''O status quo de Jerusalém deve ser respeitado'': o apelo do Vaticano

Vista panorâmica de Jerusalém | Foto: Balou46 - Wikimedia Commons

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08 Dezembro 2017

Uma “profunda preocupação com a situação que foi criada nos últimos dias” em Jerusalém depois do anúncio do presidente Trump de transferir a embaixada estadunidense em Israel para Jerusalém, reconhecendo esta última como capital israelense, foi expressada pelo papa ao término da Audiência geral da quarta-feira, 6 de dezembro. Ao recordar a “vocação especial à paz” da cidade, Francisco lançou “um sincero apelo para que seja compromisso de todos respeitar o status quo, em conformidade com as pertinentes resoluções das Nações Unidas”.

A reportagem é publicada por L'Osservatore Romano, 07-12-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Aos fiéis presentes na Sala Paulo VI, o pontífice lembrou que “Jerusalém é uma cidade única, sagrada para os judeus, os cristãos e os muçulmanos, que nela veneram os lugares santos das respectivas religiões”. Daí a oração do papa para que “tal identidade seja preservada e fortalecida em benefício da Terra Santa, do Oriente Médio e do mundo inteiro, e que prevaleçam a sabedoria e a prudência, para evitar que se acrescentem novos elementos de tensão em um panorama mundial já convulsionado e marcado por tantos e cruéis conflitos”.

Significativamente, antes da audiência, Francisco recebeu na “Saleta” da Sala Paulo VI os participantes da reunião entre o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso e a correspondente comissão do Estado da Palestina, que se encontraram com o objetivo de constituir um grupo de trabalho permanente.

“A Terra Santa é para nós, cristãos – disse o pontífice, cumprimentando-os –, a terra por excelência do diálogo entre Deus e a humanidade.” E a condição primária do diálogo, acrescentou, “é o respeito recíproco e, ao mesmo tempo, visar a consolidar esse respeito a fim de reconhecer a todas as pessoas, onde quer que se encontrem, os seus direitos”.

De fato, “a partir do diálogo, brota um maior conhecimento recíproco, uma maior estima recíproca e uma colaboração para a realização do bem comum e para uma ação sinérgica em relação às pessoas necessitadas, garantindo-lhes toda a assistência necessária”.

Depois de chegar à Sala Paulo VI, o papa dedicou a catequese à recente viagem à Ásia. “Foi um grande dom de Deus”, afirmou, lembrando que, pela primeira vez, um sucessor de Pedro visitou Myanmar e como isso aconteceu pouco depois do estreitamento das relações diplomáticas entre esse país e a Santa Sé.

Depois, confidenciou que, em Yangon, ficou particularmente impressionado com “a segunda missa, dedicada aos jovens”, em cujos “rostos repletos de alegria”, ele pôde ver o futuro do continente: “Um futuro que será não daqueles que constroem armas, mas daqueles que semeiam fraternidade”.

Quanto à segunda etapa, Bangladesh, o pontífice revelou que considerou a ordenação de 16 sacerdotes como “um dos eventos mais significativos e alegres da viagem”. Até porque, observou, nos “países do Sudeste Asiático, graças a Deus, as vocações não faltam, sinal de comunidades vivas, onde ressoa a voz do Senhor que chama a segui-lo”.

Por fim, Francisco referiu-se ao forte momento de diálogo inter-religioso e ecumênico vivido em Dhaka, para sublinhar “a abertura do coração como base da cultura do encontro, da harmonia e da paz”.

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