A egolatria, o vírus espiritual na época das redes sociais. Artigo de Luca Farruggio

Fonte: Stockvault

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28 Agosto 2026

"Se algo nos impede de ver a verdade, devemos ter a coragem de nos livrar dele com todos os meios espirituais ao nosso alcance, para viver uma vida verdadeira. Por um lado, trata-se de uma tarefa exigente; por outro, é também composta por momentos de felicidade imerecida", escreve Luca Farruggio, filósofo, em artigo publicado por Il Blog di Enzo Bianchi, 22-08-2026. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o artigo.

Se quisermos encarar a realidade da situação, devemos admitir que existe uma doença espiritual que domina o nosso tempo com uma força talvez nunca antes vista: a egolatria. Trata-se da adoração do próprio ego, da transformação da própria imagem em um pequeno altar diante do qual se espera que os outros se ajoelhem.

Na época das redes sociais, essa doença parece ter se espalhado como um vírus mortal. Todos os dias, somos convidados a nos mostrar, falar de nós mesmos, nos exibir e angariar aprovação. O risco reside em confundir valor com aprovação, e verdade com o número de pessoas que nos aplaudem.

No entanto, a egolatria não destrói apenas o indivíduo; destrói as relações humanas, a coisa mais preciosa que temos para atravessar estes poucos dias de vida terrena. Gradualmente, cercamo-nos de pessoas que nos exaltam, validam nossas opiniões e evitam nos dizer o que realmente pensam. Assim, constrói-se uma corte de bajuladores onde ninguém está mais disposto a mudar de perspectiva, pois fazê-lo significaria questionar a imagem granítica, mas "doente", que construímos de nós mesmos.

E é precisamente aqui que deveria surgir uma reflexão ainda mais profunda: talvez devêssemos ouvir com mais atenção também os nossos inimigos. De fato, uma crítica vinda de um inimigo pode conter uma verdade que um amigo, por afeto ou receio de nos perder, não tem a coragem de expressar. O inimigo, às vezes, observa as nossas fraquezas sem condescendência e pode nos revelar aquilo que os amigos, justamente por se importarem conosco, preferem não ver. Isso não significa dar razão a quem nos obstaculiza, mas sim ter a humildade de nos perguntar: "e se o inimigo, pelo menos em parte, estiver certo?" É uma pergunta devastadora para o ego, e, justamente por isso, pode tornar-se uma pergunta salvífica. A verdade sempre se esconde por trás de paradoxos!

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As redes sociais certamente jogaram gasolina sobre as chamas dessa forma contemporânea de egolatria, transformando muitas vezes a busca por aprovação em uma necessidade diária que vale mais do que o nosso pão de cada dia. No entanto, o problema é muito mais antigo que a tecnologia. Há muito tempo, Jesus apontara um caminho radical (assim como todo o Evangelho é radical): “se o seu olho direito o induz a pecar, arranque-o e lance-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que todo ele ser lançado no inferno”. Para além da dureza dessa imagem evangélica, o significado é realmente perturbador e deve levar-nos à reflexão antes que seja tarde demais.

De fato, se algo nos impede de ver a verdade, devemos ter a coragem de nos livrar dele com todos os meios espirituais ao nosso alcance, para viver uma vida verdadeira. Por um lado, trata-se de uma tarefa exigente; por outro, é também composta por momentos de felicidade imerecida. Contudo, é a única vida que temos, e não deveria acabar sendo desperdiçada futilmente.

Talvez, nesta era da exposição constante do "eu", o verdadeiro gesto "revolucionário" não acabe sendo nos mostrarmos mais, mas aprendermos, finalmente, a escutar aquilo que preferiríamos não ouvir, e nos afastarmos lentamente dessas "dependências mortais"

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