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08 Março 2019

O Papa Francisco foi à Basílica de São João de Latrão para participar da tradicional liturgia penitencial do início da Quaresma reservada ao clero da diocese de Roma, que é sempre celebrada no dia seguinte à Quarta-Feira de Cinzas.

O evento começou com a meditação introdutória do cardeal vigário Angelo De Donatis.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 07-03-2019. A tradução é de André Langer.

“O tempo litúrgico que viveremos – disse o cardeal – pedirá de nós para sermos ministros da reconciliação, embaixadores e diáconos do perdão de Deus para todos os nossos irmãos. Em nossas comunidades, diremos em voz alta: ‘Imploramos a vós, em nome de Cristo, que vos deixais reconciliar com Deus’. Convidaremos todos para pedir perdão, com humildade, a Deus e aos irmãos e irmãs pelo mal feito. É um dom muito significativo poder saborear a partir de hoje, entre nós diáconos, sacerdotes e bispos, a doçura do seu amor, para estarmos mais dispostos a compartilhá-lo com os nossos irmãos”.

O poder do perdão de Deus

Posteriormente, os sacerdotes receberam o sacramento da reconciliação. Alguns deles se confessaram com o Papa, que, mais tarde, dedicou um profundo discurso ao clero, pronunciado em grande parte de maneira improvisada, no qual ressaltou o valor cristão da Quaresma e “a enorme riqueza espiritual que brota do coração, depois de receber a misericórdia de Deus”.

“Esta Liturgia do perdão de Deus é boa para nós, é boa para mim também! – e sinto uma grande paz em meu coração, agora que cada um recebeu a misericórdia de Deus e ao mesmo tempo a deu aos outros, aos seus irmãos. Vivamos este momento pelo que realmente é, como uma graça extraordinária, um milagre permanente da ternura divina, no qual mais uma vez a Reconciliação de Deus, irmã do Batismo, nos comove, nos lava com lágrimas, nos regenera, restaura a nossa beleza original”, disse o Bispo de Roma.

Não cair no “pecado do espelho”

Francisco falou sobre o poder do perdão que restaura a comunhão em todos os níveis, assim como sobre a graça da misericórdia de Deus, “na qual a Igreja vive e se alimenta”.

Também advertiu sobre o risco de os padres caírem na tentação da autossuficiência e da autossatisfação: “como se fôssemos o Povo de Deus por nossa própria iniciativa ou graças a nós mesmos. Esta reflexão é muito ruim e sempre nos magoará, seja a autossuficiência em fazer ou o pecado do espelho, a autossatisfação: ‘Como eu sou bonito, como sou bom’...”, acrescentou.

Não ter medo da desolação espiritual

Refletindo sobre o livro de Êxodo, proposto como paradigma nestes sete anos de caminho para o Jubileu de 2025, o Santo Padre concentra-se na grande obra do Senhor que transforma o “não-povo” no Povo de Deus: “um trabalho paciente de reconciliação, como o chama, uma sábia pedagogia na qual ameaça e consola, nos torna conscientes das consequências do mal feito e decide esquecer o pecado. Por isso, nos convida a não temer os momentos de desolação espiritual, como aquele que Israel viveu, mas a viver essa ausência temporária de Deus como um dom, rejeitando ao mesmo tempo os caminhos alternativos e os ídolos”.

Não maquiar a alma

O Sucessor de Pedro também refletiu sobre a experiência da confissão do pecado que muitas vezes escondemos não só a Deus, mas também ao sacerdote que nos confessa e inclusive a nós mesmos:

“A cosmética chegou até aqui: somos especialistas em consertar situações... ‘Sim, mas não foi por muito tempo, pode-se entender, é compreensível... e assim procuramos maquiar tudo’. E um pouco de água para nos lavar dos cosméticos é bom para todos nós, para ver que não somos tão bonitos: somos feios, somos feios inclusive em nossas próprias coisas. Mas sem desespero, certo? Porque existe um Deus misericordioso e misericordioso”.

O pecado desfigura

Por isso, o Papa convida os padres e os bispos a pregar neste tempo quaresmal o amor apaixonado e cheio de zelo que Deus tem pelo seu povo, mas também a ter consciência do seu papel na Igreja: o de prestar um serviço generoso à obra de reconciliação de Deus. Exorta-os a um diálogo franco com Cristo, como homens e não como pusilânimes:

“Não se considerem administradores do povo, mas servos que não aceitam a corrupção, unidos com os irmãos, com a comunidade, prontos para lutar pelo povo”, disse Francisco, evidenciando a atitude dos sacerdotes que falam mal de seu próprio povo aos bispos e “todos esses males dolorosos que chamuscam a imagem da Igreja”.

“O pecado nos desfigura, e vivemos com dor a humilhante experiência quando nós mesmos ou um dos nossos irmãos sacerdotes ou bispos cai no abismo sem fundo do vício, da corrupção ou, pior ainda, do crime que destrói a vida dos outros”.

O escândalo dos abusos

E a este respeito, o Papa referiu-se com dor e angústia, ao grave pecado dos abusos por parte de membros do clero. “Quero compartilhar com vocês a dor e a culpa insuportável que causa em nós e em todo o corpo eclesial a onda de escândalos de que agora estão cheios os jornais de todo o mundo”.

“É evidente que o verdadeiro significado do que está acontecendo deve se buscar no espírito do mal, no Inimigo, que age com a intenção de ser o dono do mundo, como eu disse na liturgia eucarística ao final do encontro sobre a proteção dos menores na Igreja. No entanto, não desanimemos! O Senhor purifica sua Esposa e está convertendo a todos a si mesmo. Ele nos está fazendo experimentar a prova, porque entendemos que sem Ele somos pó. Nos está salvando da hipocrisia, da espiritualidade das aparências”.

O arrependimento é o princípio da santidade

“Deus – acrescentou o Santo Padre – sopra seu Espírito para restaurar a beleza da sua Esposa, mas o arrependimento é fundamental, na verdade, é o princípio da nossa santidade”. Por isso, pediu aos sacerdotes de Roma para que não tenham medo de colocar suas vidas a serviço da reconciliação entre Deus e a humanidade, embora a vida de um sacerdote possa estar marcada, “às vezes, por mal-entendidos, sofrimentos, perseguições e pecados”.

“As lacerações entre os irmãos da nossa comunidade, a não aceitação da Palavra do Evangelho, o desprezo dos pobres, o ressentimento alimentado por reconciliações que nunca aconteceram, o escândalo causado pelo vergonhoso comportamento de alguns dos nossos irmãos, tudo isso pode tirar-nos o sonho. No entanto, acreditemos na orientação paciente de Deus, que faz as coisas a seu tempo, engrandeçamos os nossos corações e nos coloquemos a serviço da Palavra da reconciliação”.

Quaresma de caridade

Francisco terminou seu discurso, convidando os membros do clero romano a pedir perdão a Deus e aos seus irmãos por cada pecado que tenha ofendido a comunhão eclesial e sufocado o dinamismo missionário: “Sejam os primeiros a pedir perdão”, disse o Pontífice, ao mesmo tempo que reforçou o apoio à campanha diocesana da Cáritas “assim na terra como no céu” para viver a quaresma da caridade e responder a todas as pobrezas e apoiando aqueles que se encontram em necessidade.

Antes de concluir a cerimônia, o Papa deu-lhes como presente um subsídio paras as segundas leituras do Ofício de Leitura Quaresmal.

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