A Igreja ‘salviniana’ não recua e volta a ameaçar o cisma

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15 Janeiro 2019

Continua a aumentar cada vez mais a brecha entre a Igreja do papa Francisco, aquela inspirada pelo amor evangélico e pela misericórdia e a direita clerical e soberanista que tenta unir Salvini e a fé em Cristo. Ao ponto de voltar a ameaçar o cisma.

O comentário é de Fabrizio D'Esposito, publicado por Il fato quotidiano, 14-01-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Agora a matilha da rede antibergogliana (jornais e sites tradicionalistas) anda de mãos dadas com a campanha eleitoral para as eleições europeias da Liga salviniana. Dois pilares do soberanismo católico. O primeiro é o ódio por "esta Igreja de viés demagógico-ambiental-migracionista": a definição é do Stilum Curiae, o blog de Marco Tosatti, megafone tardio das acusações contra Francisco de D. Carlo Maria Viganò sobre pedofilia. O segundo pilar é o ódio contra os homossexuais, amplificado pela imagem de Bergoglio descrito como um Anticristo gay-friendly.

De acordo com os fariseus clericais, teria sido justamente a linha branda do Vaticano que favoreceu a difusão da "sodomia como bem jurídico". Daí o fantasma do cisma, que mostra sua cara diversas vezes no longo apelo de Roberto de Mattei, hoje chefe da Correspondência Romana e Fundação Lepanto:

"Um após o outro, os principais países europeus, incluindo aqueles de mais antiga tradição católica, elevaram a sodomia a bem jurídico, reconhecendo, de diferentes formas, o chamado casamento homossexual e introduzindo o crime de homofobia".

Tudo isso favorecido pelo silêncio da Igreja, mas esse "caminho trará danos ao papado e acelerará o cisma na Igreja". O dogma da família natural, em chave populista e salviniana foi declarado ontem, inclusive pelo jornal La Verdade de Belpietro, em defesa do Congresso Mundial das Famílias, que se realizará em Verona, no final de março.

Os convidados de honra são todos fundamentalistas: o ministro homofóbico Lorenzo Fontana (o mesmo que em nome de Salvini reuniu-se com grupos europeus declaradamente nazistas), o governador do Vêneto Luca Zaia, a fascista-soberanista Giorgia Meloni, o líder do Family Day Massimo Gandolfini.

Contra eles, entrou em campo o que La Nuova Bussola Quotidiana chama de Gay-stapo.

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