O Papa: não aos cristãos que têm uma mentalidade que sempre condena

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21 Janeiro 2017

Sempre devemos superar e derrotar tanto o egoísmo como essa maneira de pensar e de agir que sempre julga mal. O Papa Francisco disse não aos cristãos que constantemente condenam. Na homilia da manhã de 20 de janeiro de 2017, na Capela da Casa Santa Marta, o Pontífice destacou que a nova aliança que o Senhor faz com a humanidade em Jesus Cristo renova os corações e muda as mentalidades, segundo indicou a Rádio Vaticano.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr,  publicada por Vatican Insider, 20-01-2017. A tradução é de André Langer.

O Papa Francisco refletiu sobre a Primeira Leitura do dia, uma passagem da Carta aos Hebreus que se baseia na recriação que Deus realiza em Jesus Cristo. O Senhor renova tudo, “na raiz e não apenas nas aparências. Esta nova aliança tem suas características”.

Francisco deu o exemplo de uma obra que um arquiteto pode olhar com frieza, com inveja ou com uma atitude de alegria e “de benevolência”.

“A nova aliança transforma o nosso coração e nos faz ver a lei do Senhor com este novo coração, com esta nova mente. Pensemos nos doutores da Lei que perseguiam Jesus. Estes faziam tudo, tudo o que estava prescrito na Lei. Eles tinham o direito em suas mãos, tudo, tudo, tudo. Mas sua mentalidade era uma mentalidade afastada de Deus. Era uma mentalidade egoísta, centrada neles mesmos: seu coração era um coração que condenava, sempre condenando. A Nova Aliança transforma o nosso coração e transforma a nossa mente. Há uma mudança de mentalidade”.

O Senhor, acrescentou o Bispo de Roma, “vai em frente” e nos assegura que perdoará as iniquidades e que esquecerá os nossos pecados. “E, às vezes – comentou –, eu gosto de pensar brincando um pouco com Deus: ‘O Senhor não tem boa memória’”. “É – disse – a fragilidade de Deus. Quando Deus perdoa, se esquece”.

“Ele esquece – recordou o Papa Francisco –, porque perdoa. Diante de um coração arrependido, ele perdoa e esquece: ‘Eu esquecerei e não lembrarei dos seus pecados’. Mas este também é um convite a não levar o Senhor a lembrar dos pecados, ou seja, não pecar mais. O Senhor me perdoou, esqueceu, mas eu tenho uma dívida com o Senhor… mudança de vida. A Nova Aliança me renova e me faz mudar de vida; não mudar apenas a mentalidade e o coração, mas a vida. Logo, viver sem pecado, distante do pecado. Esta é a verdadeira recriação do Senhor”.

Por fim, o Papa dirigiu sua atenção para outra característica, a “mudança de pertença”. Nós, recordou, pertencemos a Deus, “os outros deuses não existem”, “são bobagens”. “Mudança de mentalidade”, portanto, “mudança de coração, mudança de vida e mudança de pertença”. E esta, insistiu, é a recriação que o Senhor faz melhor do que a primeira criação. Por isso o seu convite para pedir ao Senhor que caminhemos por esta aliança “de ser fiéis”.

“O selo desta aliança, desta fidelidade – concluiu o Papa – é ser fiel a este trabalho que o Senhor faz para mudar a nossa mentalidade, mudar o nosso coração. Os profetas diziam: ‘O Senhor transformará o seu coração de pedra em coração de carne’. Mudar o coração, mudar a vida, não pecar mais ou não fazer o Senhor se lembrar do que já tinha se esquecido em relação aos nossos pecados de hoje e mudar de pertença: nunca pertencer ao mundanismo, ao espírito do mundo, às coisas efêmeras do mundo, mas somente ao Senhor”.

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