Papa Francisco: “Irei ao Sudão do Sul com o primaz anglicano Welby”

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27 Fevereiro 2017

Uma viagem de apenas um dia ao Sudão do Sul, sem pernoitar no país em guerra. Uma viagem ecumênica semelhante àquela que fizeram Francisco e o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, à ilha grega de Lesbos em 2016, para visitar um campo de refugiados. O anúncio foi feito pelo próprio Bergoglio ao responder a uma pergunta de um seminarista africano durante a visita no domingo, 26 de fevereiro de 2017, à paróquia anglicana de Roma.



A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 26-02-2107. A tradução é de André Langer.

Francisco estava falando sobre as “Igrejas jovens”, que têm muito a ensinar. E contou: “Junto com meus colaboradores, estamos estudando a possibilidade de uma viagem ao Sudão do Sul, de apenas um dia; lá, existe uma situação difícil”. O Papa explicou também o contexto ecumênico: “Vieram visitar-me o bispo anglicano, o bispo presbiteriano e o católico e me disseram: ‘Vá! Mas não vá sozinho, vá com o arcebispo de Canterbury, Justin Welby’”.  Bergoglio destacou que o convite partiu dos líderes das três principais confissões cristãs presentes no Sudão do Sul, na esperança de que a presença do Bispo de Roma e do Primaz da Comunhão anglicana possa ajudar a pacificar o país.

Em abril de 2016, Francisco fez a primeira viagem verdadeiramente ecumênica de um Pontífice, aceitando o convite que lhe fez o Patriarca Bartolomeu: uma visita de um dia ao campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, um dos pontos aos quais chegam milhares de refugiados e migrantes que fogem das guerras, da perseguição e da fome. O Papa, além disso, sempre foi particularmente sensível ao destacar esse que definiu em várias ocasiões como o “ecumenismo de sangue”, isto e, o fato de que as perseguições não fazem distinção entre as confissões cristãs, razão pela qual o sangue dos mártires se mistura.

Em 22 de fevereiro passado, durante a Audiência Geral, o Papa Francisco dirigiu um forte apelo à comunidade internacional a favor do país africano, que poderia ser nos próximos meses o destino da sua segunda viagem africana, depois daquela que fez em 2015 ao Quênia, Uganda e República Centro-Africana. “Despertam particular preocupação as dolorosas notícias que chegam do atormentado Sudão do Sul – disse nessa ocasião –, onde a um conflito fratricida une-se uma grave crise alimentar que afeta a Região do Chifre da África e que condena à morte por fome milhões de pessoas, entre elas muitas crianças. Neste momento, é mais necessário do que nunca o compromisso de todos a não ficar apenas em declarações, mas tornar concretas as ajudas alimentares e permitir que cheguem às populações que sofrem. O Senhor sustente a estes nossos irmãos e a quantos trabalham para ajudá-los”.

O Sudão do Sul, que se tornou independente em 2011, transformou-se no cenário de uma nova e sangrenta guerra civil que começou em 2013, que, apesar dos acordos de paz, voltou a explodir em julho de 2016 entre os grupos que apoiam o presidente Salva Kiir e os que apóiam o vice-presidente, Riek Machar, o primeiro da etnia dinka e o segundo da etnia nuer. O país voltou a ser um lugar de “deliberados assassinatos de civis, violações e saques”, como denunciaram várias organizações internacionais e vários missionários.

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