"Fariseus" e o risco do antissemitismo, em 9 de maio a fala do Papa

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04 Abril 2019

O Papa Francisco recebe no próximo dia 9 de maio de forma privada os participantes da conferência "Jesus e os fariseus" que, promovida pelo Pontifício Instituto Bíblico e apoiada, entre outros, pelo Global Jewish Advocacy, propõe um "reexame" de como é percebido, nas Sagradas escrituras, nas homilias dos sacerdotes católicos, na arte e na linguagem comum, esse grupo de judeus dos primeiros séculos "muitas vezes representado como exemplos de legaslimo, hipocrisia e ganância".

A reportagem é publicada por Askanews, 03-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Jorge Mario Bergoglio, que tem um excelente relacionamento com as comunidades judaicas desde quando foi arcebispo de Buenos Aires, também retrata negativamente, em suas homilias, os fariseus, coerentemente com o que foi indicado pelos Evangelhos. O Papa vai receber os mais de trezentos participantes católicos, protestantes e judeus no último dia do encontro, que acontece de 7 a 9 de maio.

"Não há necessidade de apresentar mal os fariseus em particular e o judaísmo em geral para apresentar bem Jesus: Jesus se apresenta bem sozinho", disse no curso de uma conferência de imprensa no instituto dos jesuítas a professora judia Amy Jill Levine, segundo a qual "o tratamento negativo dos fariseus é parte de um problema mais amplo", que afunda suas raízes na distorcida contraposição entre o catolicismo, como religião do amor, e o judaísmo, como religião da lei: "Somos duas religiões de amor e de ética", disse a professora, lembrando que Jesus é, aliás, mais rigoroso do que os mestres judeus quando, por exemplo, ao invés de condenar o assassinato, condena também a raiva, ou quando não condena apenas a traição realizada, mas também aquela pensada.

"Deveria haver um judeu em cada missa, mas somos menos numerosos, para garantir que as homilias sobre os fariseus não propaguem o antissemitismo, mas apresentem o Evangelho da paz corretamente", disse a professora, que lembrou que São Paulo de Tarso era fariseu, que o historiador Tito Flávio José falava bem dos fariseus e que os manuscritos do Mar Morto não os mencionam e, aliás, criticam um grupo judaico demasiado tolerante: "Se tivéssemos apenas Paulo, Flávio José e os manuscritos do Mar Morto, não precisaríamos desse encontro. Mas temos os Evangelhos que descrevem os fariseus como hipócritas e inimigos de Jesus".

O encontro, explicou o professor Joseph Levine, organizador do evento, quer "identificar as raízes dessa concepção dos fariseus e superar os preconceitos.”

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