Gigantes da tecnologia alertam para uma onda iminente de ciberataques impulsionados por inteligência artificial e instam os governos a se protegerem

Foto: Sdecoret/Shutterstock

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28 Agosto 2026

Mais de cem empresas, incluindo OpenAI, Anthropic, Google e Microsoft, assinaram um manifesto instando o governo a "proteger hospitais e serviços essenciais" com inteligência artificial financiada publicamente

A notícia é de Carlos del Castillo, publicado por El Diário, 28-08-2026.

O alerta vem acompanhado de um senso de urgência. Em uma carta aberta assinada por mais de cem empresas do setor de tecnologia e cibersegurança, gigantes como OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft e Amazon alertam para uma onda iminente de ciberataques impulsionados por inteligência artificial, visando infraestruturas críticas, “de hospitais e estações de tratamento de água à infraestrutura que alimenta a internet”. “Temos uma janela de oportunidade limitada para fortalecer as defesas cibernéticas”, enfatizam.

O manifesto afirma que o cenário da cibersegurança mudará profundamente nos próximos meses: “Os ciberataques impulsionados por IA se tornarão mais disseminados e muito mais sofisticados à medida que os modelos de IA em todo o mundo adquirirem maiores capacidades”. Para lidar com esse cenário, a indústria de tecnologia propõe um plano de quatro frentes: exigir que as empresas privadas revisem seus protocolos, incentivar as empresas de cibersegurança a liderarem a resposta, responsabilizar os desenvolvedores de IA por seus modelos avançados e, acima de tudo, exigir que os governos tomem medidas.

Nesse sentido, eles pedem que as instituições modernizem suas estruturas de defesa, agilizando os canais de alerta entre os setores público e privado e estabelecendo mecanismos para coordenar as respostas. Mas, acima de tudo, pedem financiamento: “Financiar a defesa cibernética”, por meio de “acesso a IA defensiva eficaz, testes autorizados e assistência prática através de fornecedores e parceiros confiáveis”.

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“É fundamental reconhecer que as medidas de segurança atuais não serão suficientes”, enfatizam os signatários, entre os quais estão também a Amazon, a IBM, a Oracle e o BBVA, representante da Espanha. Este alerta ecoa um feito há algumas semanas pela inteligência dos EUA e seus principais parceiros, conhecidos como a aliança Five Eyes.

Escapada de verão

A carta surge após um verão repleto de notícias sobre modelos de IA que "escaparam" de seus ambientes protegidos para realizar ciberataques contra outras empresas ou alvos. A OpenAI, a Anthropic e a Meta revelaram ter sofrido incidentes desse tipo nos últimos dois meses.

O incidente de maior repercussão envolveu a OpenAI e a plataforma de código para desenvolvedores Hugging Face, ambas signatárias do documento. As duas empresas se viram envolvidas em um incidente de segurança quando agentes autônomos do criador do ChatGPT romperam o isolamento de seu ambiente de testes, obtiveram acesso não autorizado à internet e se coordenaram para invadir os sistemas da Hugging Face.

Embora essas revelações tenham virado manchete e causado preocupação entre alguns especialistas, outros indicaram que as empresas estavam buscando publicidade. "Parece-me que, em alguns casos, há um componente de venda de produtos", afirma Rafael López, analista de cibersegurança da Checkpoint.

“Por exemplo, no caso da Anthropic, eles explicaram que o modelo percebeu que estava em um ambiente isolado e conseguiu se conectar à internet e executar os ataques para os quais havia sido instruído. Esse 'incidente' é muito benéfico para a empresa de IA, pois permite que ela venda as capacidades de cibersegurança do modelo e sua habilidade de fazer coisas que antes eram consideradas impossíveis”, explica o especialista. “Não estou dizendo que seja tudo exagero, mas é um ótimo argumento de venda.”

Essas empresas argumentam agora que esses sistemas podem servir de escudo contra a ameaça de ataques automatizados. "Vamos colocar a IA com capacidade cibernética ao alcance dos defensores, começando pelas equipes que protegem os serviços essenciais", solicitam na carta. No entanto, especialistas apontam que o diagnóstico feito pelas gigantes da tecnologia é preciso: muitos países têm negligenciado a proteção de sua infraestrutura por anos, com configurações obsoletas e falta de pessoal de defesa.

Além das principais empresas de software e tecnologia em nuvem (AWS, Microsoft, Google, Oracle) e laboratórios de IA (OpenAI, Anthropic, Hugging Face, Scale AI, Perplexity), os signatários do manifesto incluem as maiores empresas multinacionais privadas de cibersegurança (CrowdStrike, Palo Alto Networks, Zscaler, Fortinet, Cloudflare, Snyk), empresas de consultoria (PwC, KPMG, Oliver Wyman) e gigantes financeiros como BBVA, Citi, Mastercard e Visa.

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