Fraternidade e Políticas Públicas: E Ele amou até o fim

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24 Abril 2019

"O fim da Semana Santa nos ensina que aquela estrutura de dominação não prevaleceu, porque sua ressurreição foi a vitória final de sua mensagem. E é com a mesma confiança que hoje podemos proclamar um fazer político diferente daqueles que instrumentalizam a fé", escreve Daniel S. Lacerda, professor e pesquisador de Administração Pública da EA/UFRGS.

Eis o artigo.

Muitas pessoas acreditam que a Campanha da Fraternidade da CNBB se encerra junto com a Quaresma, no Domingo de Ramos. Na verdade, esse é o dia do gesto concreto, na coleta realizada das Missas, mas a campanha segue ao longo do ano.

Mas analisar a celebração do Domingo de Ramos é particularmente simbólico do ponto de vista da Campanha da Fraternidade. Ele marca o início da Semana Santa, quando, na tradição Cristã, rememoramos os dias finais da vida de Jesus. Na narrativa do Evangelho, corresponde a uma inflexão, depois de um cerco cada vez mais fechado por seus perseguidores - que o obrigou a fugir para o deserto em território dominado por zelotas, com pouca presença de soldados Romanos - quando Ele decide retornar justamente a Jerusalém, em um grande ato e cercado por uma grande multidão.

O ato soa como provocação, mas era uma reafirmação que sua mensagem de amor radical era inegociável, e ele não a esconderia. Jesus desagradou os donos do poder real e os fiadores do poder simbólico. Contestou a dominação imperial e a instrumentalização religiosa. Questionou uma ordem elitista na economia e também nos costumes. Foi contra Paulo Guedes e Silas Malafaia.

De um lado, Jesus abalou tradições e costumes religiosos estabelecidos. Curou no dia de sábado, que era um dia sagrado onde tais "obras" eram proibidas. Trocou a punição pelo perdão, ao quebrar o véu que separava puros e impuros ("atire a primeira pedra quem estiver sem pecado”). Colocou sua vinda e sua missão acima do próprio Abraão, e quase foi apedrejado por isso. E substituiu elaborados louvores a Deus por uma súplica quase revolucionária: "dá-nos comida todos os dias, e perdoa nossas dívidas". Os sacerdotes queriam executá-lo de forma exemplar, mas só quem podia fazer isso era o império Romano.

Só que não faltavam motivos para que o império Romano também quisesse ver Jesus morto. A aliança da elite religiosa com o poder romano era fundada sobre um pacto que estava em risco. Jesus desfaz a lógica do templo pregando uma religião sem contrapartidas ("de graça recebeis e de graça deveis dar"). Prega no templo o ano da graça de perdão de todas as dívidas intergeracionais e quase é atirado de cima do penhasco por isso. Profetizou um Reino sem iniquidades ("é mais fácil passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus") e anunciava constantemente que esse Reino de Paz e Justiça era diferente daquele em que viviam.

Diante de acusações cada vez mais intensas, Jesus respondia com a radicalização de sua mensagem de amor, que transcendia até mesmo os movimentos políticos e religiosos que estavam ao seu lado, ao comungar com prostitutas mas também sacerdotes, zelotas mas também cobradores de impostos. Deste modo, será condenado alguns dias depois à morte de cruz, condenação reservada aos que questionavam a ordem romana.

Essa perspectiva é fundamental para analisar a práxis política de Jesus, e compreender a fundo o sentido de fraternidade – como corresponsabilidade – que ele anunciava com essa práxis. O fim da Semana Santa nos ensina que aquela estrutura de dominação não prevaleceu, porque sua ressurreição foi a vitória final de sua mensagem. E é com a mesma confiança que hoje podemos proclamar um fazer político diferente daqueles que instrumentalizam a fé.

O texto-base da Campanha da Fraternidade diz: “Como cristãos, somos convidados a participar da discussão, elaboração e execução das políticas públicas. O que fazemos porque somos discípulos missionários, anunciadores de um novo Reino, o Reino de Deus” (195).

Sejamos anunciadores de um novo Reino, construído na certeza de que o amor venceu.

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