Aqueles que foram banidos do trumpismo estão se preparando para retornar... com Tucker Carlson no comando?

Tucker Carlson (Foto: Wikimedia Commons)

Mais Lidos

  • Em nome de Deus: quando a política se apropria do Evangelho. Artigo de Martin Scheuch

    LER MAIS
  • O futuro em disputa: algoritmos, extrema-direita e autoritarismo. Destaques da Semana no IHUCast

    LER MAIS
  • A morte de Jesus na cruz, "a loucura de Deus". Artigo de Severino Dianich

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

17 Agosto 2026

“O movimento começou”, anunciou a ex-congressista Marjorie Taylor Greene em uma reunião à luz de velas com o apresentador Tucker Carlson e outras figuras que romperam com o trumpismo e se sentem traídas pelo presidente dos EUA.

A reportagem é de Juan Gabriel García, publicada por El Diario, 17-08-2026.

Sentados ao redor de uma mesa de madeira iluminada por duas altas velas brancas, algumas das principais figuras do movimento MAGA que romperam com Donald Trump sorriem para a câmera: a ex-congressista Marjorie Taylor Greene; o atual congressista Thomas Massie; o ex-diretor de contraterrorismo Joe Kent; e o ex-apresentador da Fox News e influenciador Tucker Carlson. Foi Greene quem compartilhou a foto no X com o seguinte comentário: “Nosso compromisso é com a América em primeiro lugar para todos os americanos, sejam de direita, esquerda ou centro. O movimento começou.”

Desde então, a foto abalou a ala conservadora, passando de uma mera provocação para uma possibilidade real de que a facção dissidente do trumpismo planeje um contra-ataque com um novo partido. Como se Greene não tivesse sido suficientemente clara, Carlson compartilhou sua publicação e elevou a aposta: “O movimento MAGA foi traído. Todos nós fomos. É hora de trilhar um novo caminho.”

A promessa de um novo grupo político que poderia capitalizar sobre a decepção com as promessas não cumpridas de Trump surge em um dos piores momentos possíveis para os republicanos: a menos de três meses das eleições de meio de mandato, em meio ao impasse com o Irã e com crescente descontentamento público com o aumento do custo de vida. A estratégia adotada por esse novo movimento pode prejudicar o Partido Republicano, já que dissidentes do campo de Trump ainda exercem considerável poder político.

O grupo de dissidentes resume as duas principais crises que Trump enfrentou entre sua base eleitoral. Primeiro, houve os documentos de Jeffrey Epstein, que revelaram a estreita relação do magnata com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. A relutância inicial de Trump em divulgá-los levou à primeira deserção: a congressista Marjorie Taylor Greene passou de leal apoiadora a ferrenha opositora. Seguindo seus passos, o congressista Thomas Massie também se desligou do partido e não poderá mais concorrer à reeleição em novembro, já que o presidente bloqueou seu caminho.

Pouco depois, com o caso Epstein já praticamente encerrado, o escândalo Irã-Contras desencadeou outras duas grandes rupturas de alto nível: o ex-apresentador da Fox News criticou duramente Trump por sua campanha, por não cumprir a promessa de retirar o país de conflitos estrangeiros. Kent tornou-se o primeiro membro do governo a renunciar por razões ideológicas. Em uma carta enviada ao presidente e compartilhada nas redes sociais, o ex-chefe da unidade antiterrorismo criticou o republicano por priorizar os interesses israelenses em detrimento dos americanos. “Dissemos que bastava de guerras no exterior, e falávamos sério; apoiamos Donald Trump porque ele fez essa promessa. Mas ele nos traiu a todos”, escreveu Taylor Greene em sua publicação nas redes sociais.

A repercussão causada pela foto reacendeu as especulações de que Carlson poderia se candidatar à presidência em 2028, apesar de suas negativas anteriores. Na última terça-feira, Kent explicou no programa The Young Turks que seu grupo vem tentando convencer Carlson a se candidatar. "Eu diria que todos nós, em algum momento, dissemos a Tucker que ele precisa se candidatar, e Tucker deixou bem claro publicamente que não vai", explicou o ex-chefe de contraterrorismo. "Então, todos nós apresentamos nossos motivos para que Tucker se candidatasse e, com sorte, um dia ele acordará e dirá que vai se candidatar."

Uma ideia que Greene refutou esta semana em conversa com o Politico. No entanto, a ex-congressista confirmou sua intenção de criar uma alternativa real aos dois partidos atuais. "Nosso argumento é que o sistema bipartidário é um completo fracasso", disse ela.

Greene afirmou que sua ideia de criar um novo movimento recebeu apoio "avassalador" e disse à mesma fonte que já recebeu ofertas de "grandes doadores" que desejam "doar generosamente para ajudar".

A influência do pulso de Vance-Rubio

O principal motivo pelo qual o grupo dissidente ainda não esclareceu sua estratégia para apresentar sua alternativa é a ausência de um candidato definido para a chapa republicana em 2028. Nos últimos meses, Trump tem alimentado a rivalidade entre o vice-presidente JD Vance — o sucessor natural — e o secretário de Estado Marco Rubio. De fato, Rubio já é visto como um potencial candidato à presidência em pesquisas recentes para 2028.

Devido ao sucesso de sua campanha na Venezuela e ao apoio que Trump lhe tem demonstrado nos últimos meses, os apoiadores do magnata têm se inclinado mais para Rubio do que para Vance. Em contrapartida, o vice-presidente carrega um fardo muito pesado — as negociações com Teerã — e não conseguiu projetar o mesmo carisma que o secretário de Estado exibiu em diversas ocasiões.

Ainda assim, o candidato com maior probabilidade de acalmar a facção dissidente é Vance. O vice-presidente personifica melhor os valores do isolacionismo e do cristianismo conservador. Quando Trump interveio militarmente na Venezuela, Vance manteve um perfil discreto. Isso se repetiu com o início do escândalo Irã-Contras, que contrariava completamente seus princípios e sua agenda. Quando, horas depois, Vance finalmente se pronunciou sobre os bombardeios em Teerã, deixou claro que não concordava totalmente, mas que apoiava seu chefe.

Ao contrário de Vance, Rubio é favorável à intervenção estrangeira. O espanhol está entre os "falcões" que defendem uma postura linha-dura contra o Irã, a Venezuela e Cuba. Todo o bloqueio energético a que a ilha está sendo submetida e as ameaças de possível ação militar contra o regime de Castro também levam sua assinatura.

Leia mais