Onde ficam as 7 escolas sem esgoto sanitário em Porto Alegre

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17 Setembro 2026

"Os impactos dessa carência afetam diretamente o aprendizado e a saúde infantil. Dados do Instituto Trata Brasil indicam que a falta de saneamento básico na escola aumenta em quase 50% a chance de o aluno apresentar atraso escolar (disparidade idade-série) na infância. Além disso, em 2024, mais de 100 mil crianças com menos de nove anos foram internadas no país por doenças associadas à falta de saneamento adequado."

A informação é publicada por Matinal, 16-09-2026.

Em Porto Alegre, sete das 346 escolas públicas ainda não estão conectadas à rede de esgoto, de acordo com o Censo Escolar mais recente, de 2025. O dado chama a atenção para a vulnerabilidade dos povos originários: três dessas instituições são indígenas – duas ficam em bairros da zona Sul e uma na Lomba do Pinheiro. Uma delas sequer tem banheiro e está entre as três instituições de ensino na capital sem sanitário para uso de alunos e professores.

O problema na Capital integra um cenário mais amplo de deficiências no saneamento das escolas gaúchas. Um levantamento divulgado pela Corsan nesta semana mostra que 2,9 mil escolas no Rio Grande do Sul, públicas e privadas, ainda precisam de adequações para se conectarem totalmente às redes públicas de água ou de esgoto.

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Atualmente, 4,6 mil instituições (68,9% das mapeadas pela companhia) já estão conectadas aos sistemas. O mapeamento, desenvolvido em parceria com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) desde 2024, valida os dados registrados no Censo Escolar a partir de visitas presenciais às instituições de ensino.

Na primeira mobilização do projeto, em junho de 2025, 2,6 mil escolas foram fiscalizadas:
• 74% estavam sem certificado de potabilidade da água;
• 54% não contavam com coleta de esgoto;
• 17% não forneciam água potável;
• 13,1% apresentavam fornecimento irregular de água;
• e 6,8% não tinham banheiros.

Desde o início do projeto, 289 escolas foram conectadas à rede de esgoto – a adequação é realizada sem custos à escola, segundo lei federal. A projeção é concluir a universalização do saneamento nas escolas até 2033.

Os impactos dessa carência afetam diretamente o aprendizado e a saúde infantil. Dados do Instituto Trata Brasil indicam que a falta de saneamento básico na escola aumenta em quase 50% a chance de o aluno apresentar atraso escolar (disparidade idade-série) na infância. Além disso, em 2024, mais de 100 mil crianças com menos de nove anos foram internadas no país por doenças associadas à falta de saneamento adequado.

À Matinal, Mário Lahorgue, pesquisador do Observatório das Metrópoles e professor da UFRGS, afirma que o cenário exposto pelo levantamento da Corsan evidencia um contexto de precariedade no acesso a políticas públicas. Segundo ele, as instituições com saneamento inadequado geralmente estão em locais em que essa condição é regra. Em vez de representar um espaço seguro em um território já impactado por problemas, as escolas acabam reproduzindo desigualdades.

"Se todas as escolas tivessem as mesmas condições, ainda que a desigualdade não acabasse (pois a causa não é só a estrutura escolar), [isso] certamente diminuiria e estimularia melhor os estudantes de comunidades mais carentes", explica o professor.

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