"O Papa na Via Sacra do Coliseu, em defesa das mulheres crucificadas pelo tráfico"

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09 Abril 2019

"O Papa posiciona a Igreja em defesa das "mulheres crucificadas", das criaturas inocentes escravizados e vendidos todas as noites nas nossas ruas pelos senhores do sexo, diante da culpada indiferença da sociedade. 37% deles são menores”. Padre Aldo Buonaiuto atua há mais de vinte anos no Serviço contra o tráfico, fundado pelo Servo de Deus Dom Oreste Benzi, na Comunidade Papa João XXIII, hoje liderado por Giovanni Paolo Ramonda. Neste ano, Francisco confiou a preparação dos textos para a Via Crucis da Sexta-feira Santa no Coliseu, para a irmã Eugenia Bonetti, missionária da Consolata e presidente da Associação "Slaves no more".

No centro das meditações está o sofrimento de tantas pessoas que são vítimas do tráfico de seres humanos. "É mais um sinal muito forte da mobilização promovida pelo Pontífice contra os modernos senhores de escravos que devastam a vida de milhares de jovens garotas que provêm principalmente da África e do leste Europeu - afirma padre Buonaiuto. Na Itália existem cerca de nove milhões de clientes, para um volume de negócios de 90 milhões de euros por mês. É a terceira indústria ilegal do mundo depois das armas e das drogas".

A entrevista é de Cristina Uguccioni, publicada por Vatican Insider, 07-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis a entrevista. 

Durante o Jubileu da Misericórdia, Francisco encontrou 25 mulheres libertadas da escravidão da prostituição na Comunidade do Papa João XXIII e, repetidamente, condenou o tráfico publicamente. O que une a Via Crucis com o sofrimento das escravas do sexo?

São as mulheres, vítimas da crueldade do homem, que nos revelam o rosto de Cristo. Seu calvário, como o de Jesus, ocorre porque muitos fingem não ver. Focando nesse holocausto silencioso as meditações divulgadas para o mundo todo no Coliseu, o Papa faz um gesto altamente simbólico, mas também pragmático para abrir os olhos das pessoas e da sociedade civil e política. Precisamos de uma reação das consciências: elas não são objetos, mas seres humanos a serem libertados. O Papa fala ao mundo inteiro, na Itália as vítimas da prostituição chegam a 120 mil. Na rua, 37% são menores de idade, entre 13 e 17 anos. Elas vêm principalmente da Nigéria, Romênia, Albânia, Bulgária, Moldávia, Ucrânia e China. É impossível estabelecer o número de escravas forçadas a se prostituir em apartamentos, casas noturnas, hotéis e centros de massagem.

Nos últimos anos, você foi o promotor da Via Crucis em Roma da Comunidade João XXIII contra o tráfico. Que efeito fez o anúncio de que o Papa dedicará a esse tema neste ano a celebração da Sexta-Feira Santa no Coliseu?

Uma emoção imensa. Para cada ano de nossa Via Crucis para as "mulheres crucificadas", o Pontífice no Angelus havia pedido aos fiéis que participassem. Este ano, o tema do tráfico será um farol de esperança e denúncia que será aceso para todo o mundo.

Qual é o significado dessa escolha do Papa?

É um grito de alarme, mas também uma assunção de responsabilidade, uma corajosa aceitação do problema pela Igreja universal. Em torno dessa tragédia sempre existe um manto de silêncio, desinteresse e pouca piedade. Precisamos de um pedido pessoal e coletivo de perdão. O exemplo foi dado pelo Papa Francisco, vindo a uma das nossas instalações durante uma das sextas-feiras da misericórdia do Ano Santo extraordinário para fazer "mea culpa" em nome de todos os cristãos. Seu testemunho minou o muro da indiferença para reafirmar que toda criatura humana, desde sua concepção até o instante de sua morte, merece respeito, ajuda, apoio e coragem.

Vocês realizam atividades pastorais em lugares de prostituição: centenas de meninas são recebidas atualmente em suas instalações e 24 são as "unidades de rua" que saem todo final de semana para encontrar as vítimas do tráfico e oferecer-lhes uma saída. O que vocês dizem para essas garotas na rua?

Em vez da pergunta habitual dos clientes ("quanto você quer "), perguntamos "quanto você sofre?". E depois: "Sua família sabe o que você faz?" Rasga o coração ver o estado de escravidão ao qual são reduzidas. Essas são também as periferias existenciais para as quais o Papa nos exorta a levar a nossa proximidade. Em quase três décadas de atividade junto às vítimas da prostituição, libertamos milhares de mulheres dessa forma moderna de escravidão. A Via Crucis de Francisco é um poderoso apoio para dizer chega à humilhação dessas criaturas inocentes.

O Vaticano decidiu organizar uma cúpula internacional sobre os abusos em que a exploração da prostituição também foi discutida. Quais são os objetivos da Igreja nesse campo?

A Igreja Católica está entre as mais empenhadas em chamar a atenção das instituições para esse horror. Nossa comunidade criou uma campanha chamada "Este é o meu corpo", que também solicita que a Itália adote o modelo legislativo em vigor no norte da Europa: investir contra a demanda e, portanto, parar o cliente. As relações sexuais não se compram. Os seres humanos não são mercadorias.

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