19 Setembro 2026
A Universidade de San Diego publicou uma reflexão da especialista em ética Meghan Clark, que também desafia os leitores a refletirem em oração sobre a sabedoria da Laudato Si' de Francisco como forma de examinar seus pensamentos, ações e omissões. Existem ainda outros recursos oferecidos por paróquias e dioceses ao redor do mundo que valem a pena explorar.
O artigo é de Daniel P. Horan, publicado por National Catholic Reporter, 17-09-2026.
Daniel P. Horan é diretor do Centro de Estudos da Espiritualidade e professor de filosofia, estudos religiosos e teologia no Saint Mary's College em Notre Dame, Indiana.
Eis o artigo.
A recente publicação do documento "Cuidando de Nossa Casa Comum: Uma Resposta Responsável e Fraterna ao Deus Trino", da Comissão Teológica Internacional, é uma contribuição bem-vinda aos debates em curso sobre teologias da criação e ecoespiritualidade. Seu lançamento em 2 de setembro, durante o Tempo da Criação deste ano, é providencial, e o conteúdo de sua reflexão teológica, acertadamente, desafia o pensamento antropocêntrico ou "centrado no ser humano".
E embora não tenha usado explicitamente a linguagem do pecado, Francisco citou a declaração do Patriarca Ecumênico Bartolomeu, de 1997, de que "cometer um crime contra o mundo natural é um pecado contra nós mesmos e um pecado contra Deus".
Posteriormente, em 2020, o documento final do Sínodo dos Bispos sobre a Região Pan-Amazônica (Sínodo Pan-Amazônico) ofereceu uma definição preliminar de pecado ecológico:
Propomos definir o pecado ecológico como uma ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade e o meio ambiente. É um pecado contra as gerações futuras, cometido em atos e hábitos de poluição e destruição da harmonia ambiental. São transgressões contra os princípios da interdependência, que destroem as redes de solidariedade entre as criaturas (cf. Catecismo da Igreja Católica, 340-344) e violam a virtude da justiça.
Esta definição baseia-se em referências passageiras em documentos episcopais regionais de todo o mundo e prepara o terreno para o trabalho da Comissão Teológica Internacional.
O ITC enquadrou sua definição de pecado ecológico em um contexto distintamente teológico, observando que a linguagem do pecado tem uma força e um significado particulares dentro da tradição cristã, em oposição a algum outro termo ou frase que possa surgir das ciências naturais ou sociais (como "ecocídio"). Além disso, o ITC explicou que a categoria de pecado ecológico é melhor comparada às "noções de pecado social e estruturas do pecado", que remontam a importantes documentos emitidos pelo Papa João Paulo II.
Ao definir esse conceito, o ITC explica:
Propomos entender este pecado contra a nossa casa comum como um pecado contra a criação e contra o Criador, na medida em que viola o significado da criação pretendido por Deus Criador. A própria expressão "criação" tem um significado profundamente teológico: ela nos leva a pensar não tanto na mera soma de todos os seres criados, mas em cada um deles como relacionado a uma origem em Deus, que constantemente os sustenta e os contém. Além disso, todo pecado faz parte da nossa relação com Deus. O Criador nos deu o mandato e a tarefa de cuidar e até mesmo aperfeiçoar a nossa casa comum. A falha em fazê-lo, por ação ou omissão, é desobediência a Deus. Ao deixarmos de cuidar da nossa casa comum com sabedoria, diligência e visão de curto, médio e longo prazo suficientes, não apenas deixamos de respeitar o plano de Deus e maltratamos a criação, mas também prejudicamos os nossos semelhantes [humanos], especialmente os mais pobres e as gerações futuras. O pecado contra a criação, portanto, afeta nosso relacionamento com Deus Criador, com nossos semelhantes [humanos] e com a criação, distorcendo as três relações que nos constituem.
Esta é uma definição muito útil e que continuará a suscitar reflexão, elaboração e revisão à medida que a Igreja leva mais a sério a realidade do pecado ecológico. E consigo perceber várias implicações que surgem imediatamente do trabalho do ITC nesta área, o qual reafirma o ensinamento magisterial tanto de Francisco como do Papa Leão XIV.
Em primeiro lugar, no que diz respeito ao ministério catequético, à educação religiosa e à formação permanente na fé de todos os batizados, a Igreja e seus ministros devem incluir discussões sobre o pecado ecológico, a fim de auxiliar na formação da consciência dos fiéis (Gaudium et Spes, 16). Assim como discutimos regularmente outras formas de transgressão pecaminosa contra Deus e o próximo, devemos abordar o pecado ecológico desde tenra idade e recorrer às Escrituras e à tradição — incluindo Laudato Si', Laudate Deum e Magnifica Humanitas — para ajudar a moldar a imaginação moral e promover a conversão ecológica.
Nesse sentido, essa categoria de pecado ecológico deveria ser adicionada ao Catecismo da Igreja Católica, que é principalmente um recurso didático para catecúmenos e candidatos e frequentemente serve como ponto de referência para aqueles que já estão em comunhão com a Igreja. Francisco propôs essa possibilidade em novembro de 2019, quando discursou para os participantes de uma conferência sobre direito penal realizada em Roma.
Em segundo lugar, ter essa definição mais formalmente articulada oferece a todos os fiéis um meio de responsabilizar uns aos outros e a nós mesmos. A linguagem do pecado ecológico é apropriadamente séria e não algo facilmente descartado como "opcional" ou "apenas para ambientalistas". Agora podemos nomear o que está acontecendo em nível individual, comunitário e global de uma forma que não podíamos antes em nosso discurso eclesiástico.
Em terceiro lugar, tanto os celebrantes do sacramento da Penitência quanto os penitentes precisarão repensar e renovar sua abordagem à confissão e às penitências prescritas. Vale ressaltar que a oração de absolvição começa com uma proclamação sobre a salvação que não é antropocêntrica, mas inclui toda a criação. O sacerdote ora pelo penitente: "Deus, Pai de misericórdia, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo mesmo e derramou o Espírito Santo para o perdão dos pecados..." Ecoando a famosa passagem de Romanos 8:19-21, na qual lemos sobre como toda a criação anseia pelo dia da salvação, a oração de absolvição situa o perdão de Deus pelos nossos pecados dentro da visão cósmica da salvação e não em um foco míope apenas em nosso contexto humano.
Isso me leva àquela que considero a implicação mais importante que essa definição de pecado ecológico nos apresenta hoje: a saber, que precisamos de um exame ecológico da consciência.
Felizmente, já existem ótimos recursos disponíveis para nos ajudar a começar. Por exemplo, a Companhia de Jesus e a Rede de Solidariedade Inaciana têm um site útil intitulado "Reconciliando Deus, a Criação e a Humanidade: Um Exame Inaciano", que convida cristãos individualmente e em comunidade a refletirem sobre o que fizemos e o que deixamos de fazer em relação ao pecado ecológico.
A Universidade de San Diego publicou uma reflexão da especialista em ética Meghan Clark, que também desafia os leitores a refletirem em oração sobre a sabedoria da Laudato Si' de Francisco como forma de examinar seus pensamentos, ações e omissões. Existem ainda outros recursos oferecidos por paróquias e dioceses ao redor do mundo que valem a pena explorar.
Mas precisamos de mais recursos educacionais e espirituais para ajudar a informar as mentes, moldar os corações e formar as consciências dos fiéis. Nunca é tarde demais para começar a integrar a maneira como vivemos nossa relação com o mundo não humano, enquanto examinamos periodicamente nossa consciência. Esta é uma ótima prática para começar, visto que o fim do Tempo da Criação deste ano se aproxima rapidamente.
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