O cisma de Kiev lacera a Ortodoxia

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25 Junho 2019

O brilho das cúpulas douradas das basílicas que, em Kiev, falam também aos mais distraídos de Cristianismo, nunca levaria a imaginar que elas, há alguns meses, são testemunhas mudas de um cisma, dentro da Ortodoxia, que vê dois patriarcas se contraporem. Aquele de Moscou, liderado por Kirill e aquele de Constantinopla, liderado por Bartolomeu. Uma situação que complica ainda mais, no plano político, as relações entre a Ucrânia e a Rússia.

O comentário é de Luigi Sandri, publicado por L'Adige, 24-06-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Depois de seguir o episódio em toda a sua incubação, cheguei às margens do rio Dnieper - o rio que corta a capital ucraniana antes de desembocar no mar Negro - para entender melhor a intrincada situação, que afunda suas raízes em um milênio de história. O Cristianismo aqui começou oficialmente em 988, quando o príncipe Vladimir de Kiev acolheu a nova fé, trazida por missionários de Constantinopla. Quando, em 1240, os mongóis invadiram a Rus' (o território de Kiev), seu metropolita, conservando o título, encontraria refúgio em várias cidades da Rússia e por fim se estabeleceria em Moscou, fundada há um século.

Em 1453 a antiga Bizâncio seria conquistada pelos turcos otomanos; portanto, o patriarcado bizantino ficaria enfraquecido, enquanto mais ao norte cresceria o poder político e militar de Moscou, cujo bispo desde 1589 se tornaria patriarca de todas as Rússias. Em 1686 Dionísio IV, chefe da Igreja de Constantinopla, encontrando-se em dificuldades com o sultão "confia" a metropolia de Kiev para Moscou. E vamos dar um salto: para a URSS, a Igreja Ortodoxa Ucraniana era um exarcado do patriarcado de Moscou. Mas, após o colapso da União Soviética (1991), a Igreja Ortodoxa Ucraniana se dividiu em três partes: uma, a maior, ligada a Moscou; o autoproclamado patriarcado de Kiev; uma pequena igreja autocéfala (independente). Pois bem, Bartolomeu, apesar da firme oposição de Kirill, favoreceu - em janeiro passado - a criação de uma nova Igreja ortodoxa autocéfala da Ucrânia (COU), da qual, no entanto, não faz parte aquela ligada a Moscou, a qual, além disso, considera "cismática" a recém-nascida.

Kirill decidiu, portanto, cortar a comunhão eucarística com Constantinopla: em suma, os dois patriarcas estão em estado de cisma. Enquanto isso, os greco-católicos ucranianos (chamados "uniates" pelos ortodoxos) olham com simpatia para a recém-chegada, e apontam para diálogo com ela.

Religião à parte, um problema político colossal aparece no plano de fundo: os "uniates" e o COU - além do governo de Kiev - acusam a Rússia de ter, em 2014, ocupado e anexado a Crimeia; mas Putin defende a escolha, lembrando que até 1954 aquela península era russa, e não ucraniana; e o patriarcado russo está com ele. O "quebra-cabeças" político-religioso da Ucrânia, por enquanto insolúvel (como em Kiev me confirmaram bispos das várias Igrejas), lança sua sombra escura sobre toda a Ortodoxia e a faz tremer. De fato, os duzentos milhões de ortodoxos espalhados pelo mundo terão, mais cedo ou mais tarde, que escolher entre Moscou e Constantinopla. O cisma corre o risco de se tornar gangrena.

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