pulmão do mundo’), não fica doente o rico ou o pobre, todo o corpo fica doente. Por isso, encerraremos essa edição do "Pátio de Francisco" admirando e comentando as imagens da Amazônia captadas pelo fotógrafo Sebastião Salgado. A nova educação também pode começar daqui.

Leia mais